sexta-feira, 15 de março de 2013

Coisas de pescadores (15 de março de 1977)



Pescar é um lazer. Uma higienização mental – para os ricos. Ou uma lavagem mental – para os pobres.

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A pesca geralmente é representada por dois bobos: um na ponta da vara e outro na ponta da linha.

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Muito mais idiota que o pescador, é um sujeito que fica horas e horas, olhando para o outro pescador não pescar coisa nenhuma.

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Uma coisa, todavia, é certa: a trouxa que se fotografa com os pés sobre uma caça abatida, só pode ser ultrapassado, pelo idiota, que manda tirar sua fotografia, segurando o peixe que percou.

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O cabo PM Rubens Piccelli foi o único mariliense, que, até agora, conseguiu pescar uma bola de mortadela inteirinha – zero quilômetros e em bom estado de mastigação. Perguntem a ele.

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Por razão essa, quando um distinto voltou a zero da pescaria e procurou a peixaria para comprar um pintado, só encontrou peixe em tamanho grande. E ante a insistência do comerciante para que levasse aquele peixe, que era o único pintado, o pescador justificou:

- Não, esse é muito grande e ninguém vai acreditar que fui eu quem pescou… dê-me só um pedaço cuns dois quilos…

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Ninguém sabe, mas a verdade é que o bacalhau, seja norueguês, ou português, ou de outra qualquer origem, nada mais é do que uma múmia salgada e comestível.

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Ninguém mais ouviu falar na exportação de minhocas brasileiras par os Estados Unidos. É que os norte-americanos inventaram a minhoca de plástico, que dá tão bons resultados quando as imundas minhocas do Brasil.

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Mas então, tem o caso de um distinto que estava pescando corimba, no Rio Tibiriçá. Muito quieto, no mais profundo e absoluto silêncio, o pescador aguardava ansioso, o momento em que o corimbatá se dispuzesse a aparecer por alí e começar a “mamar” na isca que estava no anzol.

E como o silêncio era tanto, tanto mesmo, o pescador pode ouvir a voz de um corimba macho, vinda de dentro do rio. E o corimba macho, dizia o corimba fêmea:

- Querida, se você não me der o “sim”, juro que me suicido, engulindo essa isca!

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Mas o azar do pescador, especialmente o pescador amador, é um dia dizer a verdade sobre pescarias e ninguém acreditar.

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Por isso, quando aquele pescador estava plantado na margem do Rio Feio e dele se aproximou um guarda florestal, o pescador nem se abalou. Mas o policial pediu-lhe a licença para pescar. O homem não se faz de rogado e entregou-lhe a carteirinha.

O policial florestal olhou o documento e observou:

- Meu amigo, essa licença já está vencida. É licença do ano passado.

O pescador não se confundiu e respondeu sorrindo.

- Ora, seu guarda, isso eu sei, acontece que eu só estou pescando peixes do ano passado… porisso, tudo bem.

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Mas o fato é que eu nunca pude tornar-me pescador, só porque, desde pequeno, minha mãe costumava dizer-me:

- Meu filho, quem mente vai prô inferno!

Extraído do Correio de Marília de 15 de março de 1977

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