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Viagem aos Pampas (IV) (4 de dezembro de 1973)

Eram 16h30 quando atingimos Ponta Grossa, cidade dinâmica, que se denomian “Capital Mundial da Soja”. A firma Sambra possui ali, a maior indústria de soja do Brasil e do mundo todo. Uma gigantesca área construida, onde trabalham milhares de operários e que se constitui no ponto alto do parque industrial pontagrossense. --:-- Quem viaja para o sul, via litoral, conforme fôra o nosso caso, tem forçosamente que passar por Vila Velha. Vila Velha, hoje ponto turístico internacional, representa um indesvendável carpicho da própria natureza. Alí, há milênios de anos, a natureza forjou, em pedras sem-duras, artísticas e exóticas figuras, representando castelos à distância, um gigantesco obelisco em forma de um cálice e “edificações” outras, esquisitas, impressionantes. Hoje Vila Velha é atração turística da parte sul do Estado do Paraná. --:-- Antes de atingir-se o Estado de Santa Catarina, desce-se a conhecida “serra de Curitiba”, cujo topo fica numa altitude de 1.165 ...

Viagem aos Pampas (III) (1 de dezembro de 1973)

Finda a desobrigação do motorista, junto ao Posto Fiscal paranaense, tomamos um cafezinho (por sinal intragável) e reiniciamos o trajeto. Não há muito, o trecho desde a barranca do rio Paranapanema, até a cidade de Ibiporã, era de terra e agora apresenta-se asfaltado. A pavimentação não é lá muito boa e sente já o peso do intenso tráfego. Depois de uma (s) duas horas de percurso, aproximamo-nos de Londrina, a Capital do Norte Paranaense, verdadeiro milagre do progresso. Cidade vibrante, movimentada, industrial de comércio expressivo, de gente correndo e trânsito intenso. --:-- Um trevo, fazendo a rodovia abrir-se em três direções: acesso a Londrina, direção a Ponta Grossa e rumo às cidades de Araponga, Apucarana, etc. O motorista tomou a direção rumo a Arapongas e explicou: o percurso deveria ter uns vinte quilômetros a mais do que a via que demanda a Ponta Grossa, mas a rodovia mesmo com mais trânsito, oferecia melhores condições à carga do pesado veículo. ...

Viagem aos Pampas (II) (30 de novembro de 1973)

Quinta feira fora o dia designado para o inicio da viagem. Não fôra escolha e sim decorrência da necessidade e interesse da própria firma. Era o 15 de novembro, data consagrada à proclamação da República. Como convencionado fôra na véspera, deveria encontrar-me, antes das cinco horas da manhã, ali na Avenida, defronte o Bar Marrocos. --:-- Com uma pontualidade britânica, Clóvis apareceu com seu possante veiculo. Sem demora, deu-se a partida. Detive-me a admirar o interior do Scânia, pois antes eu jamais havia adentrado uma cabine de tal caminhão. Um banco destinado ao ajudante, uma cama dotada de colchão de espuma, bastante espaço e uma visão ampla, tanto para quem dirige, como para quem viaja. O painel e seus apetrechos, divergem dos caminhões comuns e especialmente os mais antigos e por mim conhecidos: chave geral, botão de partida, velocímetro, marca de temperatura para movimento e funcionamento com o veiculo parado, freios de mão divergentes, para o “cavalo”...

Viagem aos Pampas (I) (28 de novembro de 1973)

Já tornou-se-me um hábito. Todas as vezes, quando realizo alguma peregrinação ou andança, por estes Brasis, ou mesmo pelo exterior, costumo escrever algo a respeito dessas viagens. Considero isso uma espécie de ausência de egoísmo, tentando “repartir” com os leitores, algo do que me foi dado experimentar ou observar. --:-- Já relatei, dentre outras, viagens minhas feitas à Bahia, ao Recife, Mato Grosso, Alagoas, Brasília, Argentina, Paraguai, Paraíba, Amazonas, Panamá, México, Estados Unidos, etc. Também já contei pormenores de uma viagem feita no interior de uma locomotiva da Fepasa, no trajeto de Marília à Panorama, ida e volta. --:-- Já relatei, em passado, um vôo por mim empreendido à bordo de uma avião militar inglês, da Royal Air Force – RAF, numa missão de bombardeio a depósitos de óleo no Rhur, quando da ocasião da II Grande Guerra Mundial. Igualmente já contei aos meus leitores, a sensação de viagens de mais de duas semanas num navio, em téc...

Uma psicose diferente (25 de novembro de 1973)

Podem crer. O absurdo também acontece. Assim como o incrível, o extraordinário, o inusitado, o fantástico, o desnexo. Em Marília está existindo uma espécie de psicose. Uma psicose diferente. --:-- De um lado, revela o prestigio, o valor e a personalidade de um cidadão mariliense. Por sinal, respeitado e estimado. De outra parte, patenteia a existência dessa autêntica epidemia, um inconformismo em alto grau, essa dita psicose. Crônica, aparentemente incurável, mesmo sem apresentar qualquer risco de alastramento. Nem de contaminação. Sentou praça, fixou morada, dentre um pequeno grupo. --:-- Esse pequeno grupo, situa-se entre os marilienses que, no último pleito municipal, estiveram formados ao lado do ilustre engenheiro Armando Biava. Biava disputou ponderada e democraticamente as eleições. Não saiu vencedor, mas nem por isso sua pessoa apresentou qualquer metamorfose moral ou pessoal. Demonstrou a altivez de sua personalidade, na disputa ...

Para Carolo ler (24 de novembro de 1973)

Concentração política situacionista tem palco e séde hoje em Marília. Figuras centrais desse conclave, deverão ser forçosamente, o senador paulista Carlos Alberto Carvalho Pinto, o presidente da ARN estadual, deputado Jacob Pedro Carolo, o deputado federal mariliense Diogo Nomura, o presidente do diretório local Sebastião Monaco e o prefeito Pedro Sola. Na pauta dos trabalhos dessa concentração política figura um móvel de elevada importância para o porvir da cidade: a indicação do nome ou dos nomes do candidato ou dos candidatos, para concorrer à deputação. Falando em termos de Marília, nosso interesse maior, situa-se marcante e indelevelmente, em torno da deputação estadual. É necessário que Carvalho Pinto e Carolo saibam que Marília está saturada com a condição de sua orfandade política no Palácio 9 de Julho. É preciso, também, que ambos saibam que os marilienses autênticos, aqueles que de fato amam a cidade e se preocupam com seu futuro e sua representação, n...

Para início de papo... (23 de novembro de 1973)

Por um “erro de cálculo”, esta coluna sofreu numa interrupção de três dias nesta semana. É que estive viajando e antes de partir escrevi uma série de “Antenas”, para a competente publicação. O número de escritos, todavia, foi insuficiente em relação aos dias do meu afastamento. Aqui ficam consignadas desculpas, com a devida justificativa. --:-- Regressei a Marília ao entardecer de ante-ontem, quarta feira. Durante uma semana não tive notícia alguma de nossa cidade. Assim ao adentrar a redação, quando de minha chegada, fui logo indagando do resultado do jogo do MAC no último domingo, em São José do Rio Preto. Tive uma surpresa alegre, ao conhecer o resultado do empate. Para mim, teve sabor de vitória, pois ainda continuo reputando o América como o melhor time do Paulistinha. --:-- Também na noite de ante-ontem vi pela primeira vez o número dois do novo jornal mariliense, “Diário de Marília”. A circulação desse novo confrade, igualmente alegrou-me. Rep...