Postagens

Sangue para os pobres (30 de agosto de 1958)

Sabem todos, que, na ocasião em que um doente necessita de transfusão de sangue para sobreviver ou para atenuar um mal físico, encontra, quase sempre, sérias dificuldades, sendo a maior de ordem financeira, mormente se o enfermo pertencer à classe póbre. O plasma custa um preço bastante caro, mesmo quando doado, tôdas as vezes que a transfusão é feita por um médico particular e não por um Banco de Sangue oficial. Os pobres de Marília vinham lutando com o problema em apreço e a respeito tivemos o ensejo de ouvir, versos diversas acêrca dêsse particular. Falou-se muita coisa, especialmente criticando alguns médicos especializados nesse mister. Nós, por experiência própria, não estamos em condições de condenar ou aplaudir as referências, algumas até pejorativas, que a respeito circularam e continuam a circular na cidade. Em fase disso, o assunto ganhou proporções tais, que veio a público e chegou a ser focalizado na Câmara Municipal. Posteriormente, criou-se e instalou-se um Banco de Sang...

Vote bem, votando em gente nossa (29 de agosto de 1958)

Estamos há um mês e (cinco) dias do pleito de 3 de outubro. Será chegado o momento do eleitor mariliense comparecer às urnas, para eleger, conscientemente, seu Governador, Vice-Governador, deputados federal e estadual, senador e suplente de senador da República. Os leitores sabem da luta que vimos realizando há mais de uma década, objetivando a eleição de legítimos representantes de Marília. Essa luta nada tem a ver com o jornal, porque como órgão de imprensa, nossa Folha acolhe em suas colunas a propaganda e o pensamento de todo e qualquer candidato e igualmente noticia com imparcialidade própria dos órgãos democráticos e que não se vendem ou não pertencem a facções políticas, tudo o que a respeito de política acontecer, focalizando nomes indistintamente. Essa campanha, neste órgão, é da responsabilidade integral do autor destas linhas. Por ela o mesmo responde, em qualquer circunstância ou situação. Mas, como dizíamos, estamos há um mês e (cinco) do pleito eleitoral. Necessário é que...

Uma reunião diferente (28 de agosto de 1958)

Se existem prazeres incompreensíveis para muita gente, como por exemplo a mesa de jogo, o “snooker”, a mesa do bar, o futebol, o cinema, etc., para nós, que militamos na imprensa, nada mais agradável do que uma “conversa ao pé do fogo” – como diria o sr. Adhemar de Barros. Nossa redação, de pobrêza franciscana, com três escrivanias, duas máquinas de escrever, algumas cadeiras e um sofá estofado é a prova disso. Aqui a gente fica muitas horas, como o viciado num entorpecente, “batendo papo”, aspirando o ar impregnado de tintas, gasolina e papéis velhos. Isso sem contar-se o cheiro enjoativo da linotipo, quando o Sandoval cisma de limpar a máquina. Coisa rara numa redação é reunirem-se todos os redatores. Outro dia, entretanto, como tôda regra tem sua exceção, conseguiu reunir-se todo o pessoal do “Correio”, da parte redatorial. Todo, não. Faltou o Antônio Fernão de Magalhães. Mas lá se arregimentaram, em feliz coincidência, além do autor desta coluna, mais João Jorge, Anselmo, rev. Simõ...

“Bronca”, arma de otário (27 de agosto de 1958)

Esgaravatar feridas dói mesmo. Escrevemos ontem (26/8/1958) um artiguete, acêrca da inutilidade e da falta de fundamento de todo e qualquer prognóstico eleitoral. Entendemos nosso ponto de vista, baseado em exemplos passados e fundamentado na própria razão. Principalmente hoje em dia, quando o eleitor brasileiro, em que pése a sua boa fé e a sua relativa ignorância, de módo geral não mais está ligando para legendas, para votar unicamente em homens. E ele faz bem. Partidos só interessam aos políticos à eles filiados; ao povo interessam os homens de valor e suas atitudes leais em pról dêste mesmo povo. Pois não é que lógo de manhã, ao atendermos o telefone cá da redação, percebemos que um animal com voz masculina estava no outro lado da linha? Pelo tamanho das patadas, pudemos antever que o cavalo éra grande. Se não éra, pelo menos arrotou ares de grandeza. Gostamos de conversar com nossos leitores. Já temos afirmado isso várias vezes. Gostamos, principalmente, de ouvir as críticas que ...

Prognósticos eleitorais (26 de agosto de 1958)

Como simples observadores, tivemos o ensejo de presenciar em nossa cidade, comícios onde se ouviram as palavras dos três candidatos aos Campos Elíseos – Carvalho Pinto, Adhemar de Barros e Auro Moura Andrade. Ouvimos com interesse as alocuções de diversos candidatos a deputado e de outras pessoas especialmente empenhadas na campanha eleitoral de cada um dos nomes citados. Procuramos, dali, tirar uma conclusão própria, conscienciosa, neutra. Ao mesmo tempo, por mistér de ofício, temos ouvido pareceres e prognósticos de muita gente de nossa cidade. Adhemaristas, Janistas e “peneiristas”. Cada qual, partidário de um candidato, tem como cérta a vitória deste, apresentando razões e tabelas elaboradas, com a convicção matemática de que dois e dois são quatro. Em nós, temos como incógnita a eleição presente. Surpresas poderão acontecer, trazendo no final da apuração do pleito, alegrias para uns e decepções para outros. Nada do que se disser poderá ter base sólida ou fundamento indestrutível. ...

A V Olimpíada Estudantil (23 de agosto de 1958)

No próximo dia 30 (de agosto de 1958) teremos em nossa cidade a data inicial da realização da V Olímpíada Estudantil de Marília, certame anual patrocinado pelo Yara Clube e que conta com a simpatia e a participação de todos ou quasi todos os estabelecimentos de ensino de nossa “urbe”. Vimos no passado, o sucesso dêssas realizações. Elevada expressão técnica, ambiente de cordialidade, apesar do interesse que as disputas desportivas movimentam, a medida que as competições vão se desenvolvendo. Objetiva o Yara Clube, entidade que se destaca entre nós na movimentação e patrocínio das diversas competições esportivas, o aprimoramento da fórma técnica do desporto amadorista. O preparo do físico é necessário e ombreia-se com o preparo do intelecto. “Mens sana in corpore sano”, lema grandemente difundido entre nós. Brilhante folha de serviços nesse campo já prestou o Yara Clube de Marília e mesmo a região. Dos umbrais daquela simpática Casa da Av. Vicente Ferreira, já despontaram verdadeiros c...

Candidatos & Política (21 de agosto de 1958)

Reiteradas vezes, temos confessado sem pejo algum, que nada entendemos de política. Não “política” na verdadeira extensão do vocábulo, mas sim certas sujeiras morais que por aí se cometem à miude, sob o rótulo e pretexto de que se trata de política. O povo brasileiro, em sua maioria, ignorante e sincero quanto ao dar crédito a qualquer “doutor”, deve ficar estarrecido dentro de sua filosofia matuta e de seu gesto leal, frente aos absurdos que não entende e que nésta época de pré-eleições, tão abusivamente campeia por ai. Dissem (os) que não compreendemos de política. Exemplifiquemos: não entendemos a balburdia e a pouca vergonha, os engodos, as mentiras e as delongas, os embustes e os processos escusos, condenáveis, que tanto deturpa a real acepção da palavra “política”, que interpretamos como uma ciência, uma arte de dirigir e orientar o govêrno do povo soberano, com lealdade, com (h) ombridade, de maneira Franca, esclarecedora, que coloca em seu devido lugar e em igualdade de condiç...