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Um cidadão emérito (29 de janeiro de 1977)

Assim que os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira, retornando da Itália, chegaram ao Brasil, o então prefeito mariliense, João Neves Camargo, enviou um seu representante ao Rio e São Paulo, com a finalidade de congregar os expedicionários de Marília, para trazê-los em comotiva, a fim de serem recepcionados e homenageados. O delegado do prefeito fora o diretor da Bibliotéca Municipal, professor Basileu de Assis Moraes, que cumpriu integralmente sua missão. --:-- Eu encontrava-me dentre os pracinhas que haviam cumprido seu papel de brasilidade e patriotismo nos campos de luta da Itália. Quando chegamos à gare da Paulista, autoridades e povo alí nos aguardavam. Palmas, alegria, sorrisos, abraços… marcaram o encontro dos pracinhas que regressavam do campo de honra. Incorporados, pracinhas, autoridades e povo, todos, pararam na confluência da Avenida Brasil, com a Rua Paraíba, onde no prédio que ainda hoje é o Bar Kambará, foi inaugurada uma placa, dando ...

Vocês vão ver… (28 de janeiro de 1977)

Década de 1930. Getúlio Dornelles Vargas no poder. Em sí, o “baixinho” era uma excelente pessoa. Um bom governo. O que estragava era a curriola que o cercava, com Tenentes  Gregórios e outros lugares-tenentes. Considerado o Pai dos Pobres, tinha uma penetração no prestígio popular, até hoje não olvidada pelos antigos trabalhistas. Desde 1954, ano de seu suicídio, até hoje, seu túmulo é visitado por centenas de pessoas na data do seu falecimento, 25 de agosto. --:-- O advento da era da indústria pesada deu-se no governo getulista, com a implantação de Volta Redonda. Dos assalariados de todo o Brasil, muito devem ao ex-Presidente, face à codificação das Leis Trabalhistas, de sua autoria. Também as leis de previdência social, com o funcionamento dos IAPs, hoje Inps. --:-- Verdade que muitas leis foram deturpadas e não cumpridas. O próprio Getúlio encarneceu num discurso feito ao Brasil, numa passagem de ano, com a frase até hoje conhecida de “a lei,...

Coisas de gasolina (27 de janeiro de 1977)

A racionalização (acho esquisito o termo para o fim aplicado) de gasolina pelo menos já trouxe no mínimo três vantagens: forçou a economia, por um lado. Diminuiu o trânsito intenso, por outro. E desafogou bastante a balburdia de veículos no centro da cidade. --:-- Coisa que não dá bem para entender é a “racionalização” da gasolina, num páreo estranho com os preços dos veículos, cujas cotações continuam subindo. --:-- Gente precisa tirar da cabeça a idéia fixa de que, com o depósito compulsório de dois cruzeiros por litro, o preço da gasolina será de sete pratas. Isto está gerando uma espécie de psicose coletiva e da idéia geral, poderá redundar em detrimento da população ou mais diretamente, da economia popular. --:-- É que já se cogita em subir tudo, sob o pretexto de que a gasolina “custa sete cruzeiros”. É um jogo ruim. Que inclusive deverá despertar e merecer atenções de quem de direito. Por outro lad, tem gente satisfeita, pois tudo o qu...

Presente de grego (26 de janeiro de 1977)

Não se trata aqui da repetição histórica, mas sim da lembrança do tragi-comico e caricata episódio que de há séculos caracterizou-se pejorativamente como “presente de grego”. Nem analogia existe, embora, grosseiramente, possa vocar-se a lembrança do gigantesco cavalo grego, com o “bucho” cheio de soldados, que invadiram e dominaram a extinta Tróia. --:-- E desde então, todas as vezes que um aparente bom negócio se traduz numa transação, senão péssima, pelo menos decepcionante ou prejudicial, ou mesmo contundente, ou ainda envernizada pela frustração, é costume dizer-se que tal se constituiu num “presente de grego”. Especialmente se se esperava com ansiedade, um resultado positivo e se alimentava um antigo anelo, que a realidade da frustração veio cavalgada na besta da decepção. --:-- E aconteceu, isto. Aqui em Marília. Com marilienses, sim. --:-- Cecap, vindo de encontro ao desespero de muita gente, anunciou a construção de casas populares. Prefe...

Hoje, Dia de São Paulo (25 de janeiro de 1977)

Quatrocentos e vinte e três anos fazem hoje que foi fundada a cidade de São Paulo. Nossa Capital representa um dos mais expressivos, fortes e vivo exemplos da efetividade de ação da catequese, na formação, crescimento e dinamismo das cidades brasileiras. --:-- São Paulo iniciou seu desenvolvimento rodeando uma capela católica, mandada erigir pelo padre jesuita Manoel da Nóbrega, uma colina perdida num oceano verde, onde hoje se situa o Pátio do Colégio. --:-- A primeira vibração de progresso manifestou-se no ano de 1560. Foi quando os habitantes de uma povoação não mui distante transferiram suas residências para junto do colégio dos Jesuitas, instalado ao lado da Capela. --:-- E São Paulo não parou por aí. Através do passar dos anos seu crescimento foi algo lento, de início indeciso, mas sempre potente. O cultivo da lavoura cafeeira, na metade do século passado, é que veio trazer um impulso gigantesco ao Estado de São Paulo e consequentemente fez...

Manguinhas de fora (22 de janeiro de 1977)

Começo do ano de 1964. Situação nacional intranquila. Jango e Brisola permitindo que assalariados de Moscou bagunçassem o coreto. Maus brasileiros, sobretudo maus patriotas, exultavam: “comunismo vai entrar”. Vagabundos, mas seguidores da doutrina exótica, preparavam-se para “receber” residências e fazendas daqueles que ganharam-nas com um trabalho suado, fruto de anos de trabalho constante. --:-- Caboclo, ingênuo, ignorante de tudo o que ouvia dizer e que não entendia, conversava com o outro: - Cumpádi, diz-que u tár di cumunismo vem aí. - Dêxa vim, qui nós avacáia êli. E o outro, mais curioso, queria saber o que era mesmo o comunismo que se anunciava que viria e o que representaria afinal. Pergunta ao compadre da cidade, homem que lia jornais, ouvia rádio, assistia televisão e conversava com o farmacêutico e o gerente do banco. E o homem da cidade explicou, então, ao ingênuo matuto: - O senhor me dá a palha de milho, o fumo de corda, o cani...

80 quilômetros horários (21 de janeiro de 1977)

Certa feita, não há muito, viajava eu para o sul do país (*) e fiquei com a atenção despertada, por algumas placas sinalizadoras de trânsito, até então não vistas por aqui. No Estado de Santa Catarina e mesmo em certa parte do Rio Grande do Sul, de vez em quando viam-se placas com os dizeres “velocidade controlada por radar”. --:-- De início associei a ideia dos aparelhos de radar, de aeroportos e navios e por razões esta estranhei que não se visse torres específicas, ao longo do trajeto. Nem mesmo nas imediações dos pontos da polícia rodoviária. Fiquei pensando que possivelmente o sistema de radar estivesse em implantação e que se tivesse antecipado, por qualquer razão, a colocação das placas. Isso raciocinei, por entender que tais avisos, de cunho oficial, não poderiam ser “de mentirinha”. --:-- Na ocasião, ainda não havia entrado em vigor o limite de velocidade máxima de 80 quilômetros, tal como ocorre hoje em dia. Apenas que nem todos respeitam essa...