sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Viagem aos Pampas (VII) (7 de dezembro de 1973)



Garças alvas, despreocupadas, povoam as pastagens sulinas, sarapintandp as côres dos rebanhos vacuns.

Os gaúchos gostam de ser tradicionais e conservadores. Mesmo as placas de sinalização da “Free Way”, ao indicarem e identificarem rios e pontes, não mencionam “raios” nem “corregos”, nem “ribeirões”. Anunciam o vocábulo “arroio”, em vez de “rio”.

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Antes da chegada à Porto Alegre, tomamos rumo à direita, para economizar percurso. Passando por localidades como Esteio, Sapucaia, São Leopoldo e outras, chegamos ao anoitecer a Novo Hamburgo.

Novo Hamburgo é capital do calçado. Ali existem 13 curtumes e mais de 50 fábricas de calçados. Mas os preços em lojas de varejo, de calçados masculinos ou femininos, não oferecem muitas vantagens aos consumidores, pois equiparam-se mais ou menos aos de Marília.

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Costumes diferentes, lá e aqui.

Em Novo Hamburgo, o comércio estava anunciando “melancias de Marília” e os novohamburguenses acreditam que Marília é a “capital da melancia”.

Lá vi caminhões Scânia importados da Suécia e Mercedes Benz fabricados na Alemanha e importados pela Argentina e Uruguai. São diferentes dos nossos. O Scânia, por exemplo, é menor, com cabine de frente quadrada e motor externamente oculto. O Mercedes possui um dispositivo na parte trazeira e exterior da cabine, que após uma fácil manobra, faz “arregaçar” a cabine e assentos para a frente, pondo a descoberto o motor todo, para trabalhar mecânicos, com uma facilidade extraordinária.

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Nos bares, à guisa de aperitivo, os ovos cozidos são de apresentação diferente. São descascados (inteiros) e submersos em água, vinagre, sal e pimenta e conservados em vidros de boca larga sobre balcões.

O gaúcho não fala “canela em pó” e sim “canela moida”. Pimenta do reino é “pimenta preta”. Quem pede carona é “caroneiro”. Carroceria de caminhão é “caixa”.

Poncan lá e “bergamota”.

Nosso “arroz à caipira” para os gaúchos é “galinhada”.

Apesar da proibição policial, o jogo-do-bicho tem difusão no Rio Grande do Sul. Pelo menos percebi isso. E os “bichos” desse jogo gaúcho, são diferentes. Lá “da” pomba, tatú, rato, etc!

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Na manhã de sábado, dia 17.11, após o motorista concluir todos os seus deveres em Novo Hamburgo, deslocamo-nos para Porto Alegre.

A capital gaúcha é grande e bonita, de muito trânsito, com um gigantesco viaduto, algo confuso até, que distribui o trânsito para o centro, para outros pontos sulinos e para a cidade de Guaiba.

Em Porto Alegre e nas cidades vizinhas, inclusive nos postos de gasolina, a gente ouve quase que ininterruptamente, as emissoras de rádio divulgando as músicas de Teixeirinha.

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Muitas outras observações foram por mim feitas, nessa viagem. Ocorre que a série de sete publicações deve ser suficiente e ter dado uma noção dessas paragens, especialmente para os leitores que não conhecem o sul.

O jornal exige que o profissionao assuma outras posições, focalize outros assuntos, principalmente os mais palpitantes e mais momentâneos.

Por essa razão, a “Antena” finaliza com este escrito, este rosário de motivações e observações sobre essa viagem aos pampas.

Para os que não apreciaram os referidos escritos, minhas desculpas. Para os qe gostaram de lê-los, meus agradecimentos.

Extraído do Correio de Marília de 7 de dezembro de 1973

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