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O SAMDU em Marília (30 de março de 1957)

Na última sessão da Câmara Municipal, aprovou a edilidade mariliense um requerimento de autoria do vereador Bernardo Severiano Silva, no qual foi solicitada a instalação de um posto do SAMDÚ em nossa cidade. Oportuníssima iniciativa, sem dúvida alguma. O SAMDÚ (Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência), tem sido, até aqui, um organismo que vem prestando serviços inestimáveis à população de vários centros interioranos em especial. Eis a íntegra do aludido requerimento, aprovado pelo legislativo mariliense: “Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Marília. Requeiro, ouvido o plenário e em regime de urgência, que se oficie à direção do Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência (SAMDÚ), solicitando-lhe, se possível, a instalação de um posto em nossa cidade. Requeiro também, que igual mensagem seja endereçada ao exmo. sr. Presidente da República, solicitando-lhe os bons ofícios no sentido de Marília ser dotada dêsse valioso empreendimento, que tantos e excelentes ...

Festividades de 4 de abril (29 de março de 1957)

Somos daquêles que entendem que a municipalidade não deve mesmo dispender fabulosas quantias de seus cofres, para fins de festividades supérfluas. No entanto, pensamos que o Dia do Município de Marília, o próximo 4 de abril, deverá ser comemorado condignamente pelos marilienses, como a data magna de nossa emancipação municipal. E, nesse particular, são necessárias algumas despesas inadiáveis e indispensáveis. Não pode e não deve passar de todo despercebido ao espírito do mariliense, o ensejo do transcurso dessa data. Sabemos todos que a municipalidade não poderá patrocinar festividades faustosas e extraordinárias, excessivamente dispendiosas. Pessoalmente, nós próprios somos apologistas de coisas simples; acontece, no caso, que o fato exige uma exceção, pela importância que encerra. Festividades simples, são uma coisa: festividades além de simples, são “outros quinhentos”. Pensamos que a passagem do Dia de Marília não deve restringir-se apenas a um desfile cívico e a uma sessão solene ...

Prédios desalugados (28 de março de 1957)

Conhecemos um cidadão de fóra que costuma vir periodicamente à Marília. O homem têm negócios particulares por estes lados e acabou tornando-se um autêntico apaixonado de nossa cidade. Conversando conosco outro dia, declarou-nos seu encantamento pela Av. Sampaio Vidal. Ampla, bonita, com duas mãos de trânsito, bem movimentada, a avenida do fundador tornou-se para esse cidadão, um local agradável. E o homem confessou-nos ainda, que sente um prazer indiscritivel, em dirigir seu carro particular pela citada artéria, seguidamente, de um a outro extremo. Em realidade, a Av. Sampaio Vidal representa mesmo o cartão de visita de nossa urbe. Não ha forasteiro que não tenha exclamações de admiração e encômios para o explendor de nossa principal artéria. E, realmente, essa admiração é perfeitamente justificável. Poucos são os centros interioranos que ostentam uma via pública tão bela e tão bem traçada como a Av. Sampaio Vidal, apresentando um movimento incomum e ondulante. Uma coisa, no entanto, p...

O Prefeito Adhemar (27 de março de 1957)

Virtualmente, está eleito Prefeito de São Paulo, o sr. Adhemar de Barros, lider nacional do Partido Social Progeessista. E conseguiu-o por inesperada margem de votos, frente ao sr. Prestes Maia, que, ao que parece, apesar dos pesares, contou com a “mancação” dos comunistas. Isto é o que deduzimos, frente ao fabuloso índice de votos “em branco” verificado no pleito de domingo último. Para nós, simples observadores, acompanhando a marca política de pré-eleições apenas pelo noticiário da imprensa, acreditavamos que o páreo iria ser “duro” entre as duas forças – janistas e adhemaristas -, apontando o vencedor de eleição, por pequena maioria, frente ao segundo colocado. Tal, não aconteceu. O sr. Adhemar de Barros venceu e venceu bem. O Governador do Estado, que apoiou incondicionalmente o Sr. Prestes Maia nesse pleito, acaba de demonstrar que a força de seu prestígio político reside no interior e mesmo em outros Estados. Entendem alguns, que o Governador Jânio Quadros, perdendo as eleições ...

Jornalismo Interiorano (26 de março de 1957)

Por inúmeras vezes, temos nos ocupado nestas colunas, de esclarecer aos menos avisados, a precípua missão da imprensa sadia e bem orientada, bem intencionada sobretudo, especialmente a pobre e sacrificada imprensa interiorana. Temos então, delineado a função da imprensa em relação do dever sagrado de informar, divulgar e orientar, criticando construtivamente; em resumo, servindo o público em geral. Deparamos agora, no jornal “A Gazeta de Lins”, de 23 último (23/3/1957) , assinado pelo competente colunista Ubirajara Martins, em seu artigo “Um fato em foco”, uma coincidente identidade de pontos de vista com aquilo que algumas vezes temos escrito. Assim, passando a transcrever êsse magnífico e sensato artigo, estamos reforçando nosso próprio entender. Eis a sua íntegra: “Dôa a quem doer. Esbravejem-se os que se julgarem atingidos! Somos muito homens para aguentar as consequências! Não hesitaremos: os nomes serão apontados! Cadeia prá eles! O povo ficará conhecendo os ladrões! Os culpados ...

Uma luta bem mariliense (23 de março de 1957)

Afóra as pessoas que nos cercam na rua, para fazer alusões sôbre diversos artigos de nossa modesta lavra, aqui publicados, sôbre a necessidade de eleição de um deputado de Marília, recebemos ontem duas interessantes e antagônicas cartas. Uma, congratulando-se com o autor destas linhas, pelo movimento que abordamos, alertando o eleitorado mariliense, para que fique de atalaia e prontidão, quando chegar a hora de eleger os deputados estaduais, pensando um pouco mais em nós próprios, encaminhando ao Palácio 9 de Julho, um digno e lídimo representante de Marília. Simultaneamente, fazendo alusões e elogios aos nossos trabalhos a respeito, no passado, já desde o ido ano de 1946. Outra, franca, desassombrada mesmo, atirando de frente: concitando-nos a desistir da marcha, “porque é perder tempo”. O missivista chama-nos de “ingênuo”, alegando: “Deixe disso meu amigo; o povo mariliense é algo de ingrato e irresponsável em sua maioria. Se hoje tem idéia de votar no Toni, no Badra ou em outra qual...

A Política Nacional (22 de março de 1957)

Já seria tempo para que interpretassemos a política nacional como um elo indispensável e precioso da corrente das diversas facções da própria vida brasileira. Seria tambem o momento para que o brasileiro em geral, tivesse pela política do país, um juizo diferente, um respeito mais acentuado, consequência, logicamente, de uma soma de ações diretamente coordenadas em beneficio da população, inspirando maior dose de confiança tradicional, resultado das lutas de idéias diversas, que convergissem sobre um mesmo vértice: o nacionalismo elogiável, sadio, digno, honrado. No entanto, tal não acontece no Brasil. Política, entre nós, desgraçadamente, traduz luta sórdida de modo geral; significa contendas pessoais ou de grupos, objetivando domínio de idéias, imposição de simpatias, forçando condições e acôrdos, colimando o prevalecimento de pontos de vista, de saciamento de apetites pessoais, de conquistas, de “maiorias”, de subjugações. Nas escolas, os adolescentes aprendem coisa muito diversa da...