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A Segunda Vara Judicial (28 de junho de 1957)

Não sabemos porque cargas d’gua, tudo que tem o cunho oficial é tão dificil de ser consignado à Marília, mesmo em se tratando de assunto urgente e de necessidade indiscutivel. Todos conhecem, por exemplo, a verdadeira odisséia vivida pelos marilienses, com referência ao decantado curso oficial de ensino superior, hoje, graças a Deus, quase traduzido em realidade. Enquanto em alguns centros, pretensões justas são atendidas num abrir e fechar de olhos, aqui as coisas são diferentes. Parece que jamais se levam em conta as fabulosas verbas que o município carreia anualmente para os cófres do Estado e da União; igualmente, parece que não se dá ao povo mariliense, êsse mesmo povo que foi capaz de construir em menos de trinta anos, ésta vertigem de progresso que se chama Marília, a devida guarida, o necessário éco aos seus clamores reivindicatórios. Fato digno de nota, é que Marília jamais aspirou aquilo que não estivesse em condições de continuar, aquilo que não condizesse com suas necessida...

Nóbre missão (27 de junho de 1957)

Procura nosso apreciado colaborador, reverendo Álvaro Simões, reavivar uma campanha que representa um objetivo de antigas lutas dêsse mesmo educador: o aprimoramento do nível geral do ensino secundário na cidade. No passado, através de suas brilhantes crônicas diárias, o reverendo Simões, já manifestará seu pensamento, expondo com propriedade e conhecimento de causa, alguns dos muitos motivos que estão contribuindo para o baixo gráu de aproveitamento dos estudos secundários. E externava, na oportunidade, idéias de congraçamento entre as autoridades educacionais, no sentido de que fossem tomadas as providências mais viáveis e plausíveis, para atingir-se o objetivo colimado. A missão é sobretudo nobre. Tanto assim, que a repercussão já principiou a manifestar-se, através de gente interessada, que está disposta a colaborar com a campanha óra preconizado pelo mencionado educador. Cogita o mesmo, estabelecer uma assembléia entre mestres, alunos e pais de alunos, dentro em breve, em cuja oca...

O herdeiro de Lollobrígida (26 de junho de 1957)

Na segunda quinzena do próximo mês, deverá ocorrer a chegada da “cegonha” ao lar do casal Milko Stofic-Gina Lollobrígida. Jornais de diversas partes do globo, ao terem ciência da “novidade”, mandaram à Ischia, em Roma, seus mais sagazes reporteres, para entrevistarem a famosa “estrela” e reportar o acontecimento. Parece o fim do mundo, o fato de que a famosa “Lollô” vai ser mãe. Pelo jeito, dá até a impressão de que será a primeira vez na história, que u’a mulher vai dar à luz. De todos os quadrantes do mundo, chegam diariamente à bela mansão da fenomenal artista, os mais ricos e variados presentes, destinados à fatura mãe e ao rebento riquíssimo, mesmo antes de abrir os olhos para o mundo. Casualmente, liamos ontem, num dos jornais da Capital, num longo radiograma procedente de Ischia, uma reportagem acerca do “mundão” de riquíssimos mimos com que o futuro herdeiro de Milko e Gina está sendo brindado. Dentro da exagerada relação de presentes consta o de um industrial paulistano, que e...

Uma crônica tipo J.J. (25 de junho de 1957)

Aqui está uma crônica tipo João Jorge, isto é, mais de um assunto comentado num só escrito. Para início de nossa conversa, abordaremos a decisão do Governador Jânio Quadros, em proceder estudos para a cessão por arrendamento, a pequenos lavradores, da ex-Fazenda Revoredo. O Secretário da Agricultura, de conformidade com o clássico “bilhetinho” do Governador, tem 60 dias de prazo para apresentar o relatório dêsses estudos. Ora, depois de sessenta dias a contar da data, o que é que estará em tempo de plantar? E tem mais outra: consequência da decisão do Sr. Governador não será bem o resultado da invasão indevida das terras; pelo contrário, significa a apreciação de uma solicitação legal, traduzida num grande abaixo assinado de representação, que foi encabeçado pelo Presidente da edilidade local e assinado por dezenas de outras pessoas. --:-- Já que estamos falando em Governador, ficamos há dias “matutando” muito sôbre a propalada visita do sr. Jânio Quadros à Inglaterra. Pelo noticiário ...

Ainda o candidato de Marília (22 de junho de 1957)

Leitores indiscutivelmente bem intencionados, verdadeiros amigos de Marília, escrevem-nos solicitando a continuidade de escritos acerca das próximas eleições estaduais, quando nossa cidade deverá, sem desculpas ou delongas, eleger seu representante próprio. Realmente, é ainda um pouco cedo para o avivamento dêsse brado de alerta, infelizmente necessário a muita gente de nossa terra. É preciso que o povo vá se apercebendo dos êrros do pretérito, para que possa corrigí-los em tempo, a fim de que Marília não continue a sua condição de “órfã” nos parlamentos. Verdade seja dita, temos contado vez por outra, com apoios de parlamentares ilustres, que têm procurado voltar suas vistas para Marília e seu povo. Mas tais fatos não têm deixado de ser favores, inegavelmente. Pessoalmente, várias pessoas nos fazem o mesmo apêlo, para prosseguimento dessa lembrança, a fim de que fique a necessidade perfeitamente incutida no espírito e no patriotismo de todos os eleitores da cidade. Como já dissemos an...

Marília e o gosto artístico (20 de junho de 1957)

De há muito, notamos em nossa cidade, pouca preocupação ou pouco gosto pelas artes lírico-musicais; pouco apoio, pouca simpatia, especialmente pela chamada “música fina”. Confessamos que em matéria musical, por exemplo, não somos apenas leigos; somos completamente cegos. Acontece, que, em decorrência de nossas obrigações de órgão informativo, temos comparecido aos poucos concertos de importância que aqui têm sido realizados. A julgar pelos valores que vez por outra se exibem em nossa cidade, e, por outro lado, considerando o número relativamente pequeno do público que habitualmente frequenta audições desse jaez, ficamos convencidos do que acima afirmamos. Não queremos dizer com isto, que um artista de renome ao apresentar-se ao público mariliense, o faça sòmente “às paredes”; sempre existe um pequeno número de apreciadores do gênero, número êsse que ao contrário de bem representar o gosto artístico dos marilienses, traduz sem dúvida, a indiferença da maioria. A música fina, executada p...

A imoral “lei cadillac” (19 de junho de 1957)

Enquanto o Govêrno raciona ou nega divisas oficiais, para a importação de hidrômetros, vacinas “Salk”, tratores, implementos para a lavoura e muitos outros objetos úteis e necessários ao progresso do Brasil e à vida do próprio povo brasileiro, principiam a surgir os efeitos degradantes da imoral e vergonhosa “lei cadillac”. Um punhado de salafrários, que, mercê da ingenuidade e da boa fé do nosso povo, ostenta hoje o privilégio de polpudos vencimentos, imunidades parlamentares, “chapas brancas” e campos de vasão à negociatas escandalosas e antipatrióticas, advogou em causa própria, em detrimento da economia nacional, êsse imoral diploma. Pelo navio “Mor Macyork”, chegaram quarta-feira última, ao Rio de Janeiro, catorze carros de luxo, importados ao câmbio oficial, destinados aos deputados “beneficiados” pela desavergonhada lei. Imediatamente acorreram ao cáis do porto, lampeiros e desbriados, doze proprietários dessa leva de automóveis, importados com o suor do próprio povo, em prejuiz...