segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Vocês vão ver… (28 de janeiro de 1977)



Década de 1930.

Getúlio Dornelles Vargas no poder.

Em sí, o “baixinho” era uma excelente pessoa. Um bom governo. O que estragava era a curriola que o cercava, com Tenentes  Gregórios e outros lugares-tenentes.

Considerado o Pai dos Pobres, tinha uma penetração no prestígio popular, até hoje não olvidada pelos antigos trabalhistas. Desde 1954, ano de seu suicídio, até hoje, seu túmulo é visitado por centenas de pessoas na data do seu falecimento, 25 de agosto.

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O advento da era da indústria pesada deu-se no governo getulista, com a implantação de Volta Redonda.

Dos assalariados de todo o Brasil, muito devem ao ex-Presidente, face à codificação das Leis Trabalhistas, de sua autoria. Também as leis de previdência social, com o funcionamento dos IAPs, hoje Inps.

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Verdade que muitas leis foram deturpadas e não cumpridas. O próprio Getúlio encarneceu num discurso feito ao Brasil, numa passagem de ano, com a frase até hoje conhecida de “a lei, ora a lei…”

Outras foram modificadas, ampliadas, revisadas, revogadas ou aperfeiçoadas.

Mas um compêndio fabuloso e rico de leis nacionais nos foi legado por Getúlio Vargas.

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Naquele tempo, tendo Getúlio permanecido no Poder durante 15 anos consecutivos, muitas gerações criaram-se e formaram seus intelectos no período getulista.

Só se conhecia Getúlio Vargas como Presidente da República.

Então, vem a piada:

Era um sujeito muito apaixonado por futebol.

Corinthians, Palestra (Palmeiras), Paulistano (São Paulo) e Espanha (Jabaquara) eram os maiores da ocasião.

Numa conversa com um outro cidadão, este referiu-se sobre Getúlio ao fanático pelo futebol. Mas o esportista não sabia nada sobre Getúlio.

E o outro, admirado, insistiu:

- Como? Você não conhece Getúlio Vargas? Nem sabem que é?

E o torcedor de futebol respondeu com indiferença:

Não conheço, não… só se for jogador de algum time varzeano…

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Dia outro, fui assistir uma missa de trigésimo dia de falecimento de uma pessoa.

Havia comparecido ao enterro e também à missa de 7º. Dia. E admirei-me da pequena presença de amigos do falecido. Só alguns amigos e alguns parentes. Nada mais.

Pensei com os meus botões:

- É isso aí; morreu, morreu mesmo…

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Pedro Sola, o prefeito do século, está para deixar a prefeitura.

Ninguém é insubstituível.

Poderá Theobaldo ou outro futuro, até superá-lo em termos de visão administrativa.

Mas foi um grande, dinâmico e excelente prefeito.

Posso dizê-lo, pois não devo um favor siquer ao Pedrão e nem ele a mim. Nunca solicitei gentilezas, favores ou endosos. Nem ele. Estamos empatados.

Por razão esta, como mariliense, posso fazer tal afirmativa.

Mas, dia após deixar seu governo, por certo ele terá contra sí, opiniões desencontradas e incoerentes, de alguns que até há pouco o aplaudiram.

Vocês vão ver…

Extraído do Correio de Marília de 28 de janeiro de 1977

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