domingo, 23 de maio de 2010

O novo Paço Municipal (23 de maio de 1958)

Acêrca de nosso escrito de terça feira última (20/5/1958), sob o mesmo epígrafe supra, recebemos, do ilustre vereador Dr. J. Guimarães Toni, a seguinte missiva:

“Marília, 20 de Maio de 1958

“Meu caro amigo José Arnaldo.

“Li hoje o seu artigo no “Correio de Marília”, a proposito do “caso” (como está sendo classificado) das instalações da Câmara Municipal, no novo predio do Paço Municipal.

“Entende você, em sua apreciação, que está havendo contra-senso e incoerência por parte dos que acham ser pequeno o recinto destinado à Camara. Ora, não ha tal nessa atitude, nem essa opinião envolve qualquer julgamento do projéto que está sendo executado, realmente grandioso.

“Da mesma forma, não fiz acusações injustas ao engenheiro autor do projéto e nem acho que esse fato possa atingir os engenheiros construtores. Ha uma grande falha na interpretação de nossa atitude nesse caso, assim como está em duvida a verdadeira intenção com que agimos.

“Não fizemos acusações ao projetista do predio e nem poderiamos fazê-lo, porque não ha motivo para acusações. O fato de alguem entender, em sua ignorancia tecnica, de ser um recinto destinado a algum fim, pequeno e improprio ao seu destino, não ofende ninguem, nem constitue injusta acusação. Quando muito poderá ser uma opinião errada e não verdadeira. Do mesmo modo, não atinge essa ideia, nem clara, nem “disfarçadamente” aos construtores da obra. Estes executam um projéto, que não lhes cabe modificar, ou transformar. Alem disso, o simples fato de se achar pequeno o recinto e improprio ao seu destino, não poria em jogo a idoneidade de qualquer profissional. Vê você como está sendo mal interpretada a opinião e desviada de seu verdadeiro sentido.

“Admito que a opinião tivesse sido manifestada com certo ardor e veemencia. Mas, dai ao ponto de paixão vai um longo passo.

“Esclareço a você, ainda, que não discutimos questões tecnicas. Nem nos seria possível essa discussão, pois bem sabe você como temos sido cuidadosos em nossa(s) atitudes e pronunciamentos em questões que escapam ao nosso conhecimento geral. O que vimos e observamos, sem duvida, foi um recinto que nos parece pequeno e improprio, apenas isto, sem todavia, apreciarmos questões tecnicas. Nisso não vai implícita a acusação de ter havido erro. As dimensões do reci(n)to podem ter parecido suficientes ao arquiteto e a nós, em nossa inexperiencia nessas coisas, pequeno. Apenas isto, sem outras apreciações.

“Alias, falando com o Dr. Arquimedes De Grande, com o Dr. Argôlo e com varias outras pessôas, fui informado que o recinto comporta mais do que o numero atual de vereadores, com todas as suas instalações, mesas, cadeiras, etc., e ainda sobra espaço. Ora, não posso deixar de acatar essas opiniões, para mim dignas de todo credito e merecedoras da fé, pois são pessôas de alta reputação profissional.

“Assim, estou começando a acreditar que o errado fui eu, levado por uma falsa impressão de dimensões muito comum a quem não tem pratica dessas coisas, principalmente, pela falta de um salão que pudesse acomodar um relativo numero de pessôas, nas sessões solenes e festividades da Camara. Não acho que o salão nobre da Prefeitura sirva para isso, pois sou favoravel (sempre fui) a completa independencia entre os dois, por razões facilmente imaginaveis e que não precisam ser declaradas.

“Não vejo, portanto, razão de sua parte, em achar que ficaremos em ridiculo, se isso fôr provado matematicamente, ou seja, que o recinto achado pequeno, comporta grande numero de pessôas, entenderemos a mão à palmatoria, sem nenhum constrangimento e sem ridiculo, porque errar é humano, persistir no erro é estupidez.

“Pediria a você retificasse os seus conceitos sobre o assunto, pois não vejo mal algum em se pensar, mesmo erradamente, que determinado recinto não está em condições de conforto e amplidão, necessários ao funcionamento normal de uma corporação numerosa, com auxiliares, presença de imprensa, rádios, assistentes, tribuna, etc. Se estivermos enganados, quando muito poderemos ser acusados de precipitação, mas nunca de termos sido movidos por outras intenções inconfessáveis.

“Esta a verdade dos fatos.

“Muito cordialmente,

as.) José Guimarães Toni”.

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Em nossa edição de amanhã, abordaremos a gentil carta acima transcrita.

Extraído do Correio de Marília de 23 de maio de 1958

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