quinta-feira, 24 de junho de 2010

Uma recepção condigna (24 de junho de 1958)

Ao ensejo da visita oficial e honrosa dos príncipes Mikasa à Marília, justo é que se diga que os representantes do Imperador do Japão tiveram em nossa cidade uma recepção das mais condignas imagináveis.

A colônia nipônica, por intermédio dos responsáveis pela Comissão Regional de Marília dos Festejos do Cinquentenário da Imigração Japonesa esteve incansável e elab(o)rou um programa digno de elogios, pela maneira com que o mesmo foi conduzido. Tudo foi previamente preparado, estudado, calculado e podemos dizer que tudo transcorreu como se esperava, à exceção apenas do horário de chegada do avião especial que aportou à Marília conduzindo Ss. Aa. Imperiais. Mesmo assim, o horário do regresso dos príncipes, rumando para a cidade de Lins, foi religiosamente respeitado.

Ressalte-se tambem que ao brilho do acontecimento, preciosa colaboração foi prestada pelas autoridades do município, cujo prestígio esteve patente em todos os sentidos e em todos os momentos. O príncipe e a princesa Mikasa foram recebidos em nossa cidade, com as devidas honras de Chefes de Estado.

Não tivemos o ensejo de palestrar com o príncipe, em função profissional, porque a barreira protocolar assim não permitiu. Tivemos esse desejo, porque gostariamos de ouvir, da viva voz do ilustre visitante, as suas impressões sôbre o Brasil, as recepções que lhe têm sido tributadas e algo acêrca do carinho com que a colônia japonesa e o povo brasileiro o tem recebido em todos os locais por onde andou.

Mesmo assim, temos a impressão de que os representantes do Império Japonês deverão sentir-se satisfeitos por tudo o quanto lhes tem sido dispensado néssas visitas aos diversos centros do território brasileiro.

Em Marília, ao que nos consta, nunca tanto público prestigiou para dar as boas vindas a um visitante. O regresso dos revolucionários em 1932, a chegada dos “pracinhas” em 1945 e o retorno do campeoníssimo Tetsuo Okamoto, quer nos parecer, perderam terreno para esse movimento de simpatias públicas e presença em toda a cidade, desde o aeroporto até a Praça Saturnino de Brito.

Policiamento eficiente, trânsito bem dirigido, muita ordem e di(s)ciplina (coisas difíceis de serem conseguidas entre grandes aglomerações), merecem destaque especial. Por outro lado, deve ser tambem mencionado o espírito de organização perfeita que norteou as providências da Comissão dos Festejos e Recepção aos príncipes, que nada deixou a desejar.

Enquanto isso, nós que sempre estamos acompanhando todos os acontecimentos da cidade, por dever profissional, ficamos certos de que a organização dos festejos referidos serviu bem de um exemplo para inúmeras festas que habitualmente se realizam entre nós.

Extraído do Correio de Marília de 24 de junho de 1958

Nenhum comentário: