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Onde vão os produtos de Marília (8 de agosto de 1973)

Não é preciso que a gente tenha nascido em Marília, para mariliense autêntico ser, para gosta da cidade. --:-- Contou-me meu amigo Hilario Tosoni, que tendo visitado Porto Velho pela primeira vez, lá só viu macarrão da marca “Marilan” e balas “Ailiram”. E que ficou muito satisfeito. --:-- Certa feita, encontrava-me no Recife, em Bela Vista. Entrei numa farmácia do centro, para adquirir analgésico. O estabelecimento, além de sua venda natural de medicamentos e drogas, apresentava outros dois ramos de negócio: tinha uma bomboniere e uma banca de jogo-do-bicho, que lá é livre e “corre” duas ou três vezes por dia. Uma garotinha aproximou-se do balcão da bomboniere e pediu cinquenta centavos de “balas de São Paulo”. A balconista, sorridente, explicou que todas balas “eram de São Paulo”. Mas a menina apontou um dos vidros-recepientes e disse: “dessa ai”. Eram balas “Ailiram”. --:-- Topei, no sertão da Bahia, um Volks de Marília. Quem o dirigia era um n...

Kobes, a fiação mariliense (7 de agosto de 1973)

O jornal “Diário de Notícias”, do Rio de Janeiro, edição de 31 do último mês (julho), em sua página 9, na secção “Diário Econômico”, publica: “Dois grupos econômicos japoneses – Marubeni e Kobe Kiito – e um brasileiro – Zillo Lorenzetti – criaram ontem, em São Paulo, uma empresa agroindustrial, com séde em Marília, para se dedicar à produção de seda natural. O investimento inicial é de Cr$ 1 milhao, mas até 1976, deverá situar-se em Cr$ 10 milhões”. --:-- Mesmo órgão da imprensa carioca, do dia 2 último, à página 5, na coluna “Periscópio”, uma das mais importantes secções econômicas do mesmo diário, abriu a coluna com a seguinte manchete: “Poderoso grupo japonês vai fazer seda em SP”. E a seguir, a notícia assim redigida: “Ao contrário das previsões pessimistas, todos os dias surgem notícias de investimentos estrangeiros no Brasil. Agora surge a informação, sem maiores detalhes, mas verídica, de que um poderoso grupo japonês, reunindo duas “tradings” de fama – M...

Sinal (mau) do tempo... (4 de agosto de 1973)

- Agola que carne subiu, zente ploculando mais ovo e verdula. Preciza subi preço também de ovo e verdula... (Assinado: japonez da quitanda) --:-- Garante-me retalhista, meu amigo, que os açougueiros não tem culpa alguma, dessas “sistemáticas” da alta constante do preço da carne vendida em Marília. Bem, eu também não sou culpado. Será que a culpa da alta constante do preço da carne não é do técnico do Corinthians? --:-- Costumam falar em carne verde. Confesso que nunca via carne dessa cor. Acho que o distinto que classificou a carne vermelha de carne verde, ano possuía carta de motorista. Deveria ser daltônico. --:-- Tem um escritor famoso, que certa fez meteu os pés pelas mãos. Foi quando escreveu que a carne é fresca. --:-- Desta vez, foi a primeira a acontecer: a carne subiu de preço, antes do aumento do custo da gasolina! --:-- O negócio que é uma boa pedida, deve ser, por certo, a gente rumar para o Cambodja. Os jornais nã...

Um receio justificado (3 de agosto de 1973)

Antigo banco paulista, o “Emissor”, saiu de sua séde própria, na confluência da Avenida com a Nove, anunciando reforma radical no velho edifício. Deram muitas pancadas no interior do prédio, em começo ritmado e não concluído, da propalada reforma. A remodelação do prédio, mal começada, acabou sofrendo solução de continuidade. Daí, surgiu a notícia: “Banespa” havia encampado o referido Banco. --:-- Então, a repetição de muitos análogos fatos que a gente já acostumou ver em Marília: um prédio central, localizado em estratégico ponto, abandonado a casa malassombrada que nos conta a antiga estória. --:-- Marília reclamando o erguimento de arranha-céus, em cuja faixa de dinamismo, já perdeu há muito para Araçatuba, Presidente Prudente, Rio Preto e Bauru. Terrenos adequados e específicos, existindo em abundância, o mesmo ocorrendo com gente financeiramente capaz disso. Há alguma pecinha necessitando de um embuchamento ou reajuste adequado. Há. --:-...

UMA ESCOLA MONUMENTO (2 de agosto de 1973)

Sala 135, ala sul, da Escola Normal de Brasília. Lá funcionava a Comissão Administrativa, dos V Jogos Estudantis Brasileiros, sob a direção do professor Francisco Afonso de Castro, com a coadjuvação do mariliense Eudes Coércio e tendo o autor desta coluna como auxiliar administrativo. --:-- Movimento inusitado, seguido, ininterrupto. Telefone tocando constantemente. A secretária, Adma Machado, introduzindo coordenadamente na sala, pessoas interessadas em resolver seus “galhos” com a administração do certame poli-esportivo referido. --:-- Regressava de uma missão junto à Comissão de Finanças, rumo à Administração, quando alguém gritou pelo meu nome. Olhei para uma sala, local de onde tinha partido a voz. Vi um homem sorridente, acenando-me. Grande, de barbas negras bem tratadas, que de súbito não identifiquei. Ao aproximar-me, pude reconhecê-lo, apesar de há muitos anos sem contacto. Um mariliense: Otavio de Almeida Lignelli. Após os abraços, apre...

Gosto não se discute (1 de agosto de 1973)

É isso aí. Já andei por vários pontos destes brasis. Conheci o Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Guanabara, Bahia, Alagoas, Ceará, Pará, Amazonas, etc. Até há pouco, não havia conhecido a Capital Federal. --:-- Por mais de duas semanas, estive em Brasília, recentemente. Em funções de trabalho, percorria diariamente a cidade. Meus leitores desculpem: não gostei de Brasília. Pelo menos para ali residir, não gostei. --:-- Convém explicar: Em têrmos de planejamento arquitetônico, em esquematização urbana, Brasília está excelentemente equacionada. Em beleza, também. Não gostei da padronização, da estandardização. O objetivo desse padronizamento urbano, fére os gostos, as metas e as possibilidades dos brasilienses. Tudo tem que ser cingido ao esquema inicial, é imutável. Brasília não cresce para o alto, como ocorre com os demais grandes centros do país e do mundo. --:-- Setores representam ...

Retornando... (31 de julho de 1973)

Reaparece esta coluna, após uma ausência compulsória de pouco mais de duas semanas, espaço-tempo em que me distanciei de Marília, anuindo à convite do Departamento de Educação Física e Desportos, do Ministério da Educação e Cultura. Nesse período, participei como integrante da Comissão Administrativa dos V Jogos Estudantis Brasileiros, que reuniu em Brasília, mais de 5.000 atletas, representantes de 26 Estados e Territórios nacionais. --:-- Um certame poli-esportivo, de cunho oficial, onde modalidades do esporte amador tiveram presente e disputas renhidas. Voleibol masculino e feminino; basquete masculino e feminino; xadrez masculino e feminino; handebol feminino e masculino; arco e flexa, também dos sexos; hipismo; ginastica olímpica e moderna; e judô. Fez-se presente também, como elemento de ilustração e diversão, o folclore representativo de todos os Estados participantes. --:-- Dentre atletas, dirigentes, técnicos, elementos da imprensa e árbitros de var...