domingo, 3 de fevereiro de 2013

Só dando com um gato morto… (03 de fevereiro de 1977)



Os inconformados  os que se habituaram a ganhar fácil, seja de qual jeito for, os maus brasileiros, estes murmuram, por aí, cobras e lagartos acerca da situação atual do Brasil.

Pintam quadros dos mais negros e abjetos.

E, além de tudo, justificam a “alta” do preço da gasolina.

Alta que não houve.

Mas que eles contam como favas certas, que o preço de cada litro de gasolina é de sete cruzeiros.

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Não iremos afirmar que a vida está fácil para todo mundo. Que as coisas se adquirem por preços irrisórios.

Seria insensatez.

Mas, ufanemo-nos, por viver no Brasil. Isso, sim.

Isto aqui ainda é o melhor lugar do mundo para se viver e morrer tranquilo.

Quem duvidar, que saia do país. Ou, então, que pergunte aos que conhecem plagas outras.

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País cosmopolita, que acolhe em seu seio gentes de origens diversas. Que a todos oferece oportunidades e chances de viver comodamente, na mais absoluta e ampla liberdade, quase sem restrições com as faculdades conferidas aos nacionais.

Nação que desde 1964 tem um governo duro, porém humano. Incisivo, porém justo.

Nação que surpreendeu os estudiosos, técnicos e sociólogos de todo o mundo, face seu vertiginoso crescimento, sua expansão ascensorial, seu avanço tecnológico em todos os sentidos.

E que, por circunstâncias do ônus desse crescimento vertiginoso, acabou por submergir numa autêntica crise, originária do grande consumo de petróleo e seus derivados.

E que obrigou o governo a tomar medidas consideradas drásticas, mas que, em verdade, são de certa forma amenas e que tentam evitar o fantasma do racionamento.

Gerações de hoje, nem todas, lembram das filas intermináveis geradas pela necessidade imperiosa do racionamento de antanho. Para o pão, para açúcar, para o sal de cozinha até.

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Se tais medidas que tanto se reclama hoje, tivessem sido adotadas por volta de 1971, a situação estaria hoje bem mais comoda nesse particular.

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Mas os inconformados, os eternos descontentes, os maus patriotas, os maus brasileiros, estes continuam a desgastar a honorabilidade da dignidade dos bons e bem intencionados patrícios, daqueles que pretendem acertar, pretendem encontrar caminhos certos, para soluções difíceis.

E por isso, bafejam, murmuram, chegando até ao gesto covarde de falar mal dos próprios governos.

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E com isso estão botando as manguinhas de fora dois curiosos tipos:

Um, o amante de doutrinas exóticas, que tenta se aproveitar da situação, para forçar nas mentes incautas, a idéia de que a doutrina da cortina de ferro será a indicada, porque, assim, os Montolar e os Maldonados irão perder as suas propriedades, ganhas com o suor e o resultado de trabalhos de várias décadas, em pról e favor de vagabundos que nada de útil sabem fazer.

Outro, o que vê tudo negro, com o governo ruim, com pessimismo, com a gasolina “a 7 cruzeiros”, com o Brasil à beira do cáos moral e econômico.

Existem em Marília tipos que tais.

Só dando com um gato morto nas costas desses tipos, até o gato miar…

Extraído do Correio de Marília de 03 de fevereiro de 1977

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