segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A ornamentação da cidade (12 de dezembro de 1959)

Êste jornal sempre foi partidário de todas as medidas econômicas municipais e sempre censurou gastos supérfluos, desnecessários, especialmente os facilmente dispensáveis. Todas as providências de compressão de despesas da municipalidade, com motivos plausíveis, tiveram em nossa Folha, uma referência especial, um parágrafo encomioso.

Nem por isso, entretanto, deixamos de expender nosso ponto de vista favorável a alguns pequenos gastos de necessidade premente, de carência lógica. É o que entendemos, nessa questão da necessidade de Marília, através de seus poderes constituídos providenciar a ornamentação da cidade, maximé na parte central.

No ano passado, passamos pelo dissabor de termos visto a Câmara Municipal aprovar uma verba específica “em cima da hora”, deixando o Prefeito com a “batata quente na mão”. Este ano, pelo visto, sucederá o mesmo. Será lamentável, pois para termos a repetição daquilo que ocorreu em 1958, preferível será nada fazer-se, deixando tão sòmente que os comerciantes enfeitem seus estabelecimentos da maneira que puderem e como melhor lhes aprouver. Sim, pois repetir o que fizemos no ano passado, com a instalação de uma curiosa “barraquinha” na Avenida e a presença de um “artista” para dizer “piadinhas” salpicadas de motivos pornográficos aos marilienses, preferível o nada fazer.

O tempo caminha inexoravelmente o mesmo iniciando hoje tais providências, o estaremos fazendo com regular atraso!

Tupã, Presidente Prudente e Lins, para citarmos sòmente algumas cidades vizinhas, já executaram êsses trabalhos, proporcionando aos seus munícipes e especialmente aos forasteiros, um ambiente mais alegre, próprio da felicidade geral que normalmente invade todos os seres, nesta época de fim de ano, nesta ocasião das festas natalinas.

Os marilienses merecem essa consideração, fora de dúvidas. Com o comércio aberto durante as noites, registrando movimento desusado (ultimamente prejudicado face ao tempo chuvoso), justo seria que aqueles que trabalham de manhã à noite, contribuindo com seu quinhão para a grandeza de Marília, também, pelo menos alguns dias, uma impressão mais agradável, um ambiente mais gostoso de apreciar, ao circular pelo centro da “urbe”, percebendo melhor e mais diretamente que a data magna da Cristandade convida à alegria, à satisfação.

Poderá algum leitor indagar-nos se com a vida difícil e cara dos tempos presentes, os pobres terão algum prazer em apreciar essa beleza artificial, uma vez que pouco ou nada poderão adquirir no comércio, em virtude das cotações elevadíssimas das utilidades e das futilidades. Responderemos, no caso, que a situação, pelo menos nesta época, recomenda êsses motivos ilusórios, essa alegria preparada; pelo menos, por momentos, as agruras da vida serão olvidadas e as mentes poderão se concentrar nas razões dos dias que precedem o evento do Natal, o que já será uma fórmula bastante boa para o espírito daqueles que sofrem na vida mais do que os outros.

Ademais, não irá falir a Prefeitura, ao empregar alguns milhares de cruzeiros nessa providência.

Os forasteiros, especialmente os que transitam por diversos centros da “hinterlândia”, terão também o ensejo de ver,, na concretização dessa idéia, que em Marília se trabalha em todos os sentidos e que seu povo sabe festejar as auspiciosas festas natalinas.

A questão, no caso, é querer. Querer, tão sòmente.

Existem meios fáceis e pouco dispendiosos de ornamentar o centro da cidade, reforçando a iluminação, salpicando as ruas com pequenas lâmpadas multicores (Tupã já fez isso) e impregnando em pontos variados, motivos alegóricos ao grande Dia. Além disso, o comércio mariliense, como sempre, realiza também a sua contribuição, cujos efeitos se adicionam automaticamente às providências que vierem a ser tomadas a respeito, pelos poderes públicos.

Valerá a pena tentar?

Extraído do Correio de Marília de 12 de dezembro de 1959

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