sábado, 29 de dezembro de 2012

Fatos que são fatos (29 de dezembro de 1973)



Verdade é que as chuvas têm dificultado os trabalhos de conservação das vias públicas, especialmente as ainda não dotadas de calçamento ou pavimentação. Mas é também verdade, que parece ter diminuido o rítimo do “rush” inicial da atual administração municipal. Não está havendo mais aquele interesse de trabalho rápido e de providências igualmente rápidas pelo setor competente da municipalidade.

Muitas reclamações e muitos murmurios. E quando o povo reclama e murmura, é porque existe algo diferente debaixo do sol.

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Carros brasileiros terão velocidade limitada.

A Comissão de Transportes, Economia e Ciências Tecnológicas está apreciando um projeto de lei, que visa a determinar a velocidade máxima dos veículos, segundo potência e peso dos mesmos.

A medida objetiva evitar o alto índice de desastres automobilísticos do país. Por outro lado, o projeto vem de encontro à crise do petróleo, já tendo recebido pareceres favoráveis, da comissão de Justiça da Câmara Federal.

Vigorando a referida lei, os “loucos do volante” terão que “virar-se” com carros estrangeiros, porque segundo se percebe, só os nacionais é que não poderão correr em demasia…

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Fiscais federais irão usar distintivos metálicos, que os identificarão em suas atividades profissionais. A idéia é do secretário da Receita Federal. Todos os chefes de serviço ou responsáveis por secções, desde o próprio secretário da Receita até os chefes de postos, usarão obrigatoriamente o distintivo.

Os distintivos serão de uso estritamente pessoal e em serviço, metálicos, de tamanho único, graçados no verso da face estampada, com números de ordem crescente, a partir de 001.

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No cemitério municipal da cidade de Ostiglia, na Itália, existe uma lápide com a seguinte inscrição:

“Signore Celio Longhi. Morto nell’anno da 1975”.

Não se trata de erro do escultor, absolutamente. É pedido do próprio Sr. Celio Langhi, atualmente com 84 anos de idade, residente e conhecido em Ostigla, que afirma ter a certeza que vai morrer em 1975 e porisso, mandou preparar a sua morada definitiva.

Si non é vero”…

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Como estamos às vésperas do fim de ano, vamos protelar e transferir para o próximo, muitos problemas necessários e exigidos por Marília e por sua população.

Mesmo porque, são problemas cuja execução não compete à nós, aqui do jornal.

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Nada definitivo e nem certo, sobre o candidato único mariliense, para concorrer à deputação estadual.

Perdura a convicção, de que mais de um nome participando do pleito, ficará mais perpetuamente a contingência da orfandade política de Marília, junto ao Palácio 9 de Julho.

Amor à terra, pelo jeito, é “manga de coleta”.

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Fumo, só o suficiente para fazer um cigarro “paieiro”. Palha, só uma, também. Fósforo, sòmente um palito na caixa.

Mas muitos outros, com vontade de “pitar”.

Corta-se o fumo. Esfiapa-se o mesmo. Alisa-se a palha, deita-se sobre ela o tabaco, enrola-se a palha fazendo-se um cilindro cheio de fumo-de-corda.

Está feito o cigarro.

Só um fuma.

Os outros? Os outros cospem.

Assim vão ser os nossos candidatos à deputado…

Extraído do Correio de Marília de 29 de dezembro de 1973

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Delinquentes e motoristas (28 de dezembro de 1973)



Um comissário de polícia, de uma cidade norte-americana, elaborou um código, de oito normas, para os pais e mães que queriam transformar seus filhos em delinquentes.

Um educador, analizando essas oito normas, resolveu fazer alterações ao original, acrescentando outras duas, transformando assim, em decálogo, a idéia inicial do comissário de polícia.

Sob o título de “como fazer seu filho um delinquente” assim estão redigidas as dez orações do citado documento:

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1 – Comece a dar ao seu filho, desde a infância, tudo o que o garoto quizer. Assim, quando crescer, ele pensará que todos serão obrigados a satisfazer-lhe os mínimos desejos.

2 – Se ele disser alguma estupidez, louve o “modo engraçado” e interessante que o garoto tem em dizer certas coisas. Ele se considerará, assim, “pessoa interessante”.

3 – Nunca lhe dê qualquer orientação religiosa. Espere que ele complete 21 anos, para “decidir por si mesmo”.

4 – Recolha sempre, tudo o que ele jogar pelo chão: roupas, sapatos, bolsas, papéis. Faça tudo isso por ele (coitadinho!) para que ele aprenda a lançar sobre os outros toda a responsabilidade.

5 – Nos desentendimentos conjugais, discuta sempre na presença dele (é tão criança que não percebe nada). Assim ele achará tudo muito natural, quando acontecer o fracasso do matrimônio.

6 – Dê-lhe sempre bastante dinheiro. Não permita que passe as dificuldades que você teve outróra para vencer nem deixe que ele tenha menos dinheiro que seus amiguinhos (isso, de forma alguma).

7 – Satisfaça todos os seus caprichos, de comida, bebida e conforto. Negar-lhe algo, poderá, acarretar-lhe um nocivo “sentimento de frustação” e você não pretenderá isso.

8 – Deixe que ele escolha livremente seus próprios amigos, que organize festinhas quando quizer. Desta forma ele estará desenvolvendo “extraordinariamente a sua personalidade”.

9 – Fique sempre ao lado dele, contra os vizinhos, contra os professores e contra a polícia. De fato toda essa gente está com mã vontade e persegue sempre o seu filho.

10 – Quando ele exigir alguma coisa que não convém ser dada, responda que vai “dar depois”. E quando ele for um pouco maior e criar um conflito sério, não se envergonhe de dizer como desculpa: “nunca consegui dominá-lo”. Com isso, tirará de seus ombros, toda a responsabilidade.

Depois de observar rigorosamente todo esse decálogo, você deve preparar-se para uma vida cheia de desgostos, pois você bem a merecerá.

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Bispos do Estado do Paraná, elaboraram um decálogo de conselhos para os motoristas.

Assim:

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1 – Faça do automóvel um instrumento de vida e não de morte.

2 – No volante de seu carro, assuma consciência de responsabilidade.

3 – O automóvel é cego. Você, motorista, é que deve controlá-lo.

4 – Não permita que o automóvel guie você.

5 – O destino do automóvel é a felicidade. Não faça dele, instrumento de desgraça.

6 – Seja o automóvel um sinal de responsabilidade.

7 – Na estrada, seu irmão espera a vida, não a morte.

8 – Faça do carro uma escola de automobilismo.

9 – Sua viagem depende de você não do seu carro.

10 – Faça seu carro um instrumento de aproximação e não de desunião.

Extraído do Correio de Marília de 28 de dezembro de 1973

domingo, 23 de dezembro de 2012

Um Soldado atrevido (Natal de 1958)



José Padilla Bravos
2º Sgt. Res. FEB

- Sargento Mário!

- Pronto, tenente!

- Avise o pessoal do pelotão, que depois do “momento espiritual”, quero todos reunidos perto da lareira.

- Entendido, meu tenente.

As ordens, no Exército, são assim. Precisas e suscintas, dentro do maior laconismo possível. Sargento Márcio éra o Chefe de Secção e o Sub-Comandante do Pelotão de Transmissões, do III Batalhão do 6º Regimento de Infantaria. Estávamos no ocaso do período invernoso; a neve deixava de dependurar-se nos ramos dos arbustos amarelecidos, nos telhados das casas e nas torres das igrejas, para escorregar gradativamente e desaparecer na terra. O degêlo, uma realidade.

O “momento espiritual” fôra idealizado e posto em prática pelo comandante do pelotão, tenente Dantas Borges, no navio que nos levava à Itália. Às 18 horas em ponto, o comandante nos reunia e nos obrigava a manter-nos em silencio por alguns instantes, exortando-nos a pensar no Brasil e na família. Antes, porém, uma pequena preleção cívica e moral.

No início, ninguém recebeu com agrado a idéia. Os protestos foram mudos, porque no Exército ninguém protesta contra superiores hierárquicos. Depois, os soldados passaram a habituar-se ao “momento espiritual” e perceber que o mesmo fazia um bem íntimo indescritível. O áto não teve interrupção. Nem mesmo durante a guerra. Com qualquer número de soldados disponíveis no momento, jamais deixou de ser realizado. Na ausência do tenente Dantas, o Sargento Mário ou então o Sargento Mendes, continuaram a prática. Realmente, foram os únicos momentos em que pudemos nos dedicar, em pensamento único, ao Brasil e à família.

Dos 22 homens que compúnhamos o pelotão, apenas 9 homens participamos aquela tarde do “momento espiritual”. Estávamos alojados numa casa de pedras, na contra-encosta de um morro, num local chamado Áffrico, à margem da Estrada 64, que demanda à Bologna.

Semi-escuridão. De luzes, só algumas brazas da lareira, alimentada por quantidade racionada de carvão vegetal. Sentados em camburões de gasolina ou encostados na parede, ao som longínquo dos canhões alemães e ensurdecidos pelos tiros visinhos da artilharia brasileira, aguardamos o “peixe” (novidade) do tenente. Este, com sua indefectível bengala e seu ensebado “cache cól”, foi logo ao assunto. Disse-nos que tinha recebido do Comando do Batalhão, ordens para conceder três dias de licença em Firenze (Florença), à quatro elementos do Pelotão, que de um ou outro modo, mais dignos estivessem feito de tal premio. Com sinceridade, declarou-nos seu desapontamento em cumprir as ordens, porque não distinguia em seu pelotão, nenhum homem mais do que o outro, dentro das funções especificas de cada um. Não queria cometer uma injustiça, escolhendo quatro dos 23 companheiros. Porisso, “descalçava a bóta”, solicitando nosso apôio, em pról de uma solução para a designação dos felizardos.

Ninguém abriu a boca. Ninguém deu palpite. Todos esperaram, envolvidos num manto de indisfarçável curiosidade. Três de folga, depois de sete meses de combate, é alguma coisa caída do céu.

O tenente coçou os ralos cabelos louros e insistiu. Foi então que o soldado Baade deu a “deixa”.

- Tenente, faça um sorteio; assim, ninguém poderá reclamar ou estrilar.

O comandante olhou, no lusco fusco do ambiente, como tentando sondar o semblante de cada um. Uns murmúrios no início, palavras em altas vozes depois, deram a entender que a idéia éra a única saída.

Foi feito o sorteio. Primeiro número premiado: 2818 (o meu). Os outros três não me recordo quem foram. Lembro-me apenas que um foi o sargento Mendes.

A ordem foi completada: “Amanhã, às 8 horas, os sorteados devem estar no P. C. (Posto de Comando) do R. I., em Marano. De lá partirá um caminhão”.

Não dormi aquela noite. De fato, tinha quatro horas de trabalho no rádio e na central telefônica, compreendidas entre 21 e 23 e 3 e 5 horas. Nos intervalos, se o “tedesco” (alemão) permitisse, ser-me-ia facultado dormir num monte de feno podre, colocado no chão. Mas não dormi. Só pensei no passeio. Só pensei no passeio. Só pensei na folga. Só pensei nos três dias de “moleza”.

Na minha idade, nas circunstancias do momento, seria de esperar-se como pensamento principal do passeio, bebidas e mulheres. Entretanto, tal não acontecia. O que eu mais aspirava na ocasião, éra dormir. Mas, dormir em lençól, com gostoso travesseiro, coisas que eu desconhecia há cerca de 9 meses. Tinham-me informado de que em Firenze existia um Hotel Brasileiro para soldados. Se existia hotél – pensei – deveriam existir camas (com lençóis e travesseiros).

Antes das 7 horas, já tinha decido a contra-encosta e estava reunido a um grupo de soldados das demais sub-unidades. Deram a ordem de levar a manta (cobertor), mas eu não cumprí. Afinal, se ia para um Hotel Brasileiro, porque levar manta? E ainda u’a manta suja de barro, terra e restos de degelo, misturados com fiapos de feno pôdre de estrebarias?

Cheguei em Firenze. Sozinho, pois perdi-me dos companheiros do pelotão. Todos os demais ocupantes do caminhão eram desconhecidos para mim e na verdade não me interessava conhecimento com os mesmos. Azoinadamente sonhava com uma cama, com lençóis limpos e travesseiros...

Na entrada do Hotel, já tive uma decepção: entrar em fila, continências, “sentido”, apresentação, etc. – coisas que não existiam no “front”. Deram-me a acomodação. Um italiano foi acompanhar-me aos aposentos. Subí as escadas antegozando as delícias de um bom banho (coisa que não praticava há cerca de três meses) e um sono “diréto” de umas 24 horas. Entretanto, no quarto, nenhuma cama, nenhum lençól, nenhum travesseiro. Quatro “camas de campanha”, que deveriam ser utilizadas com as mantas que nos ordenaram levar!

Quem primeiro “pagou o pato” foi o italiano, que sofreu tamanho safanão, a ponto de cair no corredor. Depois sai enfurecido.

Pensei em “conversar” alguma família italiana, onde pudesse encontrar uma cama e um lar. Estava “estudando” a questão, andando a esmo pela rua. Movimento militar desusado. Ingleses, italianos, franceses, brasileiros e americanos, soldados canadenses , davam uma visão inusitada e inédita ao trânsito de Firenze. Seriam pouco mais de 14 horas. Entrei num bar, bebí um “bicchieri” (copo) de vinho e decidi-me pensar o que fazer, que rumo tomar, uma vez que estava decidido não voltar naquela espelunca que chamaram de Hotel Brasileiro (mantido pelo Serviço Especial da F.E.B.). foi assim, que andando a esmo, passei defronte um grande casarão, divisando numa gigantesca placa sobre o portão os dizeres: “U. S. Army – Rest Camp 44”. Com meus esparcos conhecimentos de inglês consegui traduzir o letreiro e aproximei-me de uma fila de soldados sujos e rasgados, oriundos do “front”. Entabulei conversa com um preto de Michigan e entrei na fila também.

Não sabia o que me aguardava. Tinha a certeza, entretanto, que iria “sair bem”. A “bicha” foi se escoando. Entramos numa porta e em seguida num corredor. Todos os componentes da fila iam se desfazendo, gradativamente, de todas as peças de roupa, que eram atiradas em montes distintos. No final, estávamos todos completamente nús e entramos numa área enorme, onde canos transversais, perfurados na parte inferior e colocados rente ao forro, esguichavam água abundantemente. Percebi logo tratar-se de chuveiros coletivos e entrei na água, tomando um “banho em conjunto”. Saí, acompanhando a fila, recebendo toalha. Depois, cuecas, meias, calças, camisetas e blusas, calçadas, quépis. Gostei da aventura e nem preocupei com a confusão que poderia surgir posteriormente, quando o serviço de lavanderia encontrasse, dentro das roupas usadas “made in USA”, a farda “verde oliva” nacional.

Entrei fardado de brasileiro e saí num gabardine amarelo, “fantasiado” de soldado americano. Conseguí uma cama num alojamento de 200 pessoas, próximo a um soldado americano que fôra criado no México e que dominava perfeitamente o castelhano, com o qual pude me entender e sair posteriormente a passeios.

Enquanto isso, meus companheiros pensaram nas “camas de campanha”, no “famoso” Hotel Brasileiro.

Na rua eu andava sempre temeroso de ser reconhecido por algum companheiro ou mesmo descoberto por algum americano. O “rôlo” seria certo e a “cana” inevitável. Tal não aconteceu. Passei três dias maravilhosos, conhecendo a cidade toda e visitando seus pontos turísticos, indo a cinemas e bebendo a valer.

Depois do terceiro dia, surgiu o quarto, “por conta”, uma vez que a turma do famigerado Hotel Brasileiro (consta que serviram feijão com arroz e “jabá”) fôra para seus destinos.

No quarto dia, resolvi ir embora e percebí horrorizado que não poderia apresentar-me ao meu comandante, fardado de soldado americano. Igualmente, não poderia tentar reaver minha verdadeira farda.

Estava numa sinuca dos diabos, quando surgiu um amigo do 6º R. I., que também havia “tirado um dia por conta” e tentava regressar. Por felicidade minha, o rapaz trazia “japona” (espécie de casaco) e capote. Emprestou-me o capote e tirei o gorro sem pala norte-americano ao chegar em “nossa” casa. Abraços, perguntas, e corrí logo cambiar a roupa. Poucos ficaram sabendo a “embrulhada” na ocasião. Posteriormente, o “caso” ficou conhecido de todos os colegas.

Trouxe comigo, a farda do Exército Norte Americano. Quando o então prefeito Neves de Camargo mandou um emissário (Basileu) à São Paulo e Caçapava, para reunir e trazer a turma dos expedicionários de Marília, roubaram-me o famoso “saco B”, onde guardava o uniforme “yankee” e uma infinidade de “souvenirs”...

Perdí o uniforme, mas a aventura valeu a pena.

E o mais importante: não precisei comer carne sêca...

Extraído da revista especial de Natal do Correio de Marília de dezembro de 1958 com a colaboração de Wilza Matos

sábado, 22 de dezembro de 2012

O que pensam os outros (22 de dezembro de 1973)



Do lusitano-mariliense, sr. José Mateus Carlos, um dos timoneiros do comércio de Marília, acabo de receber a seguinte missiva:

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“Acompanhando as suas crônicas a favor da construção do Palácio da Justiça, na Praça Maria Izabel, quero vir à sua presença, para comunicar-lhe, que tem de minha parte, todo o apôio.

“Quero que fique bem esclarecido, de que tenho feito parte, do “pequeno grupo de comerciantes” da Rua 9 de Julho, que não concordou com a construção do Viaduto, de forma alguma faço parte dos que possam estar contra a localização do Palácio da Justiça na praça Maria Isabel.

“Hiopoteco ao senhor, toda minha solidariedade, para que continue com suas crônicas, sempre voltadas para o progresso desta nossa querida Marília.”

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Um representante comercial, antigo mariliense, domicilizado na Rua 9 de Julho, pede-me:

- Zé, você é um lutador permanente pelas coisas da cidade. Estou acompanhando sua campanha pró candidato único e concordo com você, pois só assim teremos a chance de acabar com nossa orfandade na Assembléia. Peça ao Pedro Sola, para indicar e apoiar Armando Biava, um mariliense legítimo e estimado, com condições indiscutíveis para ser nosso deputado.

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Um outro mariliense, com mais de 40 anos de residência entre nós, morador da Rua 15 de Novembro, comentou espontaneamente sobre a referida série de meus escritos. E sugeriu:

- Temos um jovem, dinâmico, que foi verdadeira revelação da política local. Ele tem condições de ser nosso deputado. É só a Arena assim pensar e querer. Seu nome é uma bandeira de exemplos e trabalho: chama-se Walter Rino.

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Um político de expressão na cidade, comentando ontem pela manhã, o decorrer da sessão da Câmara da última quinta-feira:

- O Abdo apresentou requerimento, sobre fumaça das chaminés da Antarctica. O Nasib foi à tribuna. Falou de trânsito, do Dr. Marins, da Fepasa, da Anderson Clayton, de terrenos, falou de tudo menos do conteúdo do requerimento. Depois essa turma acha ruim, quando a outra turma, a de fóra, afirma que muitos só fazem palhaçadas.

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Não vou pormenorizar, mas dizer superficialmente, que a Antarctica está planejando um “negócio”, que vai engrandecer Marília, como nenhuma outra empresa fez até agora. Muita gente vai orgulhar-se de Marília e da Antarctica, em breve.

Se o autor do requerimento pudesse imaginar os serviços e benefícios que disso advirão para Marília, teria “metido a viola no saco”.

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Observou-me um comerciante da cidade, com respeito a última sessão camarária:

- O Homero, de uns tempos para cá, sempre na Hora do Expediente, quando está na mesa da Câmara, aprimorou-se em fazer “gracinhas” com o microfone aberto. Solta piadinhas sem sal, contribuindo para a “avacalhação” dos trabalhos. Será que ninguém disse isso ainda a ele, que tem o ideal de substituir a Pedro Sola?

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Já se contam pelo menos três nomes, dispostos a concorrer as eleições de 76, para a Prefeitura Municipal:

Domingos Alcalde, Luiz Homero Zaninoto e Remo Castelli.

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Sem necessidade para muitos, mas carecido para alguns, mais este esclarecimento:

Quem sugeriu estudos para a construção do Palácio da Justiça na Praça Maria Isabel, fui eu.

Não falei em destruição da praça, de suas árvores, de suas vegetações e de suas flores.

Os que afirmam em contrário, estão fomentando confusão.

Extraído do Correio de Marília de 22 de dezembro de 1973

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Mosaico de acontecimentos (21 de dezembro de 1973)



Gratidão do povo, manifestando-se na festa de despedida do futebolista Mané Garrincha.

Homenagem justa, traduzindo o próprio espírito do brasileiro, de ser grato e reconhecido.

Pouco enegrecida a festividade, em decorrência de um fato pretérito, quando da ocasião que o ex-craque abandonou, barganhado por Elza Soares, a própria e legítima esposa e suas oito filhas.

Um lado bom, todavia existiu no áto: a homenagem deve ter amainado um pouco, o amargor e a decepção das filhas, hoje quase todas as moças, de há muito sentido a condição de abandonadas pelo próprio genitor.

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Comércio de carne em Marília, abalado com recente portaria da Sunab, causou apreensão às famílias marilienses.

O impasse tende a canjurar-se em breve.

Em verdade, esse particular estava caminhando para um verdadeiro cáos e teria mesmo, um dia, que sofrer uma solução de continuidade.

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John Fritzgerald Kennedy, foi o primeiro cidadão católico, a ocupar a presidência dos Estados Unidos da América do Norte.

No Brasil, o general Ernesto Geisel, vai ser o primeiro cidadão de religião protestante a exercer o honroso cargo de Presidente da República.

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Solução para evitar possíveis acidentes de trânsito na “esquina dos milagres”, confluência das Ruas 9 de Julho, Vicente Ferreira e São Vicente:

- Quebra molas.

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Semáforos na vizinha cidade de Garça, são modernos e funcionais e permanecem ligados vinte e quatro horas por dia.

Em Marília, desligam-se durante à noite permanecendo somente a cor de ictirícia.

O volume e a intensidade de trânsito entre as duas cidades não tem paralelo comparativo.

Dedução: será que os de Marília se desligam a noite por medida de economia?

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Mais um ano findando.

73 foi bom para uns, não “correu” bem para outros.

Que 74 traga consigo os augúrios de um ano venturoso para todos.

Que os homens, especialmente os dirigentes, mais se respeitem entre sí, despindo-se da potência e da ambição para o conjuramento das guerras entre os próprios homens.

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MAC em recesso, como os demais clubes que integram o Paulistinha.

Lembrete:

Bom seria que os treinamentos se reiniciassem em tempo hábil, isto é, com alguns dias de antecedência, afim de evitar-se que os craques, física e moralmente, tenham condições de adentrar a fase final do certame, com disposição e muita “gana” de classificar o alvi-celeste.

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Natal está ai.

Com falta de carne, com suinos e aves a preços que se proibem às famílias pobres.

Não é novidade, pois isso é apenas uma repetição dos fatos.

Extraído do Correio de Marília de 21 de dezembro de 1973

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Coisas estas (20 de dezembro de 1973)



A precipitação é sempre inconsequente.

É o fruto do distanciamento da análise e do conheciments dos fatos.

Tem gente, combatendo a “destruição” do jardim da Praça Maria Isabel.

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Essa gente viu “burro branco”.

Ninguém, que eu saiba, pensou em “destruir” ou “acabar” com o referido próprio da municipalidade.

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A sugestão de utilizar uma parte da grande e bonita praça, para dotar Marília de um grande melhoramento, como é o necessário Palácio da Justiça, sem desmantelar a sua totalidade, não é nem tentativa de “acabar” ou “destruir”.

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Tem gente, combatendo uma idéia fantasma, que essa própria gente criou de modo azoinado.

Inverteram, perverteram, subverteram, criando, imaginando, intentando, gerando uma utopia, pintando um quadro inexistente.

Bah!

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Preconizei, à guisa de subsídio de colaboração, a utilização de uma parte do jardim, para edificação do Palácio da Justiça.

Na ocasião, frizei bem, que o jardim, embora pouco diminuido em sua grande área, seria conservado. Que, ao enves de representar apenas uma praça deserta de marilienses, se constituiria num ornamento inimitável de um prédio público, à altura do progresso mariliense.

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A idéia, por quem capaz é de analisá-la, foi considerada excelente. Juizes, promotores de Justiça e cartorários, assim pensaram.

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Acatável e digna de estudos, entendeu-a o senhor prefeito. Viável, acharam-na alguns vereadores.

Representará uma economia para o erário público. Significará mais um embelezamento da parte baixa da cidade, uma maior valorização da própria praça. Um jogo arquitetônico moderno, a emoldurar a beleza da majestosa Catedral de São Bento.

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Ninguém falou em “destruir”, em “acabar” com o jardim e nem “estinguir” a vegetação, as árvores e as flores.

Nem a fonte sonoro-luminosa.

Nem os sanitários fedorentos da praça.

Nem siquer falou-se no alijamento de marginais e mulheres de vida irregular que frequentam aquele próprio.

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Os que combatem a “idéia fantasma” por eles próprios criada, além de inverterem os fatos, destorcerem a verdade, pretenderam atribuir-me uma idéia que jamais partir de mim.

O que se fala pelos microfones, o que se diz à boca pequena nas ruas, nos bares, nos clubes, na sociedade e nos campos de futebol, o vento leva, o tempo apaga.

O que se escreve em letra de forma e se publica por um jornal sério, o tempo não destrói.

Para quem quizer, as coleções do CORREIO DE MARILIA ficam à disposição, a fim de que constatem, que eu, autor da idéia, JAMAIS pensei, pretendi, preconizei, defendi ou sugeri que se “destruisse” ou se “acabasse” com a praça, com suas árvores, com suas flores e vegetações.

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Os que lutam contra a intenção de auxiliar o progresso mariliense, sob um falso pretexto de atribuir mentiras a qem não as assacou, formando uma trincheira de embuster que eles mesmo forjaram, por certo e plausivelmente, estariam a aumentar o número dos maus marilienses aquele número que desprestigiou o ex-prefeito Tatá, que mandou às favas um favor Governamental, que lutou contra o Viaduto e consequentemente contra o porvir e o progresso da cidade!

Extraído do Correio de Marília de 20 de dezembro de 1973

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Cada cabeça, uma sentença (19 de dezembro de 1973)



Há tempos, sugeri via este diário, a possibilidade de estudos, com a finalidade de concluir, da viabilidade ou não, de construir-se o novo Edifício do Forum de Marília, em parte da área onde existe hoje, o jardim da Praça Maria Izabel.

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A idéia, segundo me constou dias após, teve boa repercussão e até acatamento, por parte de magistrados, promotores e cartorários marilienses.

O prefeito achou-a ótima.

O mesmo, alguns vereadores.

E muitos advogados.

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Recebi uma carta sobre o assunto.

Carta contendo assinatura, endereço e até  R. G..

Por estar tão amplamente identificada, suspeitei de sua autenticidade e percebi na assinatura, um manuscrito não natural, mas sim compulsado.

O missivista protestou (direito que lhe assiste) contra a idéia.

Mas foi infeliz, pois mostrou-se ignorante quanto ao meu ponto de vista. Ou então, mal intencionado.

Eu não pretendi e num sugeri, a destruição da praça e nem a devastação da área verde.

Cogitei no escrito (direito que também me assiste e que faz parte de meu trabalho profissional), a edificação em parte da praça. Frizei, muito bem, que se não tratava na idéia, de “acabar” com o jardim.

Portanto, sem procedência fica, a carta recebida, porque misturou batatinhas com cebolas.

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A área é grande. No caso, deixará de existir o trecho da rua Sergipe, entre as avenidas Nelson Spielmann e Pedro de Toledo.

A praça, em sua parte maior, continuará e poderá ser inclusive mais modernizada. O prédio, suntuoso, representará uma obra de vulto arquitetônico, ao lado da majestosa Catedral, dando um valor maior, ao local propriamente dito e ao patrimônio residencial particular daquela parte baixa da cidade.

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O jardim, de um quarteirão inteiro, mesmo dispondo de fonte sonora-luminosa, não vem atendendo as suas finalidades.

Todos sabem disso.

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E não será destruido, pois eu não falei em tal e nem tal assunto passou-me pela cabeça, embora tenha habitado o bestunto de alguns precipitados, dentre outros o missivista referido.

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Foi uma sugestão bem intencionada. E bem mariliense. Como dezenas de outras que aquí apresentei, durante 28 anos de lides jornalísticas. Muitas delas, idéias anteriores por mim lançadas, hoje são realidades do progresso mariliense.

Por questão de modéstia, deixo de citar algumas ou muitas.

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Os que se manifestaram contrários, combatendo tão somente, quiçá não tenham ainda, dado seu quinhão de colaboração a Marília.

Tentaram meter os pés pelas mãos, com desejo de aparecer ou confundir. Ouviram cantar a galinha, sem saber onde.

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Sugeri a construção na parte central ou no trecho da rua referida. Não disse da destruição do jardim e sim da ocupação de uma pequena parte, que em nada lhe prejudicaria a beleza e a estética e também não obstruiria e nem impediria suas funções precípuas.

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O jardim de Maria Izabel, não está cumprindo suas finalidades. Ali já se constituiu um local de marginais, desocupados e mulheres de vida irregular.

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Na viabilidade de realização da idéia, o jardim continuará. Sendo mais bonito, mais moderno, ornamentando um prédio que representará orgulho patrimonial e arquitetônico daquela parte da cidade.

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Uma coisa tenho quase certeza:

Os que deram contra, possivelmente não se atrevem a levar as esposas e filhas, para passar horas naquele local.

Por que, então, essa falsa defesa e essa tendênciosa  interpretação, da realidade do que exteriorizei?

Extraído do Correio de Marília de 19 de dezembro de 1973

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Cavalo pastador, cabresto curto (18 de dezembro de 1973)



É verdade.

Para cavalo pastador, cabresto curto.

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Por falta de melhor assimilação, talvez. Ou por excesso de personalismo, quiçá. Ou por vaidosismo. Ou por prestenção. Ou por conveniências próprias. Ou por convencimento.

O certo é que algumas diretrizes políticas, da própria política norteada pelo zênite discriminativo e objetivo da Revolução de 64, estão arrepiando e provocando o divorciamento dessas mesmas normas.

Nesta comparação, não há o dedo da subvenção de interesses exóticos, mas sim uma consequência outra, tentando transformar em bagunça e descrédito, os princípios sadios do próprio espírito revolucionário.

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A desarmonia política atual, vem encetando uma caminhada não condizente com seus intentos e alvos. Se não constata, a necessári coesão doutrinária que deveria existir. Em contrário, há mais um fraccionamento flagrante de pontos de vista e rumos em colimação a seguir.

Esse fato, traduz a inexistência de um pulso firme e a ausência de timão diretor perfeitamente ajustado, à cujo derredor venham a cingir-se, uma e indistintamente, os membros partidarios.

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Em Marília, por exemplo, esse fenomeno tem lugar, esse estado de coisas existe. Há quem o negue ou quem procure negá-lo.

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Paradoxalmente, no ido tempo do PSP, PSD, PTB, PTN, UDN, PRP e tantos outros partidos políticos, as contendas partidárias tinham um volume mais acenturado, porém mais claro e palpável.

Hoje, com apenas duas facções doutrinárias, subdivididas eleitoralmente em duas, no máximo três legendas, a confusão tem mais raizes. Os desentendimentos são mais congênitos. Os sintomas são mais reais. A auto-personalização mais intensificada.

Há mais imprudência, há mais individualismo, há mais defesa de interesses de estômado e mais desentendimento entre as hostes políticas.

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Isso vale dizer, o clima de desarmonia, por esses e outros fatores, chega a minar o dique da coerência e até da fidelidade partidária.

Em alguns casos verifica-se nos meios da política atual, a sistemática da terra dos lagartos: o mais sagaz tenta comer a cauda dos mais lerdos e mais tolos, dos menos avisados.

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Para o cidadão comum essas observações inexistentem, ou são ignoradas.

E, aí, entao, vem residir a consequência do mal: exatamente onde é urgente, é reclamado, é clamado, é chamado, que é Marilia.

Marília em todos os seus termos.

Em todos os ângulos, sob todos os prismas, em todas as condições.

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Se, em contrário à essa desarmonia perfeitamente latente e articulada, figurasse como denominador comum, tudo em têrmos de Marília, por certo as forças políticas e doutrinárias da cidade, teriam já (sempre em termos de Marília), logrado encontrar a fórmula da apresentação, indicação, homologação, trabalho e indicação de um candidato único à deputação estadual por nossa cidade.

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Há cavalos pastando longe, porque os cabos do cabresto são compridos.

Para cavalo pastador, cabresto curto.

Extraído do Correio de Marília de 18 de dezembro de 1973

sábado, 15 de dezembro de 2012

Falta-nos liderança (15 de dezembro de 1973)



Respeito muito meu amigo Sebastião Mônaco.

Considero-o um moço distintíssimo, sensível, acessível, inteligente e de fino e fácil trato.

Conheci-o pela vez primeira, em fins de 1945, ao final da II Grande Guerra Mundial. Mônaco tinha seu escritório na rua São Luiz. Um de meus manos estudava contabilidade e trabalhava com Mônaco e foi por intermédio dele que conheci o advogado-contabilista.

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Mais tarde, Mônaco transferiu o escritório para rua Prudente de Moraes. Alí, passei a ter maiores contactos com Mônaco, inclusive prestando-lhe esporadicamente alguns serviços relacionados com a profissão.

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Mônaco vereador, foi um legislador e político de alto gabarito. Seus requerimentos, indicações e projetos de lei, sempre foram ricamente fundamentados em fatos e razões. Sua voz só se fazia ouvir na Câmara, para a emissão de conceitos razoáveis, com profundo conhecimento de causas.

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Juntamente com Sebastião Mônaco, participei da luta de então, pró criação e instalação de uma Faculdade de Filosofia em Marília. Eu atrav´s das colunas do jornal e ele via tribuna da Câmara.

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Numa dessas viagens à São Paulo, Mônaco chefiou uma caravana de estudantes. Jânio era prefeito e Garcez Governador do Estado. Visitamos o governador e a Assembléia e por uma razao de viagem do prefeito paulistano, Mônaco e eu tivemos que arcar, de nossos próprios bolsos, com despesas de alimentação e transporte de grande parte dos caravanistas.

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Mônaco é um cidadão insuspeito.

Um mariliense e um idealista.

Póde, inclusive, ser um futuro deputado mariliense.

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Com o advenáto da Revolução de 64 e a discriminação dos partidos políticos em duas facções, Rangel passou a liderar a Arena local. Depois de Rangel, Nelson Cabrini. Mais tarde e até aqui, Sebastião Mônaco.

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Mônaco é “bom demais” para liderar e sua bondade e finíssimo trato, alijam por vêzes, a austeridade que em muitas ocasiões se faz necessária.

Falta hegemonia dentro do próprio partido, embora isto seja negado. O fracasso de reuniões é uma prova. A independência de seguimento de normas unas pelos vereadores arenistas, é outra. A oposição da situação, à própria situação, outra é.

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Marília está na contigência de não eleger nenhum deputado estadual.

Isto vale dizer, que a cidade perderá muito. Isto representa que o final do governo Pedro Sola e o início de seu sucessor, terão dificuldades, por falta de um “procurador” nas hostes administrativas do Estado.

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Fernando Mauro foi de fato um líder político.

Para isso, era “raçudo”, embora intempestivo e temperamental. Mas liderava.

Aniz Badra foi outro líder. Este, mais habilidoso, mais diplomata. Com a credencial de timoneiro da luta municipalista, era um líder também.

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Falta a Mônaco, o dom de exigir mais. De impor mais. Politicamente falando. Política é uma arte mas entre muitos brasileiros é uma artimanha.

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Sebastião Mônaco deve fazer valer a sua autoridade de líder político. As diretrizes arenistas são claras e objetivas. Não há razões para disvirtuamento ou arrepio das mesmas.

Especialmente agora, quando a situação reclama que se fale mais alto em têrmos de Marília.

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No baile todos devem dançar o mesmo rítm. Esse negócio da orquestra tocar um samba e um par dançar valsa e outro bolero, acaba fazendo com que os assistentes não fiquem entendendo nada…

Extraído do Correio de Marília de 15 de dezembro de 1973

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Matemática elementar (14 de dezembro de 1973)



O protelamento, a delonga e o adiamento, regra geral, terminam quase sempre, no casamento inevitável, com a pressa e a improvisação.

O nacional, além de primar e aprimorar a impontualidade, tem por vício lançar a bola para a frente, sem preocupar-se com a passagem do tempo e dos dias.

Quando percebe, então, que está fumando o fumo forte, enrolado em palha verde, sai da jogada, fazendo o mais cômodo do momento: simplesmente descalça a bota.

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O cigarro de fumo forte, enrolado em palha verde, já passou do meio para o fim. Começa a tontear e amargar, acumulando o sarro e juntando a saliva nauseabunda na boca.

Mas o comodismo, a modorra, a pusilanimidade, a falta da iniciativa, a ausência de liderança e hegemonia, continuam imperando, sobrepondo-se ao amargor do cigarro. E então, vai-se fumando assim mesmo. Até quando não mais jeito houver.

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A tiririca da política caça-votos está crescendo.

Lambe-solas de gente exótica estão agindo.

Se apologia se não faz, pelo menos nada se oculta do que se deveria fazer e não vem sendo feito. Ainda está valendo a bandeira velha e desbotada, do deixa ficar como está, para ver como fica.

Na política local, sim.

Melhor dizendo, na faixa relacionada com a necessidade de coesão de forças, para a indicação, homologação e lançamento de um candidato único à deputação estadual.

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Há uma espécie de masoquismo político entre os marilienses. Um hábito que já calejou e confirmou. Que, de certa forma, atesta até uma boa dose de desinteresse pelas coisas e causas da cidade, tradicionalmente resignada com sua orfandade política na Assembléia Legislativa.

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Não é necessário ter o falso dom de uma “buena dicha”, para saber-se de que, Marília, participando com mais de um candidato ao Palácio 9 de Julho, acabará por não eleger nenhum.

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A matemática é meramente elementar.

Tão fácil como o comer um prato de arroz-com-feijão.

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Em números redondos, convenhamos que o coeficiente eleitoral de Marília é de 40.000 eleitores.

Desses 40.000, poderão comparecer às urnas, no máximo, 30.000.

Vamos calcular:

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Com otimismo, suponhamos que 50% do eleitorado, vote em candidatos locais. 50% de 30.000 é 15.000.

Esses quinze mil votos, distribuidos entre mais de um elemento, vale dizer que diminuirá a votação “per capita”.

Dos 30 mil votantes, dez por cento normalmente representa votos nulos e em branco. São menos de 3.000 dos 30.000.

Sem dúvida alguma, os outros 12.000 votos, representarão 40% da votação global da cidade. Estes serão bondosamente distribuidos entre os Dualibis, Pinheiros, Agnaldos, Dabus, etc. e tal.

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O candidato mariliense que não conseguir 25.000 votos, não terá sua eleição garantida.

Eu não acredito que com mais de um, algum deles consiga essa cifra.

Tomara que esteja equivocado.

Tomara.

Extraído do Correio de Marília de 14 de dezembro de 1973

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Pilulas políticas (13 de dezembro de 1973)



Um ilustre advogado mariliense, em palestra casual e amistosa com o escriba:

- Badra poderá ser o nosso candidato à deputado estadual. Ele aceitará se for convidado.

Disse-o pessoalmente a mim.

Arrematou:

- Se Biava não se interessa, Badra poderá ser o homem. Seu lastro de serviços por Marília é positivo, comprovado, insuspeito e irreversível.

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Um elemento pertencente a laboriosa colônia niponica de nossa cidade, confessou-se descontente com o trabalho legislador de Diogo Nomura. Admirador (confessou-o) da pessoa ilustre do ex-dentista mariliense, acabo sentindo decepção na eleição de Diogo, no que respeito diz, às causas marilienses.

Foi mais além, afirmando que no seu entender Diogo Nomura fez decrescer muito seu poderio eleioral em nossa cidade.

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Outro leitor, palestrando sobre nossa atual Câmara Municipal, rememorou Pedro Onichi como ex-vereador. De fato, Onichi foi um dos excelentes vereadores marilienses. Sóbrio, ponderado, trabalhador, apesar de dificuldades de pronúncia castiça do vernáculo pátrio, em suas falas na tribuna, só apresentou e emitiu opiniões fundamentadas.

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Continuo afirmando, sem receio de erro, que se Doretto pudesse ser lançado candidato à deputado pela Arena, sua eleição seria “barbada”, um macuco no bornal.

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A indecisão doutrinária mariliense, a ausência de uma decisão firme e capaz, na escolha, indicação, oficialização e homologação de um candidato único da cidade, vai cimentando cada vez mais a certeza de que Marília não irá eleger seu representante.

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O referido estado de coisas, involuntariamente, vai fortalecendo o colegiado eleitoral dos alienigenas.

Gente de proa da cidade, já confessou-me que votará e trabalhará por Dabus.

Isso, é apenas um exemplo.

Porque, Dabus, Dualibi, Agnaldo, Pinheiro e outros, já tem seus cabos eleitorais por aqui.

Até um ex-prefeito e um vereador em exercício, já trabalham por gente de fóra.

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Franciscato, como candidato à deputado federal, vai levar uma “jamanta” de votos marilienses.

Podem escrever.

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Ainda bem, que o Ressegue ainda não mandou trombetear, que vai instalar uma grande fiação de seda em Marília.

No passado, o expediente deu certo.

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Estão interpretando mal, uma lei recentemente votada pela Câmara. Pelo diploma legal, uma comissão de alto gabarito, vai selecionar e escolher radialistas e jornalistas que mais se destacaram, durante o ano, promovendo e divulgando Marília.

Tem gente entendendo, que a Câmara vai distribuir troféus para os profissionais de rádio e imprensa que trabalham na edilidade.

O conteúdo da lei não é esse.

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Um leitor lembra a viabilidade de Walter Rino vir a harmonizar a política local, sendo, candidato único de Marília.

Excelente idéia.

Rino, Nomura e Rangel, foram as três mais gratas revelações da política jovem de nossa Câmara Municipal.

Extraído do Correio de Marília de 13 de dezembro de 1973

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Coisa útil, sempre imprestável (12 de dezembro de 1973)



Certa feita, a então Diretoria Estadual de Transito (hoje Detran), enviou para Marília, um semáforo. Foi o primeiro da cidade. Foi instalado no centro da Avenida, na confluência da Rua 9 de Julho.

Antigo, obsoleto, ultrapassado e completamente “podre”.

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Mais tarde, os marilienses Osmar (eletricista da Prefeitura) e Graciano (então Guarda-Civil), com poucos recursos, sem verbas competentes mas com muita vontade, “fabricaram” os primeiros semáforos da cidade.

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Técnicos do Detran estiveram em Marília. Estudaram e projetaram uma sinalização moderna e uma metamorfose do transito urbano mariliense.

Tudo ficou no tinteiro.

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No tempo do Tatá, instalaram um semáforo na Av. Saudade, final da Av. Rio Branco. Antes do funcionamento inicial, um carro deu uma “cacetada” no mesmo, inutilizando-o completamente.

Isso aí, “era uma vez…”.

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O “Correio” clamou muito no passado, pela instalação de dois semáforos na Rua Paraná: no cruzamento da Avenida Sampaio Vidal e outro na confluência da Avenida Pedro de Toledo.

Foram instalados e aos mesmos pode-se creditar o evitamento de muitos acidentes.

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Hoje o da Paraná-Pedro de Toledo não funciona. Um veículo deu-lhe uma “cacetada”, destruindo o poste esquinado que o sustentava. E ficou por isso mesmo.

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O da Avenida Paraná, nas manhãs de domingo, é “amarelado” por ocasião do funcionamento da feira. Quando a feira termina e o transito volta a ser liberado, esquecem-se as autoridades de trânsito fazê-lo retornar ao funcionamento normal. E o “danado fica amarelo”, até a madrugada da segunda-feira, de maneira inesplícavel.

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Na Avenida Rio Branco com a Santo Antonio, o semáforo sofre permanentemente de impaludismo: está sempre “amarelo”. Dai resulta a confusão. Mororista que segue, que cruza ou que pretende entrar ou sair da Sto. Antonio, fica em dúvida. E os outros, também. Uma indecisão, quando os motoristas são responsaveis ou delicados, um permitindo que o outro passe, mas quando são irresponsáveis, colocam em perigo a vida dos semelhantes.

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O da Nelson Spielman-9 de Julho, enguiça mais do que “Ramona/28”. É um eterno “cansado”: trabalha um dia e “descansa” uma semana.

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O da Carlos Gomes-9 de Julho, embora menos “cansado” do que o seu congênere, também em questão de funcionamento efetivo, não passa de uma “porcaria”.

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Semáforo é um apetrecho norteador, orientador, regulador e disciplinador do trânsito. Especialmente em Marília, onde muitos motoristas “bicões” confundem mais ainda o movimentado trânsito citadino.

Por essa razão, os semáforos devem funcionar à contento.

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Baurú é uma cidade bem sinalizada nesse particular.

Até Garça e Assis, cidades menores.

Em Garça, os semáforos não são “amarelos” por volta das 23 horas, como aqui acontece. Lá eles funcionam diuturnamente. O mesmo em Baurú, em Assis, em todas as cidades.

Menos em Marilia.

Será que as outras cidades estão erradas e Marília é a única que está certa?

Extraído do Correio de Marília de 12 de dezembro de 1973

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Candidatos, outros (11 de dezembro de 1973)



Não procede, o pensamento generalizado ou o entender isolado, de que em Marília não existam pessoas, reunidoras das capacidades totais, para o desempenho do cargo e do encargo de um lídimo deputado de nossa cidade.

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Arduino Luiz Dal Pian, é um deles.

Mas existem outros.

Por exemplo:

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O mariliense José Bernardino Scarabôtolo.

Advogado, professor, honesto, honrrado, probo, integro, de lhano trato, de conduta insuspeitíssima.

Jovem, dinâmico, mariliense nato.

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José Lorenzetti. Uma inteligência, oculta pela simplicidade. Industrial de larga visão. Mariliense por adoção. Homem conhecido, respeitado e estimado. Digno e competente. Detentor de comprovado amor pelas causas marilienses.

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Sebastião Mônaco, mariliense antigo. Um dos primeiros contadores da cidade. Advogado. Presidente do Diretório Municipal da Arena. Ex-vereador, que foi objetivo, trabalhando sem demagogia. Simples, humano, sensível. Mariliense autêntico. Cidadão de caráter digno e insuspeito.

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Remo Castelli. Trabalhador de ampla visão. Construiu, com um idealismo extraordinário, um grande patrimônio mariliense, que é a sede campestre do Clube dos Bancários de Marília. Probo, competente, honrado.

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Comendador Christiano Altenfelder Silva. Médico, proprietário, conhecedor do metiê da política estadual. Fazendeiro em nosso município. Cidadão mariliense, um dos mais beneméritos de Maríolia. Construiu para a cidade, dentre outros monumentos, a Escola de Enfermagem, o Pavilhão Infantil da Sta. Casa, a Igreja de Santa Izabel. Tem em nossa Faculdade de Medicina, a menina de seus olhos.

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Aniz Badra, mariliense autêntico. Ex-advogado do Estado, ex-deputado federal, líder paulista do municipalismo. Ex-vereador e ex-presidente de nossa Câmara Municipal. Honesto, nunca tendo participado de falcatruas ou imoralidades como político de escol que é, cujo nome já é um passaporte. Hoje, chefe do Escritório do Governo do Estado de São Paulo em Brasília, mas sempre mariliense.

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Antonio Cardoso, mariliense por adoção desde tenra infância. Detentor de cultura e inteligência apesar da aparente simplicidade. Advogado respeitado pela capacidade profissional. Apolítico, probo, honesto acima de qualquer suspeita.

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José Roberto Ramos Novaes. Mariliense genuino. Industrial de visão. Delegado do Centro das Industrias do Estado de São Paulo. Dinâmico. Honesto. Trabalhador. Jovem e entusiasta.

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Mas existem outros, muitos outros.

Capazes, honestos, dignos, honrados, amigos e amantes de Marília.

Essa é a condição “sine qua non” que os dirigentes políticos e o eleitorado consciente devem observar: a eleição de um mariliense autêntico, bem intencionado, bem intencionado, que não seja político profissional, que tenha amor por Marília, pois que, como nosso representante, será o legítimo procurador dos anseios, das causas, das coisas, das reivindicações marilienses. O representante com poderes amplos e ilimitados para defender Marília.

Chega, portanto, de falsos profetas, de falsos salvadores da cidade.

Vamos eleger um representante nosso, legítimamente nosso. Ao qual confiemos sem pejo e com orgulho e do qual não venhamos a sentir vergonha!

Extraído do Correio de Marília de 11 de dezembro de 1973

sábado, 8 de dezembro de 2012

O candidato impacto (8 de dezembro de 1973)



Não é um sintoma.

É o fruto, a consciência, a decorrência, o resultado.

Teria que ser mesmo assim.

Em 1947, levantei pela primeira vez na história de Marília, a campanha pró eleição de um deputado mariliense. Antes da coesão, compreensão, união, assimilação, aceitação, acatamento ou acolhimento da Câmara Municipal. E das forças vivas de Marília. E das forças políticas.

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Fernando Mauro, Diogo Nomura, Aniz Badra.

Foram deputados marilienses.

Quiça, de meu ideal, tinha sido acionada alguma pequena parcela de contribuição para isso.

Se, de minha despretenciosa colaboração, algo de positivo reundou, feliz me considero.

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Anos passando.

Eu continuando na mesma trincheira, batendo no mesmo prego: candidatos marilienses. Clarinando o eleitorado, qual o corneteiro do quartel, que faz soar o toque da alvorada do novo dia. Alertando para que se vote em gente nossa, para que se não vote em forasteiros, aventureiros, alienigenas, falsos amigos da cidade.

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Comecei cedo a trabalhar na campanha que avizinha.

Desta vez, batendo-me pela indicação de um candidato único, como única forma e momento uno da conjuração de nossa orfandade política no Palácio 9 de Julho.

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Há uma atmosfera de confusão, de incerteza, de insegurança, de inliderança.

Nem o pretendido único, nem muitos.

O que vale dizer, não iremos eleger ninguém, mas força do eleitorado irá contribuir para eleger gentes de fóra.

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Continuo fiel e coerente ao meu ponto de vista a indicação, homologação e votação em torno de um só nome. De um só mariliense.

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Posição definida, terreno tomado, trincheira estabelecida.

Plano sólido, pensamento idem, ideal mariliense ibidem.

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Instam-me os leitores.

Assediam-se populares.

Sondam-me políticos.

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Instação, assédio e sondagem, rodeiam, abordam, ricocheteiam, voltando a um mesmo ponto: desejam saber qual o “meu” candidato.

O “meu” candidato será o candidato único de Marília.

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O caudaloso e confuso rio da política mariliense tem uma profundidade insondável. Nasib, auto-candidata-se. Sola quer Olímpio. Nadyr pretende ser. O mesmo com Orlando. Felipe não quer. Venâncio não aceita. Doretto poderá ser. Quico não fala, mas aceitaria.

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Eu vou apresentar um candidato.

O candidato impacto.

Um homem.

Um mariliense.

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Que ninguém poderá botar defeito.

Porque é honesto. Trabalhador. Competente. Simples. Idôneo. Capaz. Apolítico. Idealista. Mariliense. Insuspeito. De caráter inatingível. De vida escorreita. Chefe de família exemplar. Digno sobre todos os pontos e sentidos. Um poço de bons exemplos.

Poderá ser o oasis da salvação e da harmonização da política mariliense.

Poderá ser o candidato único de Marília.

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Indico às forças políticas de nossa cidade, pelo bem de Marília, pelo futuro de nossa cidade, pela coerência ao meu ideal e pelo amor à cidade, que adotei como minha, o nome honrado, insuspeito e digno, do ilustre mariliense Sr. Arduino Luis Dal Pian.

É o candidato impacto.

Extraído do Correio de Marília de 8 de dezembro de 1973

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Viagem aos Pampas (VII) (7 de dezembro de 1973)



Garças alvas, despreocupadas, povoam as pastagens sulinas, sarapintandp as côres dos rebanhos vacuns.

Os gaúchos gostam de ser tradicionais e conservadores. Mesmo as placas de sinalização da “Free Way”, ao indicarem e identificarem rios e pontes, não mencionam “raios” nem “corregos”, nem “ribeirões”. Anunciam o vocábulo “arroio”, em vez de “rio”.

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Antes da chegada à Porto Alegre, tomamos rumo à direita, para economizar percurso. Passando por localidades como Esteio, Sapucaia, São Leopoldo e outras, chegamos ao anoitecer a Novo Hamburgo.

Novo Hamburgo é capital do calçado. Ali existem 13 curtumes e mais de 50 fábricas de calçados. Mas os preços em lojas de varejo, de calçados masculinos ou femininos, não oferecem muitas vantagens aos consumidores, pois equiparam-se mais ou menos aos de Marília.

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Costumes diferentes, lá e aqui.

Em Novo Hamburgo, o comércio estava anunciando “melancias de Marília” e os novohamburguenses acreditam que Marília é a “capital da melancia”.

Lá vi caminhões Scânia importados da Suécia e Mercedes Benz fabricados na Alemanha e importados pela Argentina e Uruguai. São diferentes dos nossos. O Scânia, por exemplo, é menor, com cabine de frente quadrada e motor externamente oculto. O Mercedes possui um dispositivo na parte trazeira e exterior da cabine, que após uma fácil manobra, faz “arregaçar” a cabine e assentos para a frente, pondo a descoberto o motor todo, para trabalhar mecânicos, com uma facilidade extraordinária.

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Nos bares, à guisa de aperitivo, os ovos cozidos são de apresentação diferente. São descascados (inteiros) e submersos em água, vinagre, sal e pimenta e conservados em vidros de boca larga sobre balcões.

O gaúcho não fala “canela em pó” e sim “canela moida”. Pimenta do reino é “pimenta preta”. Quem pede carona é “caroneiro”. Carroceria de caminhão é “caixa”.

Poncan lá e “bergamota”.

Nosso “arroz à caipira” para os gaúchos é “galinhada”.

Apesar da proibição policial, o jogo-do-bicho tem difusão no Rio Grande do Sul. Pelo menos percebi isso. E os “bichos” desse jogo gaúcho, são diferentes. Lá “da” pomba, tatú, rato, etc!

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Na manhã de sábado, dia 17.11, após o motorista concluir todos os seus deveres em Novo Hamburgo, deslocamo-nos para Porto Alegre.

A capital gaúcha é grande e bonita, de muito trânsito, com um gigantesco viaduto, algo confuso até, que distribui o trânsito para o centro, para outros pontos sulinos e para a cidade de Guaiba.

Em Porto Alegre e nas cidades vizinhas, inclusive nos postos de gasolina, a gente ouve quase que ininterruptamente, as emissoras de rádio divulgando as músicas de Teixeirinha.

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Muitas outras observações foram por mim feitas, nessa viagem. Ocorre que a série de sete publicações deve ser suficiente e ter dado uma noção dessas paragens, especialmente para os leitores que não conhecem o sul.

O jornal exige que o profissionao assuma outras posições, focalize outros assuntos, principalmente os mais palpitantes e mais momentâneos.

Por essa razão, a “Antena” finaliza com este escrito, este rosário de motivações e observações sobre essa viagem aos pampas.

Para os que não apreciaram os referidos escritos, minhas desculpas. Para os qe gostaram de lê-los, meus agradecimentos.

Extraído do Correio de Marília de 7 de dezembro de 1973

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Viagem aos Pampas (VI) (6 de dezembro de 1973)



Em Santa Catarina, existe uma cidade, que tem também o nome de Araçatuba.

Laguna, histórica cidade catarinense, mantém uma tradição centenária. Suas ruas e prédios citadinos, apresentam um aspecto semelhante à diversas cidades paulistas, localizadas na Central do Brasil, como Capapava, Mogi das Cruzes, etc..

A pesca marítima ocupa lugar de destaque em Laguna, estando em construção, inclusive, um Porto Pesqueiro de âmbito federal.

À margem da rodovia BR-101, crianças, homens e mulheres, apregoam a venda de camarões, ostras, siris, lagostas e mariscos.

A cidade é retirada da margem da rodovia alguns quilometros. O acesso à Laguna é feito através de um distrito lagunense (mais ou menos como Nóbrega), que tem o curioso nome de “Cabeçuda”.

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No sul de Santa Catarina, já próximo ao Rio Grande, existe um município com o nome de Sombrio.

O atrativo mais importante de Sombrio, são as Furnas.

Essas furnas merecem a atenção e a curiosidade. Ali está o mistério da natureza. Em milenares rochas, as ondas do mar abriram uma gigantesca cratera. Muitos milênios de anos devem ter transcorrido, para o corroição das rochas pelas águas marítimas. Um bar e restaurante foi erguido junto as pedras, existindo rochas naturais em seu interior, provando um gosto e capricho inusitado e um arrojo da própria engenharia nacional.

As furnas apresentam uma temperatura fria e ali se comercia uma pomada que dizem ser natural, formada como uma espécie de limbo como de asfalto, na umidez das rochas internas e escuras. Dizem que a pomada é excelente para a pele, feridas, reumatismo, artritismo, etc. Sua composição, segundo a bula e os panfletos de propaganda, apresenta resíduos de algas marinhas, peixes, vegetais, cálcio, salitre e penicilina. Inexiste a manipulação farmacológica nessa pomada e um quadro dá conta de ter sido a mesma submetida a exame de laboratório em Georga, Estados Unidos, atestando essa composição e essa propriedade terapeutica.

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No Estado do Rio Grande do Sul, pequenas e toscas casas de madeira, margeando a rodovia, dão um aspecto diferente à região, em comparação com as habitações de Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

A região norte-riograndense é produtora de abacaxis. Mas são uns abacaxis de espécie minúscula, diferente dos de São Paulo e Minas. Pequenos, mais ou menos do tamanho de uma beringela das grandes.

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Ao atingir-se o município de Osório, RS, rumo a Porto Alegre, os veículos adentraram a famosa rodovia sulina “Free Way”. É uma auto-estrada moderníssima, de um percurso de aproximadamente cem quilometros, superior a nossa Castelo Branco. Tem três mãos de direção cada pista, sendo separadas por canteiros e gradis de duas direções. Não tem cruzamento e a velocidade mínima e de 120 quilometros horários.

Os gauchos tem orgulho inestimável dessa “Free Way”.

Em Osório existe o posto de pedágio mais moderno e atualizado do Brasil. Todo eletrônico. A entrada nos “corredores” do posto é indicada por meio de sinalização luminosa e os cálculos das tarifas são projetados eletronicamente num grande quadro.

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À margem da “Free Way”, verdadeiras planicies, o gado faz presença marcante. Rebanhos e mais rebanhos. E o curioso, é que ali não existe o capim gordura, nem o colonião, nem o pangola. São gramíneas rasteiras e baixas, que são formadas sobre terrenos alagados, permanecendo a tona da água. O gado pasta, “afundando” na água até o meio das patas ou as barrigas, parecendo ter as pernas “enterradas” na própria grama.

(continua)

Extraído do Correio de Marília de 6 de dezembro de 1973

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Viagem aos Pampas (V) (5 de dezembro de 1973)



Enquanto permanecia observando os nomes das placas dos caminhões, um gaucho de mim aproximou-se. Mediu-me dos pés à cabeça e perguntou, apontando para um “mercedão” estacionado, com placa de uma cidade de Santa Catarina: “É teu este aí?”.

Respondi que não, que o “meu” éra outro, apontando para o Scânia com placa de Marília. O gaucho encarou-me novamente e voltou a indagar: “Mas não (é) o teu este?”, reapontando o “mercedão”. Neguei novamente.

E o homem, visivelmente “bronqueado”, apontou para um letreiro na longarina trazeira do “Mercedes”, esbravejando: - “Isto é coisa que se escreve?”.

Foi aí que observei o letreiro e tive que fazer força para não rir. Na trazeira do caminhão catarinense, estava escrita a seguinte “gozação” aos gauchos: “Abre teu ôlho, tchê”.

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Às 6 horas passávamos por Joinville, cidade de 125 mil habitantes, 500 indústrias e milhares de bicicletas. A predominância da imigração alemã nota-se logo. As residências, em maioria, apresentam em seu aspecto arquitetônico, fachadas e coberturas típicas da secular engenharia alemã. A população, em maioria também, apresenta a tez alourada em geral. O sotaque de pronúncia, difere igualmente, do pessoal aqui de São Paulo e mesmo do norte paranaense.

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Embora não adentrando, deu para observar-se as alvas praias do Belneário de Camboriú, um dos pontos turísticos mais famosos de Santa Catarina. Mar verde, relativamente calmo. Hotéis e colonias de férias, muito trânsito, banhistas nas praias “desligados” de seus afazeres. Praia bonita, lembrando Guarujá.

Os catarinenses orgulham-se muito desse Balneário, que atrai gentes de todas as partes do Brasil, da Argentina e do Uruguai.

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Às 9 horas, passamos pela Capital catarinense Florianópolis. Nas imediações de Florianópolis, o veículo teve que parar forçosamente. Antes do sinal de “parada obrigatória”, percebia-se um movimento diferente à margem da rodovia e quando nos aproximamos é que vio, várias dezenas de soldados do Exército, trajados à paisana, empunhando metralhadoras. Além de asfalto, ocultos nas plantações e vegetações, lobriguei barracas militares e jipes do Exército.

Um praça, com uma metralhadora “Ina” na mão, pediu para serem abertas as duas portas do veículo, exigindo documento de identidade. Imediatamente, exibi uma cédula. O militar apanhou, olhou bem para a fóto, encarou-me, devolvendo a cédula e (talvez sem querer, fez uma continência) não examinou o documento do motorista, determinando o seguimento da viagem.

Clóvis ficou admirado do militar ter visto apenas meu documento, dispensando o dele e ter feito continência.

Expliquei ao motorista qu eu havia usado de psicologia: ao envés de exibir a cédula de identidade da polícia civil, exibi a “marca d’água” do Exército que me identifica segundo sargento da reserva.

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Em algumas paradas posteriores, tentei obter informações da razão daquele movimento de revista. Não consegui ficar sabendo as razões. De início, supuz a viabilidade de algum movimento subversivo ou algum roubo à banco. Mas nada fiquei sabendo.

(continua)

Extraído do Correio de Marília de 5 de dezembro de 1973