sexta-feira, 9 de abril de 2010

Um comércio pouco louvável (9 de abril de 1958)

Não há negar que nos dias atuais o mundo infantil é bem mais orientado, seguro e encaminhado para o futuro do que nos tempos idos.

É um sinal dos tempos, uma evolução natural de vez que no passado, conforme nos contam nossos avós e conforme muitos de nós tivemos experiências próprias faltavam às crianças uma orientação diretiva mais sólida, mas esclarecedora.

Hoje as crianças recebem noções do caminho a seguir. São instruidas, são melhor e mais facilmente educadas. Entretanto, nem tudo ainda está feito. Muita coisa existe para completar.

Verdade é que nossas autoridades e mesmo os pais de família e os mestres escolares, não descuidam hoje, como no pretérito, daquêles que serão os homens de amanhã. No entanto, como tudo evolui, como tudo se expande e cresce espiralmente, também a mentalidade infanto-juvenil de nossos dias, apresenta maiores expansões e mais Franca elasticidade de idéias do que nos tempos idos. Portanto, proporcionalmente, o problema continua a existir.

Em Marília, bem como em diversas outras grandes cidade e capitais, existem providências superiores e de direito, coibindo a venda de revistas infantis de fundo corruptor ao espírito da meninice. Agora, está sendo movimentada e já atingindo vários pontos do interior, a “campanha de desarmamento infantil”. Medidas das mais encomiosas, fóra de dúvida. Elogiáveis.

Em nossa cidade, uma coisa está ainda a chamar as atenções do Juizado e Comissariado de Menores. É a questão da venda, trocas e empréstimos de revistinhas (algumas inocentes, outras não), movimentada por dezenas e dezenas de crianças, especialmente às portas dos cinemas, diariamente, por ocasião dos vesperais cinematográficos.

Duas pessoas nos chamaram as atenções acêrca do fato, solicitando-nos a feitura da presente crônica.

Efetivamente, tal acontece em Marília, principalmente na porto do Cine Marília. Um “comércio” de trocas, vendas (e) empréstimos dêsse tipo de leitura, campeia por ali, diariamente. Sabemos que a prática referida é feita inocentemente, mas ninguém poderá ignorar que suas consequências só poderão ser mais prejudiciais do que úteis. O aspecto, em si, não é nada agradável aos olhos, principalmente dos forasteiros. Crianças há, que ficam verdadeiramente obsecadas, por determinado tipo de leitura referida.

Uma das pessoas que nos procurou, é um professor estimado na cidade. Como bom mestre, está preocupado com o problema.

Achamos que o mesmo tem razão. Por isso, apelamos ao Comissariado de Menores da Comarca, que, dentro daquela linha elogiável de fiscalização e proteção aos menores da cidade, procure reprimir tal anomalia, orientando e instruindo os meninos, sôbre as inconveniências e consequências desagradáveis de tal comércio.

Extraído do Correio de Marília de 9 de abril de 1958

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