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Um fato lamentável (04 de junho de 1974)

A coletividade mariliense vive hoje uma inusitada condição de expectativa e ansiedade, resultante de uma decisão de nossa Câmara Municipal. Certa parte da população mariliense está indisfarçadamente chocada com esse acontecimento. O assunto é do domínio público. --:-- A própria Câmara havia em passado sugerido ao prefeito, via indicação, a interdição da Estação Rodoviária local. A interdição iria criar um problema de efeitos sociais negativos: o deslocamento dos ônibus que se servem do casarão, em prejuízos dos próprios usuários desses coletivos. Por outro lado, compulsaria a paralização de diversos estabelecimentos comerciais que funcionam no antigo casarão que é a Estação Rodoviária. --:-- A proprietária do prédio não dispunha de meios para ocorrer às despesas de uma reforma consubstancial no prédio. Entendeu o prefeito que a fórmula suasória seria no mínimo uma limpesa do local, com melhores sanitários públicos e uma profilaxia em regra, com a ext...

Um “programa de saudade” (01 de junho de 1974)

Fazia um tempão que eu não visitava a Câmara Municipal. Uma tarde destas cismei de aparecer por lá para tomar um cafezinho à custa do município e bater um papo com o Toninho Neto, assessor de imprensa da edilidade. --:-- O colóquio, no entanto, foi mais elástico do que imaginava, envolvendo o Bastião – o mais antigo servidor da edilidade –, o Gino (cujo nome é Virginio), o Bentinho e sua personalidade. Justificou-se, esse autêntico “programa de saudade”. Em pretérito, fui frequentador assíduo da Câmara, por um espaço-tempo de 20 anos, quase que ininterruptos. Primei-me, durante aproximadamente duas décadas, em ser “o segundo” a chegar na Câmara, nos dias de sessões. Primeiro éra o Bastião e segundo era eu. Quase sempre antes do Juca – ex-diretor da Secretaria –, do Gino, do Miguel Scarano. --:-- O bate-papo foi gostoso, salpicando de reminiscências. O Bastião lembrou as minhas “broncas”, quando eu saia do trabalho correndo, muitas vezes sem banho, se...

“Num paga a pena” (31 de maio de 1974)

Monteiro Lobato foi um escritor diferente. Pena brilhante, sensibilidade raríssima, sabia dar um aceleramento multi-forme à sua imaginação fértil, onde a exuberância das idéias sempre fluía com a natural força e a cristalinidade das águas que jorram das cachoeiras. --:-- No ról imenso de suas publicações, destaca-se um trabalho extraordinário, que se constitui hoje num legado maravilhoso da nossa literatura infantil. Dona Benta, Pedrinho, Marquês de Sabugosa, Emília, Rabicó, além de muitos outros personagens, representam a fixação imaginativa de um rosário impressionante de estórias, amenas e gostosas, bem dosadas, bem temperadas e úteis, como até agora ninguém foi capaz de igualar. --:-- Do ponto de vista literário, Lobato fôra versátil e eclético. Com a mesma facilidade que criava estórias imaginativas infantis, abordava problemas nacionais, podendo-se afirmar que, como jornalista e literato, ninguém antes dele conseguiu abordar, com mais propried...

Engenharia biomédica (28 de maio de 1974)

Um dia destes, palestrando com o pediatra mariliense, Dr. Euripedes Battistetti, indaguei do mesmo o que vinha a ser “biomedicina”. Justifiquei o por que da pergunta: Tendo conhecido em Brasília determinado cidadão, por sinal muito bacana e comunicativo, no decurso da palestra, informou-me o mesmo ter concluído o curso de biomedicina. Confesso que não atinei sobre a especialidade profissional, mas não deixei transparecer ante esse novo amigo, minha total ignorância. Por essa razão, mais tarde, perguntei ao Dr. Battistetti o fato que estou contando. --:-- Deparo-me agora com uma outra expressão profissional indicativa, que se chama “engenharia biomédica”. Também não sabia da existência desse “negócio”. Agora sei. “Engenharia biomédica” é a combinação de talentos, de engenheiros e médicos, no arquitetamento, experiências e construção de instrumentos médicos, para diagnóstico e prevenção de doenças, bem como para tratamento e restauração de pacientes. -...

Pragas e xingações (25 de maio de 1974)

Tem muita gente maldosa por aí. Gente hipócrita, malediscente e covarde, que o “rogar pragas” passou a ocupar lugar comum, nas bocas e pronunciamentos, nascidos racionais, quiçá por um descuido da própria natureza. --:-- Se todo distinto fôra temer as “pragas”, que lhes é covarde, traiçoeira e anonimamente rogadas, teria por certo, que andar com figas no pescoço, patuás com orações, pé-de-coelho e galhinhos de arruda. --:-- Se as pragas pegassem muita gente que por aí perambula, de há muito estaria séte palmos abaixo do nível da terra. --:-- Quem exerce função ou atividade em relação direta, ao público, sujeito que está ao sabor das mais variadas opiniões interpretativas, sendo portanto alvo permanente de críticas, não fica isento e nem alijado da passividade de transformar-se num receptáculo de pragas. --:-- Sujeito ouve a Câmara, através do rádio. De repente, não se contém: “lasca” uma praga por cima de um vereador. Mulher vai cortar a carn...

Task Force 45 (24 de maio de 1974)

Era uma terça-feira, dia 21 de novembro de 1944. Encontrava-me, como integrante do Pelotão de Transmissão do III Batalhão do 6º. Regimento de Infantaria, numa casa abandonada, localizada numa contra-encosta da cidade de Volpara, próximo a um cemitério abandonado, parcialmente destruído por obuzes de morteiros das tropas alemãs. --:-- Seriam mais ou menos 10 horas da noite, quando o III/6º. principiou a ser substituido, por tropas do II Batalhão do 1º. Regimento de Infantaria. A operação de substituição das tropas, no “front” que se extendia numa distância de uns oito quilêmetros, foi morosa e cautelosa, para não despertar as atenções do inimigo. --:-- Antes de duas horas da madrugada, a mudança completou-se, tendo eu descido a contra-encosta, juntamente com os outros 21 companheiros do Pelotão, para alcançar o novo objetivo de parada: “Casa di Christo”, às margens do Rio Reno, entre as localidades de Silla e Marano. Por volta das 4 horas, atingido o novo...

Dois assuntos (23 de maio de 1974)

Vou tratar aqui de dois assuntos. Um sério. Outro não. --:-- O primeiro: O primeiro é um protesto. Mais detalhadamente, meu protesto. Estou protestando pelo fato de Gerson e Pelé irem à Alemanha, como comentaristas de futebol, nos jogos da Cópa do Mundo. Eles não são jornalistas e como tal não podem exercer essas funções, impedidos que estão, pelo disposto na Lei n º. 5.696, de 24 de agosto de 1971, que regula e regulamenta a honrosa profissão de jornalista. Não sendo os mesmos jornalistas profissionais, não podem executar a missão de comentaristas ou críticos esportivos. Fazendo-o, estarão incorrendo em delito, que estabelece pena de prisão simples, de 15 dias a 3 meses, conforme preceitua o artigo 47, do Decreto-Lei n º. 3.668/41 (Lei de Contravenções Penais). Protesto! --:-- O segundo: Uma espécie de sátira, “bolada” por um mariliense funcionário público, referente aos horóscopos. O título, “Horoscópo”. Vejamos o referido escri...