segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Os brutamontes do asfalto (18 de fevereiro de 1977)



O Governo pede e está a exigir: a velocidade máxima nas rodovias de todo o país é de 80 quilômetros horários – e nem um tiquinho a mais.

A medida, além de compulsar a economia do consumo de gasolina, casa-se perfeitamente bem com a providência necessária de prevenção de diminuição de acidentes automobilísticos, muitos deles fatais.

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Os policiais rodoviários estão apelando para que todos se conscientizem da realidade desses apelos.

Nem todos estão obedecendo, mesmo apesar do mar imenso de multas por infrações, que a polícia rodoviária está aplicando.

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Para nós, nacionais, tudo o que é proibido parece exercer um fascinio irresistível de desobediência.

O médico recomenda: “não beba”. Aí, dá mais vontade de beber.

O patrão pede: “não faça isso”. Então, a tentativa de contrariar ferroteia e muitos não resistem.

O Governo pede: “não corra a mais de 80 quilômetros”. Aí é que dá mais vontade de correr, aí é que mais se desobedece o Governo.

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Tem gente que faz barbaridade no volante, em termos de velocidade. Para muitos, um carro não é apenas o carro para o passeio, ou para o trabalho, ou para o simples transporte. Para muitos, um carro é apenas uma máquina para desenvolver loucas velocidades, em desrespeito a lei, a ordem, as vidas dos semelhantes e às suas próprias.

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Tem gente que tem carro pequeno e modesto e até carro velho. Mas tem gente assim, que tem consciência e responsabilidade e sabe que esses dois deveres, falam as coisas em tom alto, como devem ser ditas.

Porisso, não correm, respeitam a lei. Com isso, economizam gasolina colaboram com as autoridades e preservam as vidas – suas e dos semelhantes.

Mas essas pessoas, nas estradas, correm risco, não por elas próprias, mas sim em virtude das imprudências de terceiros.

Esses terceiros são os brutamontes de asfalto: as jamantonas e os pesados caminhões, que apelam para as “banguelas” e que conquistam os declives em velocidades espantosas, ameaçando passar por cima de pequenos veículos.

Com isso, obrigam os pequenos carros a correr para fugir ao perigo, se os acostamentos não oferecem condições para dar passagem.

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Os brutamontes do asfalto não estão nem aí e nem querem saber.

Imprimem velocidades perigosas nos banguelamentos de descidas, colocando em risco os carros pequenos que estão obedecendo a lei.

E não há quem os reprima.

Todos sabem que uma carreta, uma jamanta ou um caminhão carregado e pesado não pode ser freado repentinamente, especialmente se vir desenvolvendo velocidade superior a 100 e por vezes até 120 quilômetros.

E se os carrinhos não sairem para o acostamento ou não meterem o pé na tábua, correm o risco de serem empastelados e esmagados pelos brutamontes do asfalto.

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Se a polícia rodoviária quiser, ela “pega” dezenas de brutamontes por dia. É só circular em veículos de chapa particular, tirando os quépis para despistar. Verá quantas vezes terá que sair do asfalto ou correr para não ser “empurrado” ou “pisado” pelos brutamontes.

É fácil constatar.

Muito fácil.

E caçar as habilitações dos reincidentes.

Os abusos e os perigos estão alí, praticados pelos brutamontes do asfalto.

Mas motoristas de carros de passeio, também desrespeitam. Apenas que não ameaçam de morte tanto quanto os brutamontes.

Extraído do Correio de Marília de 18 de fevereiro de 1977

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