terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Cavalo pastador, cabresto curto (18 de dezembro de 1973)



É verdade.

Para cavalo pastador, cabresto curto.

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Por falta de melhor assimilação, talvez. Ou por excesso de personalismo, quiçá. Ou por vaidosismo. Ou por prestenção. Ou por conveniências próprias. Ou por convencimento.

O certo é que algumas diretrizes políticas, da própria política norteada pelo zênite discriminativo e objetivo da Revolução de 64, estão arrepiando e provocando o divorciamento dessas mesmas normas.

Nesta comparação, não há o dedo da subvenção de interesses exóticos, mas sim uma consequência outra, tentando transformar em bagunça e descrédito, os princípios sadios do próprio espírito revolucionário.

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A desarmonia política atual, vem encetando uma caminhada não condizente com seus intentos e alvos. Se não constata, a necessári coesão doutrinária que deveria existir. Em contrário, há mais um fraccionamento flagrante de pontos de vista e rumos em colimação a seguir.

Esse fato, traduz a inexistência de um pulso firme e a ausência de timão diretor perfeitamente ajustado, à cujo derredor venham a cingir-se, uma e indistintamente, os membros partidarios.

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Em Marília, por exemplo, esse fenomeno tem lugar, esse estado de coisas existe. Há quem o negue ou quem procure negá-lo.

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Paradoxalmente, no ido tempo do PSP, PSD, PTB, PTN, UDN, PRP e tantos outros partidos políticos, as contendas partidárias tinham um volume mais acenturado, porém mais claro e palpável.

Hoje, com apenas duas facções doutrinárias, subdivididas eleitoralmente em duas, no máximo três legendas, a confusão tem mais raizes. Os desentendimentos são mais congênitos. Os sintomas são mais reais. A auto-personalização mais intensificada.

Há mais imprudência, há mais individualismo, há mais defesa de interesses de estômado e mais desentendimento entre as hostes políticas.

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Isso vale dizer, o clima de desarmonia, por esses e outros fatores, chega a minar o dique da coerência e até da fidelidade partidária.

Em alguns casos verifica-se nos meios da política atual, a sistemática da terra dos lagartos: o mais sagaz tenta comer a cauda dos mais lerdos e mais tolos, dos menos avisados.

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Para o cidadão comum essas observações inexistentem, ou são ignoradas.

E, aí, entao, vem residir a consequência do mal: exatamente onde é urgente, é reclamado, é clamado, é chamado, que é Marilia.

Marília em todos os seus termos.

Em todos os ângulos, sob todos os prismas, em todas as condições.

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Se, em contrário à essa desarmonia perfeitamente latente e articulada, figurasse como denominador comum, tudo em têrmos de Marília, por certo as forças políticas e doutrinárias da cidade, teriam já (sempre em termos de Marília), logrado encontrar a fórmula da apresentação, indicação, homologação, trabalho e indicação de um candidato único à deputação estadual por nossa cidade.

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Há cavalos pastando longe, porque os cabos do cabresto são compridos.

Para cavalo pastador, cabresto curto.

Extraído do Correio de Marília de 18 de dezembro de 1973

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