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E a Casa da Cultura Artística? (30 de abril de 1959)

Para as pessoas menos avisadas ou que alimentem quaisquer sentimentos de prevenção contra os marilienses, poderá parecer que somos “chorões”. Entretanto, se for feita u’a análise neutra sôbre os motivos dos clamores que constantemente emitimos, constatar-se-á sem nenhuma dificuldade, que nossas “broncas” são eivadas de razões e fundamentadas numa lógica indestrutível. Pela nossa condição demográfica, pelo fato significado que traduz nossa cidade na própria balança econômica do Estado e da Federação, pelo nível cultural, cívico e religioso que ostentamos, pelos feitos galhardos dos marilienses e por uma infinidade de coisas, ganhamos direitos de reivindicações legitimas e incontestes. E lutamos por isso, porque aqueles que abandonam a luta quando é chegado o momento aprazado e difícil, nada mais são do que pusilânimes, comodistas ou mesmo covardes. Nosso caso, hoje, é a Casa de Cultura Artística de Marília. E perguntamos ao Sr. Governador do Estado e mesmo aos Srs. Prefeito e Vereadores...

Ainda a Renovação de Valores (29 de abril de 1959)

Encontrou a repercussão esperada nosso escrito de ontem, acêrca da propalada e necessária renovação de valores, com respeito aos nomes que deverão compor o futuro corpo legislativo municipal. A julgar pelos telefonemas recebidos e pelas manifestações pessoais que nos chegaram ao conhecimento, pudemos perceber que tocamos, de maneira pública, num ponto que vinha sendo observado e acalentado por diversos políticos e facções partidárias, sem que tivesse, até então, se escoado além dos bastidores. Efetivamente, a idéia tem o seu timbre de verdadeiramente revolucionária; revolucionária, bem entendido, dentro do circuito elevado do pensamento sadio e bem mariliense. O desejar-se que Marília volte a reencontrar a trajetória iniciada em 1947, no tocante à constituição de uma edilidade realmente aperosa e que represente positivamente o “zero à direita”, não póde traduzir (e como tal não deve ser concebida) a cogitação de que dispuzemos nas duas últimas legislaturas (e maximé na óra findante), d...

Renovação de valores (28 de abril de 1959)

Pèssoalmente, convém frizar de antemão, nada temos contra quem-quer-que seja, dentre todos os marilienses que ocuparam ou ocupam cargos de vereadores em nossa cidade. Orgulhamo-nos até, de sermos amigos de todos, indistintamente. Entretanto, mistér é que reconhecemos que nosso corpo legislativo está urgindo uma reforma radical – uma renovação de valores. Abordamos agora o assunto, porquanto a questão já chegou ao ponto de alertar a consciência dos principais partidos políticos, existindo alguns que já levantaram a bandeira do ideal de remodelação de homens públicos, com respeito à futura constituição dos novos integrantes da edilidade mariliense. Alias, tal assunto é hoje “prato do dia”, não só nas hostes políticas, como também no conceito dos próprios observadores, especialmente por parte das pessoas que, de uma ou outras maneira, denotam algum interesse e amor por Marília. Não vai neste comentário, nenhum motivo de melindre aos vereadores marilienses de módo geral ou particular. A ve...

Tripla responsabilidade moral (25 de abril de 1959)

O pleito de 4 de outubro próximo, no que se refere ao âmbito municipal, principia já a preocupar os marilienses. Não só os partidos políticos, como também o próprio eleitorado. Se bem que nem todos sejam apaixonados pelo assunto, não resta dúvida que qualquer pessoa, em qualquer circunstância ou local, volta e meia, aborda direta ou indiretamente, o problema sucessório do município. Isso é um bom sinal, fora de dúvidas. Significa que homens sérios de Marília se preocupam com problemas sérios, muito embora algumas pessoas que alimentam razões simplistas, tentem dar à importância da questão, maior empobrecimento ou mesmo o colorido do pejorativismo. É preciso saber entender a política real, em suas bases sólidas, como uma arte e até mesmo uma ciência. É necessário que na mentalidade geral, se aquilate o valor dos homens, o programa e as plataformas de governo dêstes mesmos homens. Separar o joio do trigo. Discriminar a política fundamental, apartando-a da politicagem e da politicalha con...

Miscelânia (24 de abril de 1959)

Preparam os paulistanos, carinhosa e gigantesca manifestação de carinho ao General Humberto Delgado. O militar luso, que há pouco se exilara na Embaixada Brasileira em Lisboa, teve nome e atitude citados por toda a imprensa da América e Europa, quasi se tornando um caso de política internacional. Ao pisar o solo brasileiro, o ilustre representante da terra de Camões teve para com nossa Pátria e nossa gente, as mais encomiosas palavras de amisade e gratidão. Ao que se comenta, embora com contradições, o General Delgado, cuja passagem pelas fileiras do Exército Português marcaram-se por um espírito eminentemente democrático e de extraordinária cultura, adotará o Brasil como sua segunda Pátria. Sêde benvindo, general! --:-- Nova greve está agora em articulação: a dos caminhões de cargas de todo o país. Motivo: a alta desenfreada dos preços dos pneus, gasolina e peças. Enquanto isso, o Sr. Presidente da República, em seus discursos (quando não está em viagem para Brasília), continua precon...

Balela oficial (23 de abril de 1959)

É o que se póde dizer da COFAP e suas “filhas” COAPS e COMAPS. Uma balela oficial. Agora a COFAP mudou de nome. Passará a chamar-se Instituto Nacional de Abastecimento. Na intimidade, INA. Muito se falou sôbre a extinção desse organismo, uma vez que o mesmo não vinha cumprindo fielmente as suas precípuas finalidades, no concernente ao arbitramento justo, fiscalização eficiente e orientação sábia, que redundassem diretamente em pról dos interesses do povo, conforme seria de esperar e de acôrdo com a própria declarada origem do mencionado órgão. A extinção não e nem poderia mesmo vir, porque se teria criado no Brasil, um problema de aspecto mais delicado e de solução mais difícil para o comodismo de algumas pessoas, do que mesmo as questões urgentes de interesse de toda uma população. É que existem dezenas de funcionários bem remunerados integrando o famigerado núcleo, hoje considerados servidores públicos de autarquia (embora não o sejam) e que não poderiam, assim, sem mais e nem menos,...

Adeus, Dermânio! (21 de abril de 1959)

Recordamo-nos de um garoto vivo, inteligente e dedicado ao esporte, que se tornou conhecido e estimado entre os marilienses, mercê de seu gênio alegre, suas maneiras lhanas de tratar com todos. O garoto cresceu; cresceu em tamanho, cresceu em moral, cresceu na estima de todos nós. Projetou-se vertiginosamente dentro da popularidade ilimitada. Representou as cores de Marília esportiva em todos os rincões do Brasil e teve a honra de representar nosso país em competições no exterior, participando de um prova internacional no Uruguai. Amealhou verdadeira fortuna moral, em troféus, títulos e medalhas, enriquecendo o patrimônio esportivo do nome de Marília. O valor desse moço, não se encontrava somente no sentimento e nas grandes qualidades de esportista e sim, sobretudo, no elevado padrão moral, que o identificou sempre, apesar de sua humildade, num homem digno de Marília e amigo de todos os marilienses. Dermânio da Silva Lima, o campeoníssimo Dermânio, é a figura que nos referimos. Não exi...