segunda-feira, 19 de abril de 2010

“Fãs-clubes” de artistas (19 de abril de 1958)

Positivamente, não conseguimos ainda saber as finalidades ou vantagens dos chamados “Fãs-Clubes” de determinados artistas nacionais.

Só sabemos, de acôrdo com o que noticia a imprensa, que éssas “maravilhas” são, antes de tudo, um amontoado de desocupados, fanáticos ou “boas vidas”.

Mais uma prova disso, poderá ser constatada, pela leitura de um telegrama, oriundo do Rio de Janeiro, transmitido pela “Meridional”.

Eis o seu texto:

- “Dezenas de moças integrantes do Fã Clube de Cauby Peixoto (vulgarmente conhecidas como “macacas de auditório”) ameaçaram, ontem, interromper o transito na Avenida Rio Branco, próximo da Praça Mauá, quando, após acompanhar ruidosamente o cantor, a pé, postaram-se na porta de um edifício, aos gritos de “Cauby, Cauby, Cauby”, enquanto do alto do predio centenas de pessoas jogavam nas “macacas” copos de agua e papel.

“Envolvidas pelos curiosos que entraram a vaiá-las, as fãs de Cauby revidaram com bofetões atirados a esmo nos transeuntes, culminando a arruaça com a prisão do presidente do fã clube de Cauby Peixoto, Ivona e sua companheira Iracema, que declararam o sobrenome de Peixoto, tal como o do seu idolo.

“Na delegacia do 9º Distrito Policial, longe de intimidarem-se, as “macacas de auditorio” justificaram a sua violenta reação declarando que alguns transeuntes se aproveitaram do aperto para fazerem “mão boba” num verdadeiro atentado à moral.

“A maioria das fãs de Cauby Peixoto vestiam calças “blue-jeans” e camisas masculinas de cores vivas”.

É verdade que vivemos num regime de apregoada democracia, onde todo mundo “faz o que quer”, conforme costuma alguns intepretar a doutrina de Demócrates. Entretanto, quer nos parecer, êsses “Fãs-Clubes” não passam de um aglomerado de pessoas que poderiam fazer coisas mais úteis, ao envés de se exporem ao ridículo, com atitudes pouco elogiáveis. O “Fã-Clube” de Cauby Peixoto anda sempre no noticiario dos jornais e seguidamente às voltas com a policia. Uma legião de mocinhas desocupadas, com “bichos de goiaba” na cabeça, foi convenientemente treinada para “desmaiar” e propiciar “faniquitos” públicos, tão contrários aos princípios de brios da mulher brasileira.

Nos auditórios de rádio, nos palcos, onde se exibe o mencionado artista, as “atividades” do “Fã-Clube” alí se fazem sentir. Gritos histéricos, suspiros profundos, desmaios, faniquitos, num espetáculo realmente deprimente e que depõe com os fôros íntimos das atitudes e beleza femininas. A mulher é retratada pelas “cabecinhas de vento” do “Fã-Clube”, como um ser fraco, insaciável, possuidor de taras – desculpem-nos os leitores a rudeza da expressão.

Quais as utilidades que apresentam tais organismos? A de propaganda, exclusivamente. E paga. Mas por um método condenável, porque se escudam antes de mais nada, no princípio de desonestidade. Dizemos isso, porque, pensamos, honestamente, nenhuma mulher que se preze, teria o topéte de realizar em público, “demonstrações” verdadeiramente pagãs como fazem as referidas “macacas de auditório”.

Essas moças, que já demonstraram possuir tempo suficiente para realizar éssas “peregrinações” acompanhando o cantor citado, seriam muito úteis ao povo e à sí próprias, se se dedicassem a empreendimentos mais humanos, mais dignos. Poderiam participar de campanhas nobres, como a de combate ao câncer, de auxílio aos paraplégicos, lutarem contra o analfabetismo, colaborarem na campanha de socorro aos flagelados do nordeste e muitas outras.

Acontece que éssas “fãs” tem, pelo contrário, funções de “fã”...tasmas, frente aos bons empreendimentos, às boas causas.

A polícia deveria éra acabar com éssas “quadrilhas” de desocupadas; ou então, os próprios artistas, deveriam ter um pouco mais de senso, para recusarem processos dêsse jaez.

Poderá alguem dizer que nós nada temos com isso. De fato, temos sim; temos a opinião contrária à ações dessa natureza.

Extraído do Correio de Marília de 19 de abril de 1958

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