quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

COFAP Futebol Clube (1 de dezembro de 1959)

Órgão desvirtuado por excelência desde a sua origem, essa tal de Comissão Federal de Abastecimento e Preços, vulgarmente apelidado de COFAP.

Enquadra-se perfeitamente na letra do folclore popular de que “pau que nasce tôrto, não tem jeito, morre tôrto”.

Seu desaparecimento se impõem, uma vez que segue rota adversa às suas finalidades precípuas. COFAP é o mesmo que uma vaca leiteira holandesa, de grandes e grossas têtas, as quais sempre se dependuraram diversas personalidades, uma autêntica sócia de safados.

Não tem autoridade, não tem personalidade, não tem ação em pról do povo êsse famigerado organismo descontrolador de preços. Quando o Presidente Juscelino Kubitschek anunciou aquela “maior piada de 1958”, ou seja, o “congelamento dos preços”, foi que os brasileiros tiveram a oportunidade de perceber o qual inútil é a COFAP. O Chefe da Nação anunciou o malfadado e embusteiro “congelamento” e a COFAP, desautorando o magistrado máximo do país, reunia-se semanalmente e semanalmente liberava determinadas cotações de determinados produtos, quando não curvava as espinhas dizendo “amém” às imposições dos magnatas, “tubarões” ou intermediários.

Órgão que parece um cavalo duro de boca, que não obedece o freio. Ninguém consegue sustentar-se em sua presidência. Parece um braseiro o posto de presidente dêsse desvirtuado e desmoralizado corpo.

A imprensa noticiou com alardes a posse do general Uraruhy Magalhães, mas seu mando foi rápido. Aguentou poucos “pinotes” e limpou a sela. O sr. Guilherme Romano, por sua vez, passou tal qual um cometa pela sala da presidência da COFAP F. C., pois com poucas semanas “pediu água”, exonerando-se em caráter irrevogável.

Parece que só o Fidel Castro ou o Tenório Cavalcanti seriam os indicados para tentar aguentar êsse “baralhado”!

A melhor, então, foi a do Romano, que ao deixar a poltrona da presidência da COFAP, falando à imprensa carioca assim se manifestou: “Não quero saber mais de COFAP, já pedi demissão e espero que o Govêrno atenda o meu pedido com a maior brevidade possível. Sei que vai demorar, pois encontrar alguém que aceite o cargo é difícil. A COFAP é uma inutilidade. Em vinte dias de administração não sei o que é dormir direito”.

E declarou ainda o sr. Guilherme Romano: “Os açougues estão ou não abastecidos? Estão, não é mesmo? Pois aí está o problema resolvido. E com isso eu me despeço da COFAP”.

A verdade, porém, não declarada pelo sr. Romano e sabida por todos, é que o homem tentou bolir em “caixas de maribondos”; isto é, tentou intervir no mercado da carne. Tentou esgaravatar uma ferida “braba” no duro. Foi o mesmo que assinar o atestado de óbito. Mexer com uma classe que se considera (e é, desgraçadamente) intocável é a “pior viagem” que pode fazer um presidente da COFAP. Mesmo bem intencionado, o homem estará sozinho, pois dentre os membros que integram o referido organismo existe pessoas que ganham de terceiros, para advogar as causas dêstes. Isto já foi provado, conforme todos sabem e não é segrêdo para ninguém, exceto, supomos, para o presidente Juscelino Kubitschek, que, ou não enxerga ou não quer enxergar mesmo.

Enquanto isso, o povo... bem, o povo que se dane, que vá para o inferno!

Extraído do Correio de Marília de 1 de dezembro de 1959

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