sábado, 4 de agosto de 2012

Sinal (mau) do tempo... (4 de agosto de 1973)



- Agola que carne subiu, zente ploculando mais ovo e verdula. Preciza subi preço também de ovo e verdula...

(Assinado: japonez da quitanda)

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Garante-me retalhista, meu amigo, que os açougueiros não tem culpa alguma, dessas “sistemáticas” da alta constante do preço da carne vendida em Marília.

Bem, eu também não sou culpado.

Será que a culpa da alta constante do preço da carne não é do técnico do Corinthians?

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Costumam falar em carne verde. Confesso que nunca via carne dessa cor. Acho que o distinto que classificou a carne vermelha de carne verde, ano possuía carta de motorista. Deveria ser daltônico.

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Tem um escritor famoso, que certa fez meteu os pés pelas mãos. Foi quando escreveu que a carne é fresca.

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Desta vez, foi a primeira a acontecer: a carne subiu de preço, antes do aumento do custo da gasolina!

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O negócio que é uma boa pedida, deve ser, por certo, a gente rumar para o Cambodja.

Os jornais não vivem anunciando que no Cambodja existe muita carni... ficina?

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Aquele autêntico doido varrido (e encerado), que afirmou que no futuro a gente iria comer capim, vai acabar sendo glorificado!
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Preocupação de um comerciante do gênero de calçados:

- Juquim... suviu a carne... aumente o preço do vorzeguins.

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Chefe de família econômico, já não vai mais bater de cinta nos filhos, só para economizar o couro, que também subiu de comum acordo com a carne.

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Carne subiu. Couro subiu também. Mas o quédis, o tênis, o “pé-de-anjo” não tem couro... e agora, José?

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Vai ter que acabar essa moleza de gente ficar o dia todo na Avenida, enchendo linguiça. Linguiça é feita com carne e carne custa caro.

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Antigamente, quando uma coisa éra comum demais, presentemente seguida, conhecida e batida, costumava-se dizer que era uma “carne de vaca”. Ah! os bons tempos!

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Quero ver, como é que vão fazer agora, aqueles distintos que costumam vender coxinhas de galinha, feitas com carne de vaca, moída.

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Com o preço da carne, tem muita gente gorda, que está arriscando muito, em sair calmamente pelaí.

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Do jeito que subiu o preço da carne e também consequentemente do couro, até a polícia vai ter que fazer economia. Não vai poder “dar couro” assim à torta e à direita...

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Vocês vão ver: daqui há algum tempo, vai subir tudo o que tenha leite na sua confecção, inclusive o próprio dito. Mas, onde entra a carne nesse negócio?

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Ribamar, do MAC, vai ter dificuldades para contratar novos jogadores. Os craques vai pedir mais aumentos pelo próprios “passes”. E vão justificar, muito tranquilamente:

- A carne subiu... sacomé...

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Não vão se admirar, se o preço dos transportes pessoais subir também. A justificativa vai saltar aos olhos da cara: subiu o preço da carne.

Não era assim que se fazia com os aumentos da gasolina e derivados de petróleo?

Extraído do Correio de Marília de 4 de agosto de 1973

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