terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Tem dessas coisas… (15 de janeiro de 1977)



Governo tem suas razões, mas parece que não seria esta a medida exata, para a solução do angustiante problema do petróleo.

Quiçá um racionamento bem justo e equanime, pudesse surgir melhores efeitos do que esse empréstimo compulsório, que nada poderá significar para os ricos e poderosos, mas que, por outro lado, além de sacrificar os mais pobres, poderá refletir diretamente contra a maioria, que por razões óbvias, será afetada pelas altas dos sistemas de transportes.

Embora o assunto seja de suma importancia e grande responsabilidade, comportaria aquí, a piada do sertanejo, que era obrigado a fazer suas compras no único armazém que existia na região agrícola.

Sempre que ele ia adquirir um produto, o comerciante dizia que havia subido, devido a alta da gasolina.

E, cansado de ouvir sempre a mesma ladainha, um dia o caboclo “explodiu”:

- Eu num tenho tomóve, num tenho lampião à gazulina, num tenho isquêro i num bêbo gazulina… u qui é qui eu tenho cum isso?

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Transito diariamente pela Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes.

De domingo último, até quarta-feira passada, vi várias centenas de jovens, aflitos e esperançosos, participando dos vestibulares para ingressar em nossa Faculdade de Medicina.

Para muitos, o desusado movimento poderia enquadrar-se no corriqueiro e comum, em simples sabatinas escolares. Mas não foi isso.

Eu próprio, se não tivesse sentido nas carnes, o problema angustiante dessa juventude, poderia igualmente assim ter pensado.

O certo, porém, é que para os que acompanharam as horas de estudo desses jovens, o fato é e ter-se dó dos mesmos.

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Dentro de 45 dias, deverá começar a vigorar a medida legal, de compulsoriedade de empréstimo para os que irão adquirir gasolna para seus veículos.

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Presidente da Associação Médica Brasileira, Dr. Pedro Cassab, esteve recentemente em Bauru, para hipotecar solidariedade aos médicos da “cidade sem limites”, face ao impasse surgido entre a classe e a diretoria da Santa Casa bauruense.

A propósito, o assunto teve repercussão em todo o país e em certos casos, gerou até confusão. Dia destes, ao tomar um taxi em São Paulo, perguntava-me o motorista, se havia chegado a bom termo a crise dos médicos de Marília.

Poderei que não era em Marília e sim em Bauru que havia surgido tal crise. Mas o profissional contestou:

- Em Marília também… e ví na televisão. (?!)

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“Câmara premiou os “melhores da imprensa 75”. Pena que a imprensa não possa premiar os piores da Câmara em 76. O eleitorado já cuidou disso”.

Trecho, acima do JC de ontem. Gostei.

Sobre o assunto, oportunamente falarei. Estou “por dentro” e a cavaleiro da situação. Eu fui o pai da criança. Mas surgiram outros padrastos na minha ausência. Bagunçaram uma coisa séria. Deixaram o vaidosismo falar alto e acabaram por prostituir um assunto diano e bem-intencionado. A ponto dos prêmios terem perdido todo seu lustre de velorosidade.

Depois eu conto. (E provo).

Tchau, belos!

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Leite, segundo consta, deveria conter em seus envolucros plásticos, a data do uso.

Primeiro, sim.

Depois, mais elásticos, com validade “para até tal dia”.

De quando em sempre, saquinhos sem data e sem validade “para até tal dia”.

Sei lá se é…

Extraído do Correio de Marília de 15 de janeiro de 1977

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