terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Um cidadão emérito (29 de janeiro de 1977)



Assim que os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira, retornando da Itália, chegaram ao Brasil, o então prefeito mariliense, João Neves Camargo, enviou um seu representante ao Rio e São Paulo, com a finalidade de congregar os expedicionários de Marília, para trazê-los em comotiva, a fim de serem recepcionados e homenageados.

O delegado do prefeito fora o diretor da Bibliotéca Municipal, professor Basileu de Assis Moraes, que cumpriu integralmente sua missão.

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Eu encontrava-me dentre os pracinhas que haviam cumprido seu papel de brasilidade e patriotismo nos campos de luta da Itália.

Quando chegamos à gare da Paulista, autoridades e povo alí nos aguardavam.

Palmas, alegria, sorrisos, abraços… marcaram o encontro dos pracinhas que regressavam do campo de honra.

Incorporados, pracinhas, autoridades e povo, todos, pararam na confluência da Avenida Brasil, com a Rua Paraíba, onde no prédio que ainda hoje é o Bar Kambará, foi inaugurada uma placa, dando a denominação de “Rua dos Expecionários” à mencionada via pública.

Foi nessa ocasião que conheci o Dr. Oswaldo Rocha Mello, ontem falecido em São Paulo.

O Dr. Rocha Mello fizera um discurso impregnado de patriotismo, no qual exaltava os feitos dos pracinhas brasileiros no front italiano e destacava em especial os átos heróicos do Cabo Marcílio, detentor da medalha “Silver Star” do Exército dos Estados Unidos.

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Após o desfile na Avenida, os pracinhas foram participar de um banquete, no Líder Hotel, e alí o Dr. Oswaldo Rocha Mello sentou-se ao meu lado, consolidando o princípio de uma amizade que então começava a nascer.

Seguiram-se várias festividades e solenidades dedicadas aos pracinhas e em todos os locais eu encontava sempre o Dr. Oswaldo, com o qual palestrava e já admirava.

Concluída a programação festiva, que muito calou nos pracinhas marilienses, retornei a Caçapava, pois eu ainda não me havia desligado do Exército.

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Tempos depois refornei a Marília, onde fixei-me em definitivo.

Aí, mais miúde, encontrava-me com o Dr. Oswaldo Rocha Mello e mais o admirava, especialmente pelo seu sentimento religioso e a mais completa obtenção de preconceitos.

Era vista em todas as reuniões de Congregados Marianos, participando de todos os empreendimentos religiosos e trabalhando cmo um cidadão comum, nas quermesses da Matriz de Santo Antonio.

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Quando da vinda do Carmelo Sagrada Família para Marília, o Dr. Oswaldo e sua esposa, dona Amarilys, incorporaram-se no ról dos primeiros colaboradores da instituição.

Era uma espécie de co-fundador, de provedor, de patrono, de assessor e de amigo do Carmelo.

Quando de sua mudança para Brasília, talvez pela minha estreita ligação com o Dr. Oswaldo, ou, quiçá, pelas referências de dona Amarilys apresentadas à Madre Angela, sempre aquela religiosa procurava-me, para tentar substituir em alguns momentos e em pequenas contingências, o ilustre cidadão.

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Além de meu amigo, havia outro fato que muito me ligava em respeito ao Dr. Oswaldo Rocha Mello. Era ele Juiz de Paz e a pessoa que celebrara meu casamento civil em 1947.

O quarto título de Cidadão Benemérito de Marília foi conferido ao Dr. Oswaldo Rocha Mello e sua esposa, através da Lei número 998, como reconhecimento na cidade e de seu povo, ao cidadão simples e humilde, pio e cristão, que tratava a todos como irmãos com a mais completa simplicidade, apesar da clara inteligência e do elevado talento intelectual que o identificava.

Extraído do Correio de Marília de 29 de janeiro de 1977

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