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Voluntariado Para a Coréia (28 de fevereiro de 1953)

José Padilla Bravos (2º Srgt. Res. Da F.E.B.) Inúmeras pessôas têm-me pedido a opinião, sobre a remessa de tropas brasileiras para a Coreia, constituindo um novo Corpo Expedicionário Brasileiro, que, deveria lutar ao lado das tropas das Nações Unidas. É um assunto deveras difícil de ser analisado, maximé por pessôa isenta de responsabilidade ou autoridade para abordá-lo; no entanto, como nos ufanamos de usufruir um clima de democracia, onde se vê expressa nas Constituições que nos regem, a inteira liberdade de pensamento, aqui delinearei, a respeito, o que me é dado pensar sobre o palpitante caso. O assunto, em si só, deverá ser dividido, para fins de estudos, em duas fases distintas: Primeiro, a legalidade desse voluntariado, que não existe. Sabemos que assunto de tal jaez é da alçada exclusiva do sr. Presidente da República, e, que, oficialmente, não foi firmado diploma legal que instituísse, até o momento, o já conhecido “voluntariado”. O que existe, isso sim, é uma precipitação de ...

Rosas e espinhos (28 de fevereiro de 1957)

Por força das circunstâncias decorrentes do próprio cargo, o jornalista “tarimbeiro” do interior vem a ser uma espécie daquilo que se chama de “pau para tôda obra”. Focaliza os assuntos da cidade sob os múltiplos aspectos, analisando os acontecimentos e os fatos sob poliformes significados. Tal não acontece nas grandes cidades e nas capitais, onde a pessoa que escreve para um órgão noticioso, é especializado em determinado setor. O que escreve sôbre política, nada “pesca” de esporte. O redator social não escreve sôbre polícia e assim por diante. Na imprensa pobre e sacrificada do interior, nem sempre bem compreendida, a questão é diferente. A mesma pessoa é obrigada a escrever sôbre sociedade, esportes, política, polícia, administração, finanças, diversões, etc.. Isso acontece com todos aquêles que militam na imprensa cabocla. É por isso que temos muitas ocasiões, que abordar um ponto de vista sôbre o qual não somos especialistas. Isso, no entanto, não significa que escrevamos de todo ...

Será possível? (27 de fevereiro de 1957)

Inúmeras ocasiões, temos manifestado através desta coluna, nosso pensamento acerca do elevadíssimo custo de vida no país. Em verdade, o índice inflacionário dos últimos tempos, constitui-se num irretorquível recorde, dentro da vida brasileira. E o que temos escrito, não é nenhum mistério, nenhum segredo. Todos nós estamos sentindo no lombo as consequências dêsse estado de coisas, verdadeiro desmando, incrível e autêntico desgovêrno. Não sabemos bem de que é a culpa pela situação, embora saibamos que a parcela maior da responsabilidade acerca do fato, recai, indubitavelmente, sôbre os costados do próprio Presidente da República. Até aí, nada de mais. O fato é notório. A situação está mesmo cada vez mais insustentável. O que deixa qualquer cristão falando sozinho, são as constantes declarações do sr. Juscelino Kubitschek, de que o custo de vida “está baixando” ou “está estabilizado”! Vejamos, por exemplo, êste trecho de um telegrama divulgado pela imprensa, quando da reunião do President...

Ainda a TV Marília (26 de fevereiro de 1957)

Duas vezes nos ocupamos, nesta coluna, em escrever sobre a propalada futura instalação da TV Marília. Como não poderia deixar de ser, o fato encontrou éco e grande repercussão, por parte de grande público local. Muita gente têm procurado o autor destas linhas, para inteirar-se pormenorizadamente acordo da questão que, sem dúvida, foi recebida com júbilo pelos marilienses. O que divulgamos, teve um ponto originário. Não foi fruto de nenhuma imaginação, conforme especificamos em escritos anteriores. O que sabemos a respeito já foi externado, inclusive com a citação das fontes de origens, posteriormente confirmadas, na própria Capital. O que sabemos, além daquilo que já noticiamos, é que já existe “uma peninha” no assunto. Uma outra cidade vizinha, estaria pleiteando, para si, o privilégio referido. Entretanto, parece que a preferência continua pró Marília e é bom que se ressalte, que, até agora, só uma pessoa está defendendo éssa reivindicação para nossa cidade. Essa pessoa é o próprio G...

Televisão em Marilia (23 de fevereiro de 1957)

Não há muito, escrevemos aqui, alguma coisa acerca de uma informação que chegara ao nosso conhecimento, com respeito à TV Marília. A notícia, conforme dissemos na ocasião, veio numa carta que Geraldo Tassinari escreveu a Bernardo Carrero, sem pormenorizar fatos. Agora, em São Paulo, procuramos ouvir do próprio Tassinari o que de verdade existe acerca da questão. Efetivamente, a Organização Victor Costa, pretende instalar a TV Marília, ainda êste ano. Não será propriamente uma sub-estação de televisão, pois além da torre receptora, para captar as imagens transmitidas pela TV Paulista, Canal 5, fará também a sua transmissão própria, daqui de nossa cidade. A TV Marília, fará parte da “Rebratél” (Rêde Brasileira de Televisão), cujas cidades integrantes serão as seguintes: Santos (já instalada), Campinas, Ribeirão Preto, Londrina, Presidente Prudente e Marília. A notícia é auspiciosa. Tassinari asseverou-nos que será traduzida em realidade até o final do ano em curso. Não resta dúvida, de q...

Candidato único (20 de fevereiro de 1957)

Escreve-nos um leitor, comentando alguma coisa acerca daquilo que aqui temos escrito, sôbre a necessidade de Marília ter o seu representante próprio no Palácio 9 de Julho. A carta não veio assinada, apenas identificada pelo pseudônimo de “udenista”. Êsse nosso amigo, que por sinal demonstra profundos conhecimentos de política atual, deixa claro, também o seu ponto de vista que vem a casar-se com o nosso, manifestado em escritos anteriores. Estamos com você, amigo, no que diz respeito à questão de que Marília não pode prescindir, nas próximas eleições, de ter seu representante na Assembléia. Sôbre outros pontos citados, lamentamos não endossá-los, embora respeitemos o pensamento e a argumentação do missivista. Uma coisa é certa e continuamos a repetí-la: Se Marília concorrer ao próximo pleito, com mais de dois candidatos à deputação estadual, correrá o risco de não eleger nenhum. Os votos que serão, fatalmente repartidos entre os candidatos locais, contando-se ainda os que serão consign...

Ladrões da saúde do povo (19 de fevereiro de 1957)

Não conseguimos encontrar outra denominação, que não a que se serve de epigrafe para êste comentário, para “mimosear” aquêles, que, como proprietários de laboratórios farmacêuticos, cometem verdadeiros crimes contra o próprio povo, vendendo medicamentos adulterados ou com drogas diversas e inferiores das que constam na fórmula original previamente analisada e registrada. Êsses falsificadores contumazes, são merecedores de corretivos enérgicos por parte das próprias autoridades policiais, pois o que estão fazendo, traduz-se num autêntico crime. Em boa hora, as autoridades sanitárias, que sempre foram lentas em atitudes concernentes à própria alçada de seus atribuições, estão agora dispostas a agarrar pelo gasganete, muitos daquêles magnatas da falsificação de medicamentos e alimentação públicas, adulterados e plenos de ingredientes nocivos à saúde do povo. O governador Jânio Quadros precisou, é fato, interferir na questão, para coibir-se êsses abusos que de há muito se praticam contra a...