quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Onde vão os produtos de Marília (8 de agosto de 1973)



Não é preciso que a gente tenha nascido em Marília, para mariliense autêntico ser, para gosta da cidade.

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Contou-me meu amigo Hilario Tosoni, que tendo visitado Porto Velho pela primeira vez, lá só viu macarrão da marca “Marilan” e balas “Ailiram”. E que ficou muito satisfeito.

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Certa feita, encontrava-me no Recife, em Bela Vista. Entrei numa farmácia do centro, para adquirir analgésico.

O estabelecimento, além de sua venda natural de medicamentos e drogas, apresentava outros dois ramos de negócio: tinha uma bomboniere e uma banca de jogo-do-bicho, que lá é livre e “corre” duas ou três vezes por dia.

Uma garotinha aproximou-se do balcão da bomboniere e pediu cinquenta centavos de “balas de São Paulo”. A balconista, sorridente, explicou que todas balas “eram de São Paulo”. Mas a menina apontou um dos vidros-recepientes e disse: “dessa ai”.

Eram balas “Ailiram”.

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Topei, no sertão da Bahia, um Volks de Marília. Quem o dirigia era um nissei. Estava vendendo implementos agrícolas da firma mariliense Sassazaki.

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Nos confins do sertão mato-grossense, o macarrão que ali encontra com facilidade, é sempre do Pastifício Marília.

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Certa feita, em Serra Negra, entrei no Bar Americano e estabeleci conversa casual com um jovem, que se identificou como sendo de Belo Horizonte. Quando soube que eu era de Marília, confessou que tinha muita vontade de conhecer esta cidade.

Dirigiu-se ao seu automóvel e de lá voltou entregando-me um pacote de balas sortidas, de apresentável embalagem, dizendo:

- Trabalho com isso. Veja que linha de excelente produto. Mas tenho muita dificuldade de entrar no mercado de balas, porque uma firma lá de sua cidade domina por completo toda minha zona. É uma tal de Ailiram, que vende uma linha de produtos bastante invejável.

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Recentemente estive em Brasília, participando da Administração dos Jogos Estudantis Brasileiros, certame nacional que reuniu mais de 5.000 estudantes na Capital Federal.

Fazia a maioria das refeições, no restaurante da Escola Normal, onde trabalhava. Lá comiam as delegações de São Paulo, de Brasília e do Pará, além de juízes e técnicos e o pessoal dos diversos órgãos administrativos.

A “bóia” era servida “à americana”, com todo o pessoal entrando em filas, apanhando bandejas tipo militar, para ir recolhendo a comida por etapas. O feijão, arroz, carne, salada, frituras, pão, leite ou suco e a sobremesa.

Invariavelmente, três ou quatro vezes por semana, a sobremesa era representada por produtos Ailiram (doce de leite, paçoquinha, goiabadinha, etc.)!

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E a verdade, é que a gente sente uma sensação agradável, estando fóra de Marília e lembrando a cidade obrigatoriamente, especialmente vendo em outras plagas, produtos e nomes marilienses.

Então, a gente convence-se: é gostoso ser mariliense.

Extraído do Correio de Marília de 8 de agosto de 1973

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