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Feliz Natal, leitores! (25 de dezembro de 1957)

Nésta data magna da Cristandade, no dia em que comemoramos o transcurso do nascimento do Filho de Deus, vamos fazer uma pausa na variedade de assuntos habitualmente focalizados nésta coluna. Ao assim procedermos, temos em mira, unicamente, o apresentar aos amáveis leitores do “Correio”, especialmente àqueles que nos distinguem com a leitura de nossos modestos escritos, os sinceros votos de um Feliz Natal. Natal! Dia de alegria, de felicidade. Até a natureza procura cooperar com a satisfação das gentes em todos os 25 de dezembro. Os semblantes irradiam algum explendor, traduzindo nos abraços-amigos trocados entre os que se estimam. Um dia de alegria, que todos procuram comemorar com alegria. Um dia feliz, que todos tentam passar dentro da mais indestrutivel felicidade. Nos últimos dias, vimos a cidade apresentando um movimento desusado. Gente, humilde ou abastada, nova ou velha, preta ou branca, ondulando as ruas, adquirindo alguma coisa ou não. Uns observando vitrines, outros comprando...

O Foguete Brasileiro (24 de dezembro de 1957)

Verdadeiramente, o lançamento do foguete brasileiro explodiu como uma bomba! Não pela incapacidade do nacional, mas pelo sigilo que envolveu as operações, pela modéstia dos trabalhos e pelas indiscutíveis deficiências técnicas de nossas arrojadas e necessárias indústrias. É bom esclarecer devidamente a alusão sôbre “deficiências técnicas” acima. Falamos no sentido geral, em relação à equipagem de vulto nacional, cujo parque é falho e dependente do mercado exterior. Falamos do escasso material humano especializado, por falta de escolas capazes de ensinar, sem que tenhamos que recorrer a favores de nações amigas. Apenas isso. Voltando ao foguete: Tudo deve ser encarado de modo proporcional. Se isto fizermos, não há dúvida que teremos que nos orgulhar e louvar os militares da Escola Técnica do Exército que trabalharam nesse mistér. Se atentarmos para a fraca equipagem que dispomos nêste sentido, os estudos relativamente iniciais, a falta de recursos financeiros adequados, a escassez da ap...

Democracia X Monarquia (21 de dezembro de 1957)

Para o autor destas linhas, o pensamento encerra um sentido esdrúxulo. Cremos que para muita outra gente também. O fato é que tenta-se, mais uma vez, o restabelecimento do regime monárquico no Brasil! Existe quem deseje (lutando ao mesmo tempo, pela instauração da monarquia), um Rei brasileiro. O Movimento Patrianovista empenha-se agora numa luta de propagação de suas idéias acerca da implantação do regime monárquico no país, destituindo, em consequência, o atual sistema político. Teremos, se o número de adeptos da idéia fôr concreto, a luta entre as duas forças. Não cremos, no entanto, nessa possibilidade, como não acreditamos, de forma alguma, em probabilidade da modificação do regime democrático. Declaram os partidários dêsse movimento, que, “sem rei, não há união nacional”. E acrescentam: “Só a doutrina monárquica salvará a Nação. Não há outra solução. Há 68 anos que nos impuseram viver dentro de um regime espurio. Há 68 anos que nos mentem, nos prometem, nos engodam, nos atrapalha...

Ser deputado é bom (19 de dezembro de 1957)

Póde parecer despeito ou inveja, mas não é. Ser deputado é bom e bastante lucrativo, além de trazer incontáveis vantagens para quem usufrui essas qualidades. O deputado desfruta daquilo que se chama “imunidade parlamentar”, isto é, um privilégio que de certo modo, contraria os próprios postulados do regime democrático, uma vez que situa um separativismo de desigualdade, frente aos demais cidadãos. Deputado vive cercado de “filhotes políticos” que o endeusam e dêle esperam empregos e apaniguacoes. Em troca, conquista esperançosos “cabos eleitorais”, recebe frangos e presentes, principalmente por ocasião das épocas de fins de anos. Desfruta de descontos especiais em muitos hotéis grã-finos. Goza de abatimentos em algumas companhias de transporte e tem “passe livre” em outras. Ganha, honestamente, verdadeiras fortunas mensais. Isto sem contar-se com as oportunidades imorais que se lhe oferece, para consideráveis “mordidas” e ganhos “por baixo do pano”. Agora, a própria Assembléia Legislat...

Natal dos póbres (18 de dezembro de 1957)

Se as manifestações de apreço e aplausos que chegaram até nós, com referência à um comentário que fizemos, sôbre o Natal das crianças pobres, tornarem-se efetivas, vai acontecer muita coisa boa êste ano. Diversas pessoas nos telefonaram ou nos procuraram, para indagar os meios que deverão utilizar, a fim de que cheguem aos meninos e meninas da Filantrópica e do Lar da Criança, alguns brinquedos de Natal. Despertaram nessa intenção, depois de nosso modesto e despretencioso comentário. A todos, dissemos exatamente aquilo que escrevemos não há muito: que se ponham em contacto com as diretorias dos respectivos estabelecimentos assistenciais. O que fizemos, foi apenas um trabalho jornalístico, no qual condensamos uma idéia, considerada útil. Nada mais. Agradecemos os aplausos que nos foram endereçados. Nenhum dêles é merecido, uma vez que apenas procuramos lembrar uma situação que deve ser lembrada. Realmente, muita gente pode dispender uma pequena parcela de seus orçamentos, para comprar u...

Placas indicativas de ruas (14 de dezembro de 1957)

Nada como dar tempo ao tempo – diz um antigo brocardo. Não há muito que o fato aconteceu. Uma “firma” invadiu a cidade, alugou salas num edifício local, mobiliou escritórios, contratou espetaculares “brotos” e ludibriou a boa fé da Prefeitura e da Câmara Municipal. Propunha-se instalar na cidade, placas indicativas dos nomes das vias públicas, a exemplo das que existiam em Nova Iorque, Rio, São Paulo etc.. Um comércio, sem dúvida. Acontece que tudo é comércio e desde que o comércio fosse legal, honesto e de resultados concretos, nenhuma oposição poderia surgir. Tudo, de início, correu às mil maravilhas. Os malandros conseguiram levar “no bico” muita gente boa de Marília. Apresentaram-se aos comerciantes e industriais com uma fenomenal bagagem de “referências”, sendo-lhes facil a obtenção de seus desideratos. Muita gente concordou em “colaborar” com a cidade, embelezando vias públicas proporcionando aos forasteiros um serviço indicativo e nominativo das ruas da cidade. Sucede, que, desd...

“Papai Noel” (13 de dezembro de 1957)

A “vinda” do bondoso velhinho de barbas brancas é uma tradição imutável, terna e cristã. Representa alegria, quasi sempre significa presentes. A garotada aguarda ansiosa, o dia magno da Cristandade; a maioria sem bem aperceber-se da grandeza da data. Os coraçõeszinhos infantis, distantes do aquilatamento da realidade dos fatos, exigem e esperam a ‘chegada’ do “Papai Noél”. Aqueles cujos pais encontram-se em condições – com sacrifícios ou não – de convocar a “vinda” do bom velhinho, são verdadeiramente felizes. Pódem ser contemplados com o clássico presente de Natal, seja grande e custoso, seja simples e pequeno. E os dos pais póbres? Daqueles que sendo chefes de família, mal pódem suportar as agruras da subsistência de um lar? Muitas crianças, jamais tiveram a oportunidade de receber um presente do “Papai Noél”. Devem considera-lo um ingrato, um separatista, que faz diferença entre filhos de rico e de pobre. E tem razões. A vida de hoje, caríssima e difícil, faz sofrer não só a classe ...