quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O pior cego é o que não quer ver (27 de setembro de 1973)


Certa feita, antes das candidaturas de Biava e Sola à Prefeitura, disse eu, em um dos meus escritos diários, que Marília possuía muitos elementos capazes para administrá-la. Mas que, muitos desses mesmos elementos capazes, se candidatos, eleitos não seriam. Porque faltava-lhes aquilo que é importante para todo candidato à cargo elegível: penetração na opinião pública, no seio das massas.

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O “tio” Santo Barion, que já foi vereador, que é uma indiscutível reserva moral, como cidadão e como homem de empresa, após conhecido o resultado do pleito que o elegeu, convenceu-se, de que nem todos os seus empregados e auxiliares haviam votado nele.

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Meu amigo João Crepaldi, hoje Coletor Estadual em Oscar Bressane, trabalhou arduamente pela candidatura de Romeu Ceroni nas últimas eleições. Tinha, por antecipação, a certeza da eleição desse candidato. Em palestra comigo, disse eu ao Crepaldi, que mesmo reconhecendo em Romeu Ceroni, condições e capacidade para ser deputado, não acreditava na possibilidade de sua vitória nas urnas. E expliquei a falta consubstanciosa de penetração nas massas.

Tempos depois, João Crepaldi veio ter a mim, para dizer que eu tinha razão.

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Uma ocasião, falando em tempo hábil sobre a substituição do então prefeito Tatá, asseverei que Remo Castelli e José Rojo Lozano seriam excelentes prefeitos marilienses, mas que, se candidatos dificilmente seriam eleitos, pela mesma razão que aqui focalizo.

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No passado, Luiz Felipe de Mello e Luiz Scaglio, foram candidatos à vereança. Os dois cidadãos, probos e conceituados, desfrutavam de grande popularidade, como dirigentes da A.A. São Bento, que vivia no auge de sua trajetória esportiva. Por falta de penetração nas massas, esses dois marilienses, não conseguiram eleições para a vereança.

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Há na história eleitoral de Marília, o caso verídico de um candidato à vereador, haver obtido um único voto: o dele. Isto significa que nem a esposa ou familiares votaram no mesmo.

Falta de aceitação e de aceitamento das massas.

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No último pleito, tivemos candidatos, próprios que obtiveram um coeficiente verdadeiramente ínfimo de sufrágios. Mais uma prova do que estou afirmando.

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Estes motivos devem merecer cuidado e atenções dos dirigentes dos partidos políticos locais, nesta oportunidade em que se soltam os primeiros balões de ensaio, para o lançamento dos candidatos à deputação estadual.

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De nada vai adiantar, homologar a candidatura de determinado candidato, só porque ele seja “bonzinho” para os amigos ou fiel aos postulados doutrinários.

Ele irá fazer feio, sofrer a decepção de não ser eleito.

Poder de penetração na opinião pública é condição que pode ser considerada “sine qua non” para vitória nas urnas.

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Por isso, mais se enraíza a necessidade plausível de Marília lançar um candidato único à deputação estadual.

E a necessidade também, de que todos os marilienses eleitores, encararem esse candidato em termos somente de Marília, cerrando fileiras em torno do mesmo.

Se Marília concorrer ao pleito com o número dos que pretendem e se focalizam como candidatos, podem ter a certeza de que nossa cidade, mais uma vez, continuará órfã, desgraçadamente órfã na Assembléia Legislativa.

Extraído do Correio de Marília de 27 de setembro de 1973

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