sábado, 26 de novembro de 2011

Um impedimento que causou especie (26 de novembro de 1959)

De 1 a 5 de dezembro vindouro, trinta alunos do Grupo Escolar “Gabriel Monteiro da Silva”, deveriam visitar São Paulo. A excursão referida, inteiramente patrocinada pelo DEFE, fôra conseguida pelo professor Alfredo Naylor de Azevedo, delegado regional de educação física e esportes de Marília, contando ainda com a cooperação da Comissão Central de Esportes local. Tal passeio representaria um prêmio, no estabelecimento de ensino primário mariliense, que, em abril último, foi o vencedor, dentre cinco competidores, da “maratona atlética intelectual”.

De início, a viagem referida seria à Santos. Ponderou-se que Santos não seria bem a local próprio, pois haveria maiores dificuldades para o contrôle e segurança dos petizes, em virtude das praias. Resolveu-se, então, que a excursão seria à Capital. A delegacia do DEFE local, conseguiu então o necessário: passes, alojamentos, alimentação, ônibus especial para cumprir o programa dos passeios, previamente elaborado.

Pessoas de reponsabilidade, acompanhariam e dirigiriam os escolares, que, nos últimos dias, viviam sonhando com a viagem, como sóe com qualquer mortais, quando, em expectativa, aguardam o desenrolar de um acontecimento grato.

A CCE e a delegacia do DEFE, solicitaram a devida vênia, por escrito, aos genitores ou responsáveis dos escolares. Alguns pais de alunos, fizeram questão que seus filhos desfrutassem essa faculdade, alegando que sentiam imenso prazer, maximé não podendo êles, os pais, proporcionar aos pequenos, um passeio tão oportuno, organizado, seguro e sem despesas. Para aqueles que se esforçaram nas competições referidas, a excursão representaria um prêmio e a consequência de um empenho do prof. Naylor.

Estava, portanto, tudo arranjado; tudo, sem faltar nada, sem ter sido olvidado um mínimo de detalhe. Foi aí que surgiu o impasse, traduzido num impedimento que causou espécie, que decepcionou os pequenos aquinhoados com essa viagem: a delegacia de ensino de Marília, obstou a excursão, alegando que os escolares estariam expostos a perigos diversos. Ficaram decepcionados os escolares, alguns choraram de sentimento ao ver ruir por terra um bonito sonho. Ficaram em situação vexatória a CCE e a delegacia do DEFE.

Dona Geraldina, ilustre e antiga mestra-escola, deveria ter atentado para o fato de que não seria a primeira vez no Brasil, que alunos excursionam à plagas distantes. Deveria igualmente ter considerado que essa viagem é necessária ao estímulo dos petizes, servindo-lhes de estímulo dos petizes, servindo-lhes de estímulo para novas lutas na caminhada do saber e fazendo-lhes perceber que o seu significado representa um prêmio conquistado em disputas renhidas. Deveria igualmente considerar que ela, como nós e outros, já fomos crianças também e sabemos perfeitamente o quanto amarga é uma decepção dêsse jaez, atirada assim contra aqueles que, merecedores dessa regalia, viram-se tolhidos de desfrutá-la apenas por sua culpa.

Se a ilustre delegada de ensino não quisesse assumir qualquer responsabilidade, poderia, pelo menos, deixar de ter-se oposto ao pretendido, permitindo a excursão, embora sem assumir responsabilidade pessoal ao caso. Seria, entendemos, a providência mais plausível da questão. Seria o certo. O que causou espécie, cuja decisão foi recebida com reservas e encontrou éco contrário, foi, de fato, a decisão da ilustre funcionária, obstando essa viagem, apondo ao pedido seu parecer desfavorável.

Lembramos a dona Geraldina, que êsses estudantes deram há pouco, uma brilhante demonstração de espírito de luta e trabalho de equipe: primeiro, venceram o certame citado; segundo, muito trabalharam, em diversas campanhas, para conseguir a construção da quadra de “basketball” recentemente inaugurada no mencionado estalecimento educacional-primário. Uma obra que enriqueceu o patrimônio do próprio Estado, cujo custo deve ter ultrapassado a casa dos 100 mil cruzeiros.

Aqui deixamos êste lembrête, fazendo uma apêlo a dona Geraldina Carvalho, digníssima delegada regional de ensino em Marília, para que reconsidere a sua decisão, apagando a decepção causada aos estudantes e permitindo a êstes garotos e garotas essa pequena felicidade, tão ansiosamente aguardada, tão grandemente merecida e agora levada de roldão exclusivamente por culpa.

Extraído do Correio de Marília de 26 de novembro de 1959

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