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O desarmamento universal (30 de maio de 1957)

Publicou há dias a imprensa paulistana, um telegrama procedente de Washington, acerca do desarmamento universal, partindo inicialmente pelos Estados Unidos e Moscou. Limos com bastante ceticismo o teôr do aludido despacho e no momento passou-nos pela mente aquela anedota do velho cabelo que chamou a filha “às falas”, quando percebeu que a moça, já bem formada, alimentava idéias de casamento. Dissera-lhe então o pai: “Minha fia, vancê já tá na idade de casá. Vancê deve sabê qui seu pai é home bão i num vai impedi seu casamento cum ninguém. Vancê pode casá cum quem quisé, desde qui seja cum u Belarmino, fio du cumpadre Bastião”... Moscou e USA, armados até os dentes, aperfeiçoando dia a dia os mais terríveis engenhos de guerra, vez por outra externam planos de desarmamento universal, um defendendo o fato para diminuir a tensão do mundo, outro lutando “pela paz”. Como dois garotinhos que pretende “varar” o circo, tendo medo de serem apanhados pelo “guarda do lado de dentro”, um fica conve...

Um banco bem mariliense (29 de maio de 1957)

Transcorre hoje a data do 15º aniversário da fundação do Cooperativa Banco de Marilia Limitada, sem favor algum, um dos grandes empreendimentos que formam o rosário das grandes iniciativas da gente mariliense. Criado pelo decreto federal nº 10.780, o Cooperativa Banco de Marilia Ltda. éra instalado nesta data, no ido ano de 1942. De início, a junção de idéias de um grupo de cidadãos, que pretendia dar à Marilia um estabelecimento de crédito à altura de suas necessidades, especializado no setor de cooperativismo bancário. A idéia, se bem que explêndidamente recebida, de início tornou-se, como é lógico, um poço de dificuldades. Os idealizadores da empreitada, no entanto, alimentando o propósito firme, lançaram-se à luta, conquistando a recompensa trazida pela vitória do sonhos e das lutas, tornada em realidade. Hoje, o “Copeban” é aquilo que traduz a grandeza da iniciativa privada, formando no ról dos grandes empreendimentos que enriquecem o progresso de Marilia. Com séde própria, à Rua ...

A instalação da Faculdade (28 de maio de 1957)

O diploma legal criando a Faculdade de Filosofia Ciencias e Letras em nossa cidade, já é uma realidade, como todos sabem. Os primeiros passos foram dados, premiando dois lustros de luta dos marilienses, que, por todos os meios e com todas as suas forças vinham defendendo tal reivindicação justa e necessária ao próprio povo, não só de Marilia, como tambem da própria região. A lei condicionou a instalação, no edifício em construção do Educandário “Dr. Bezerra de Menezes” de nossa cidade. Posteriormente, segundo sabemos, existiu um manifesto interesse para que tal curso oficial superior fosse instalado no prédio da Av. Vicente Ferreira, onde ha tempos funcionou a Fiação de Seda do Comendador Cristiano Altenfelder Silva. Quer nos parecer que a situação ainda está no mesmo pé, apesar de que já estamos no meio do ano e a Faculdade deverá funcionar em 1958. Tivemos a oportunidade de manifestar, a respeito, o nosso ponto de vista: Não somos contra a instalação da Faculdade no “Bezerra de Menez...

Preços de medicamentos (25 de maio de 1957)

Há algum tempo, conversando com certos amigos num bar da Avenida, entre os quais se encontrava um colega de imprensa, estava êste sendo “gozado” por uma terceira pessoa, que dizia que o citado jornalista só escrevia sôbre a alta do custo de vida, quando a proprietária do hotel que habitava, elevava o preço da mensalidade da pensão. E o rapaz confessou, na ocasião, dizendo que de fato tal era verdade, pois costumava escrever aquilo que conhecia e sentia. Tal lembrança ocorreu-nos agora, depois de termos passado, ainda ontem, por uma “escalpelada” tremenda, quando tivemos necessidade de recorrer a uma farmácia. Ficamos boquiabertos, não pela alto dos preços, que já faz parte de nossa vida atual em todos os setores, mas sim, pela proporção incrível como vem se verificando ultimamente. O farmacêutico nos esclarecia então, que as variações das drogas e medicamentos, registradas nos últimos tempos, têm batido um verdadeiro “record” em velocidade, não cabendo culpa às farmácias, que mantêm, c...

Candidato de Marília (23 de maio de 1957)

De uma pessoa que se assinou Maria Martha, recebemos ha dias uma atenciosa missiva, congratulando-se conosco pelos modestos artigos diários que aqui publicamos, e, no mesmo tempo, inquerindo-nos das razões “por que a campanha pró candidato de Marília foi interrompida”. Preliminarmente, nossos agradecimentos aos conceitos emitidos acerca de nossos despretensiosos escritos, uma vez que a correspondente foi excessivamente gentil em elogios; quanto a campanha referida, foi a mesma lançada prematuramente, por necessidade imperiosa aos próprios interesses do povo mariliense. Concordamos em parte com os dizeres da missivista, em que nem todos darão a devida atenção ou analisarão com verdadeiro amor por Marília, os motivos preconizados por nós, da necessidade imperiosa que temos em “fazer” um ou dois (no mínimo) deputados, nas próximas eleições. Sabemos disso, por experiência própria, uma vez que não é esta a primeira vez que participamos desse jogo, perdendo sempre. Em todo o caso, o que prev...

Mesa Redonda Municipalista (22 de maio de 1957)

Depois de amanhã, sexta-feira, às 21 horas, no palco auditório da Rádio Dirceu, terá lugar importante “mesa redonda”, quando os representantes marilienses ao IV Congresso Brasileiro de Municípios recentemente realizado no Rio de Janeiro, terão o ensejo de conversar com o público mariliense, prestando contas dos trabalhos da delegação de Marília ao referido conclave nacional. Será, sem dúvida, um acontecimento democrático de grande repercussão, onde a referida emissora franqueará seu microfone aos municipalistas locais para esclarecimentos ao público e onde os nossos delegados terão a oportunidade de relatar com abundância de pormenores, as ações da representação mariliense ao aludido certame municipalista. A propósito, recordamos, que não ha muito, fizemos alusões ao aludido congresso dos municípios, tendo manifestado nosso ponto de vista de que em efetividade e reais resultados, o IV Congresso Brasileiro de Municípios, havia, em parte, constituído-se num autêntico fracasso. As pondera...

No passado, tanto como no presente... (21 de maio de 1957)

Conversamos outro dia com um companheiro de trabalho e ao par de uma série de assuntos normais e naturais da palestra, veio à baila, aquilo que vez por outra comentamos nésta coluna e que é tambem objeto de apreciação por inúmeros cronistas, não só da Capital como do interior: as dificuldades e alta dos preços. E nosso companheiro nos asseverava, que, desde que principiou a conhecer-se por gente, sempre ouviu as mesmas reclamações acerca de que “tudo está caro”, “tudo está difícil”. A propósito, citava-nos o caso de um médico mariliense, que, não ha muito, numa viagem pelo velho mundo, visitou o museu egípcio em Londres. Naquele estabelecimento histórico, o esculápio viu uma carta escrita 2.000 anos Antes de Cristo, em cujo conteúdo, ao par de assuntos corriqueiros e de família, o missivista reclamava que “tudo estava caro, que a vida estava difícil e que a mulher lhe éra fiel”. O tradutor do precioso documento, acrescentara um adendo ao mesmo, que o seguinte comentário: “Naqueles temp...