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Dona Helena e o nervo do dente (06 de agosto de 1976)

Eu deveria ter mais ou menos 9 ou 10 anos de idade. Meu pai determinara-me ir até o sítio de uma família italiana, a-fim de fazer determinada cobrança a uma pessoa que era conhecida como Zé Alagoano. Percurso duns quatro ou cinco quilômetros, mas que parecia mais longo, pois era feito a pé, através de pequenos “trilhos” ou “corredores”, no meio de pastagens e cafezais. --:-- Ao chegar ao destino, fui atendido pela esposa do Zé Alagoano, pois ele estava na lavoura. A mulher orientou-me e fui procurar o homem, encontrando-o afinal. Informei-lhe do motivo da minha ida até alí e o mesmo respondera que só na semana entrante é que ele teria condições de solver o compromisso. --:-- No regresso, dispuz-me a mudar de trajeto e passar pelo sítio do Tião Alves – todos o chamavam de Tião Árvi. O filho do Tião, o Arcídio (deveria ser Alcides) havia-me prometido um filhote de papagaio e eu fui até lá para ver se o mesmo já havia conseguido apanhar o filho de ave. ...

Assuntos sobre vereança (05 de agosto de 1976)

Um leitor veio indagar-me, se havia realmente acontecido o caso do candidato a vereador que só teve um voto, caso esse aquí revelado alguns dias atrás. Aconteceu, sim. E, como ao mesmo citado candidato a justiça eleitoral só contou um voto, deduz-se que nem a própria esposa votou no fulado. --:-- Também o caso de um outro candidato daqui de Marília, que não obteve um voto siquer, é verdadeiro. Este jornal noticiou o resultado oficial na devida ocasião. O fato do mesmo não ter tido siquer o seu próprio voto só pode ser justificado de duas maneiras: ou por uma questão de escrúpulo o mesmo te votado em outro nome, ou, então, seu voto próprio ter sido, por qualquer razão, anulado. O certo é que esse cidadão não teve siquer um voto. --:-- Certa feita, comunistas escreveram num muro que existia no local onde hoje está o Paço Municipal, que a Standard Oil iria “engolir” o Brasil. E um vereador mariliense, discursando sobre o assunto, afirmou que duvidava que...

O enjôo vem depois (04 de agosto de 1976)

Dentre alguns dos muitos nomes já oficialmente anunciados como candidatos à vereança municipal, para a disputa do pleito a ferir-se em novembro vindouro, pode-se perceber que nem em todos os aspectos atendeu-se o imperativo da viabilidade de sucesso. --:-- Sob alguns prismas, chega-se a subentender de que a preocupação cingiu-se mais ao círculo de quantidade qo que propriamente de qualidade. --:-- Não se pretende, com tais considerações, o menosprezar ou mesmo insunuações à falta de competência de alguns desses referidos cidadãos. Nem tão pouco restringir as faculdades e as liberdades de escolha e opções que se configuram na nossa própria Constituição. O que se deve analisar é que não são todos esses conhecidos nomes que estão perfeitamente a altura do desempenho do mandato da vereança. --:-- Ora, se existe certa faixa da população local que se manifestou já aversa ao comportamento de alguns de nossos atuais vereadores, é esquisito o conceber-se que nomes...

Noticiazinhas (03 de agosto de 1976)

A Feira da Fraternidade atingiu seus objetivos, quais seja a amealhamento de recursos, destinados à fins de benemerência. Como primeira realização do gênero, pode-se mesmo acreditar que completou-se em suas finalidades. Público prestigiou e entidades assistenciais beneficiaram-se reforçando suas caixinhas, para melhor desobrigarem-se de suas funções assistenciais. --:-- Agosto normalmente é o mês das queimadas, época em que os agricultores põem fogo em determinadas áreas, com o objetivo de facilitar as capinas e os destocamentos. Todavia, a par dessas providências que já fazem parte da própria sistemática agrícola, deve-se ter em conta também que pessoas desocupadas ou irresponsáveis, costumam atear fogo em capinzais e plantações a beira de rodovias, num gesto autenticamente criminosos. --:-- As cancelas da Fepasa – as “bicheiras” de Marília – continuam irritando todo mundo. O tráfego e as manobras das locomotivas e composições são inevitáveis. Todavi...

Língua de Trapo (29 de junho de 1974)

Certo amigo presenteou-me, não há muito, com um livro velho. O autor, Berilo Neves. Publicação da Livraria Civilização Brasileira S. A., edição de 1934. O título do livro é “Língua de Trapo”, uma exuberância de aforismo e paradoxos, focalizando as filhas de Eva. Minhas leitoras que desculpem, mas vou transcrever alguns parágrafos de “Língua de Trapo”. Vejamos: “A mulher não é criatura de Deus. Deus só fêz a mulher por insistência de Adão, que achava monótono o paraíso. Logo, Deus não tinha a intenção de criar a mulher. Logo, Deus é mesmo oniciente. O homem é que é tolo”. --:-- “Óra, como a mulher foi feita sob encomenda, para o homem, achou Deus que não deveria fabricá-la com o mesmo material com que fizera Adão. Fê-la de uma costela, o que quer dizer, de um osso… Por isso é que não vale a pena discutir com as mulheres”. --:-- “A mulher foi feita (são os livros sagrados que o dizem) durante o sono de Adão. Desde ai, os homens ficaram com medo de dormi...

Estação Rodoviária (28 de junho de 1974)

Não sei se mesma pessoa, ou a mesma idéia. Se imitação ou coincidência. Se o acaso. O fato é que escreve-me determinado leitor, em data recente, fazendo sugestão já apresentada e divulgada inclusive por outro hebdomadário da cidade. Sobre o assunto rodoviária. --:-- A sugestão condensa um ponto de vista que, embora tenha sua respeitável validade, enfeixa também impraticabilidade e certa incoerência. --:-- Nessa opinião, o missivista “chove no molhado”, achando por bem que a prefeitura fizesse doações de áreas específicas às empresas de ônibus que servem o município, estas ficariam no dever de erguer e instalar seus próprios pontos de vendas de passagens, embarques e desembarques. --:-- Parece que o “calcanhar de Aquiles” reside exatamente no fator “terreno”, que a prefeitura não dispõe adequadamente e assim de chofre. Óra, se uma municipalidade não tem um único terreno que se preste exatamente ao fim referido, não seria uma puerilidade, essa mesma...

Duas colaborações (27 de junho de 1974)

Do livro “Profecias de um ex-ateu”, esta “Mensagem a um alcoólatra”: Sabe porque você deve continuar bebendo? Porque sua mãe sempre sonhou em ter um filho bêbado. E sua esposa adora a responsabilidade de um alcoótra. E seu filho o vê como exemplo. --:-- Sabe porque você deve continuar bebendo? Porque o embriagado diz coisa-com-coisa. E o álcool não estraga a saúde. Deve continuar, porque a bebida é mais importante do que o arroz e o feijão. É mais importante que a paz. E traz muita segurança para o lar. --:-- Deve continuar bebendo porque os amigos acham muito bonito. E dizem que ressaca qualquer comprimido cura. Deve continuar. Porque trançar as pernas nas ruas é pitorescos e engraçado para os outros. Deve continuar. Porque a embriaguês não provoca desastre e nem leva ninguém para a cadeia. Deve continuar porque pimenta nos olhos dos outros não arde e o álcool é alimentado de primeira necessidade. Seja ...