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20 ANOS SEM JOSÉ ARNALDO (1922-1999)

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HERÓI DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NA TOMADA DE MONTE CASTELLO, NA ITÁLIA + JORNALISTA + COLUNISTA DO CORREIO DE MARÍLIA POR MAIS DE 40 ANOS + NACIONALISTA + BAIRRISTA + DEFENSOR DOS DIREITOS DO CIDADÃO EM MARÍLIA, EM SÃO PAULO, NO BRASIL E NO MUNDO.

A nova sinalização do trânsito (14 de junho de 1983)

Delegado de Trânsito e presidente da Comissão Municipal de dito Trânsito deu roupagem nova à sinalização oficial em toda a cidade, especialmente no centro urbano. Motorista que não tenha obtido carteira por telefone e que tem por obrigação conhecer os sinais oficiais consubstanciados no Código específico, não tem nenhuma razão para ser infrator. Basta observar e obedecer a sinalização. Só isso. Todavia, convém o motorista fazer os sinais convencionais e compulsórios de conversões. Em palavras outras, ligas as setas direcionais, para orientar os semelhantes. Nada custa, não quebra osso e demonstra que no volante de um veículo existe uma criatura consciente e conscientizada, que respeita a Lei e, sobretudo, detentora daquilo que se chama comezinhamente “educação”. --+-- O Fundo Mundial de Vida Selvagem está dando divulgação a um relatório, informando sobre a realização que discutiu medidas de proteção às baleias. A convenção, de fundo internacional, realizou-se em Botsuana...

Cabo do Exército (06 de junho de 1983)

Foram muitos anos. Foi em 1943. Eu me encontrava servindo o Exército. Tinha a graduação de Cabo. Havia um curso geral de Transmissões, que me habilitava ao grau de 2º. Sargento. Executava funções que tais, assim era considerado, mas não havia na ocasião sido ainda promovido, por falta de vaga. O que vale dizer, operava como Sargento e recebia como Cabo. Fôra designado para ministrar aulas de comunicações radiotelefônicas aos pelotões de transmissões de duas companhias de fuzileiros. No Exército, quem leciona não é professor. É monitor. Eu era monitor. Era uma segunda-feira. Sol escaldante. Eu havia recebido simplesmente a ordem de ensinar. Nenhum programa, nenhum currículo, nenhum diagrama. Cabia-me, então, aquilatar até que ponto os soldados haviam progredido ou estacionado nos estudos daquela área, para poder ministrar o temário improvisado e a meu bel escolher. Era assim. --+-- Apresentei-me ao comandante de uma das companhias para a qual eu fora designado. Este enc...

Bate papo com um caboclo (24 de maio de 1983)

Comentei, em especial, um bate papo estabelecido com um caboclo, possivelmente analfabeto de pai e mãe. Como havia dito, em se tratando de um homem de pouca escolaridade, por isso mesmo uma pessoa inculta, mesmo com seu linguajar distanciado da gramática e da pronúncia vernacular exata, vi no caipira um espírito arguto e uma criatura de profundo sentido observatório. Dentre outras coisas e além dos motivos por mim revelados, disseram-me outros pensamentos através de sua palestra espontânea e de certa forma previamente sensata. Por exemplo: - Parece que o eleitorado brasileiro não está ainda convenientemente preparado para a abertura política local. Ele ainda vota em barganha, em coronéis, em pessoas que prometem empregos ou vantagens. - O Governo da Revolução está certo. Quem não está certo é o escalão de seus administradores e ajudantes. Estes, ou ocultam do Governo a verdade, ou distorcem os fatos e informam de maneira errônea, porque não é acreditável que o Gove...

A maioria não (22 de maio de 1983)

Deus fez o mundo em seis dias. No sétimo, descansou, após concluída a grande tarefa. Hoje é domingo, dia de descanso. Para a maioria. Há os que não descansam, que estão no batente, por questões obvias e atinentes de deveres próprios. A maioria, não. A maioria não agarra hoje. Não trampa, como dizem os giriomaniacos. Mas há uma outra maioria. Essa, a que consegue descansar de segunda a domingo, de janeiro a dezembro, ininterruptamente. Esse só engana que trabalha. E que, indiscutivelmente, vive melhor, bem melhor, do que os que trabalham no duro, de sol a sol, de segunda a domingo, de janeiro a dezembro. Como é dia descanso, coluna descansa do rotineiro, de sua linha habitual, de sua conduta normal. Nada de citar-se as altas de preços, as elevações do custo da gasolina. Nada de comentar as teorias do Ministro Delfim Neto, sua numerologia equacional, aquela que sem solução equacionatória para o zé povinho. Zé povinho vai assistir futebol hoje. Santos e Mengo, doi...

A emoção da primeira vez numa redação de jornal (21 de maio de 1983)

Quando, pela primeira vez, fui ter à redação de um jornal, minha emoção se irradiava com a mais absoluta certeza. A expectativa transpirava, mesclada de um certo temor e enorme ansiedade. Levava na mão duas colaborações manuscritas: o fragmento de um miniconto, eivado de um péssimo humorismo e um poema em sextilha – todo calouro em jornalismo ou literatura gosta de escrever poemas e poesias líricas. Seo Eloy era o redator-chefe, o repórter, o revisor, o diagramador do jornal. Tinha que ser um eclético, porque o proprietário do hebdomadário tinha outras atividades e naquele tempo, ser dono de jornal era apenas um “status”, somente que mais elevado e mais dignificante do que ser proprietário de um barra ou um empório. Pediu-me que deixasse os originais, pois ele estava muito ocupado. Que passasse dias após, para saber o que ele pensaria dos escritos. Agradeci, com um sorriso amarelo, e saí. --+-- Dois dias após, voltei ao jornal. Seo Eloy me recebeu de modo diferente. Ma...

1934 ou 1935? (19 de maio de 1983)

1934 ou 1935, era o ano. Não consigo precisar muito bem, pois eu era criança ainda e o enfoque que aqui passarei a referir, não exercia sobre mim nenhum fascínio e nem tão pouco me motivava. Visava-se eleger o Presidente do Estado de São Paulo – naquela época era Presidente e não Governador. Me parece que Júlio Prestes era o candidato forte. O outro, se não me falha a memoria, era o Campos Salles. Isso não importa, deixemo-lo para lá. Os partidos eram dois. O PRP – Partido Republicano Paulista – e o Partido Constitucionalista, PC. Os homens só falavam sobre as eleições. O eleitor, regra geral, era menos culto que o de hoje (1983) . Isto, vale lembrar, que as eleições só poderiam ser bagunçadas e de péssimas escolas. O interesse era o mesmo de hoje: vantagens e empregos. Lembro que um amigo de meu pai, semianalfabeto, que nem siquer sabia o que é um comprimido de aspirina, que nenhuma noção tinha sobre farmácia, laboratório ou medicina, fôra nomeado pelo Governo, Chefe do C...