Postagens

Um soldado atrevido (Natal de 1958)

José Padilla Bravos 2º Sgt. Res. FEB - Sargento Mário! - Pronto, tenente. - Avise o pessoal do pelotão, que depois do “momento espiritual”, quero todos reunidos perto da lareira. - Entendido, meu tenente. As ordens, no Exercito, são assim. Precisas e suscintas, dentro do maior laconismo possivel. O sargento Mário éra o Chefe da Secção e o Sub-Comandante do Pelotão de Transmissões, do III Batalhão do 6.o Regimento de Infantaria. Estávamos no ocaso do período invernoso; a neve deixava de dependurar-se nos ramos dos arbustos amarelecidos, nos telhados das casas e nas torres das igrejas, para escorregar gradativamente e desaparecer na terra. O degêlo, uma realidade. O “momento espiritual” fora idealizado e posto em prática pelo comandante do pelotão, tenente Dantas Borges, no navio que nos levava à Itália. Às 18 horas em ponto, o comandante nos reunia e nos obrigava a manter-nos em silencio por alguns instantes, exortando-nos a pensar no Brasil e na família. Antes, porém, uma pequena prele...

Um episódio de guerra (Natal de 1945)

(De um diário de campanha. Fato real ocorrido em 21 de novembro de 1944, na estrada 64, próximo às cidades de Marano e Volpara, na Itália) José Padilla Bravos Dois “jeeps” rasgavam a neblina boreal, dirigindo-se para a claridade do dia, obedientes aos pulsos firmes dos motoristas, brasileiros patriotas e saudosos, nutridos dos cumprimento do dever pátrio. Uma brisa leve e vigorosa, enfeitava aquela atmosfera saborosamente fria e agradável até. A estrada dirigia-se com ímpeto sinuoso, desdobrando-se atravez da encosta daquela pitoresca moldura á tela de hábil pintor. O ar apresentava-se sobrecarregado de ameno temperatura glacial, traspassando deliciosamente nossos pulmões compressos e asfixiades pelas agruras de guerra. A estrada, em todo o seu percurso, deixava á mostra os incontáveis sulcos, originados das explosões causadas pelos morteiros alemães, que os carros enfrentavam com denoso, como se percebessem a importância que pairava sôbre seus tripulantes. Nem a lama fria que cobria c...

Visitas à Filantropica (31 de outubro de 1956)

Temos noticiado ultimamente, os gestos nobilíssimos de muitos marilienses dispendendo algumas horas de suas ocupações ou descanso, para realizar visitas coletivas a entidades assistenciais da cidade. Em verdade, nem poderíamos deixar de colocar em devido destaque gestos altruísticos de tal natureza, que provam, de público, o espírito de solidariedade de muita gente, levando um pouco de conforto, carinho e alegria aos garotinhos e garotinhas que se encontram abrigados na Associação Filantrópica e no Lar da Criança de Marília. Em muita gente, despertamos o espírito desse procedimento. Ultimamente tem aumentado as visitas do povo, em grupos organizados, a essas duas instituições, que são, sem dúvida alguma, verdadeiros cartões de visita da cidade, mostrando aos forasteiros, o carinho e o desvelo com que os marilienses se dedicam aos infortunados petizes desamparados. É comovedor, o quadro traduzido na gratidão de uma infinidade de olhinhos alegres e centenas de boquinhas sorrindo de satis...

O Brasil e a inflação (30 de outubro de 1956)

Desolador quadro estatístico acaba de ser divulgado pela imprensa nacional, acerca do índice inflacionário de mais de sessenta países do globo. O Brasil, o chamado rico Brasil, cujas reservas minerais dormitam no sub-solo, cujas terras tudo produzem, cuja extensão territorial é das mais invejáveis, ostenta, desgraçadamente, o primeiro lugar dentre as nações mais inflacionárias do mundo, com uma cifra de elevação constante do custo de vida, de fazer vergonha até aos estrangeiros entre nós radicados. O fenômeno agrava-se dia a dia. Os estudos desenvolvidos por técnicos e comissões especializadas têm sido os mais inócuos possíveis. Os planos de reerguimento econômico do país postos em prática pelos govêrnos e ministros de Estado, até aqui nenhum resultado objetivo conseguiram apresentar. O descontrole é tão patente, que passou a ser coisa de rotina entre os brasileiros. Já ninguém se admira das elevações constantes do custo de vida, já ninguém se estarrece da política econômico-financeira...

Gesto nobre de marilienses (27 de outubro de 1956)

Vários grupos de pessoas representando organizações, firmas ou associações de classe, têm procedido, à miude, nobilíssimos gestos, ao visitar entidades assistenciais de Marília, especialmente aquelas que abrigam sob seus tetos crianças desamparadas. O Lar da Criança e a Associação Filantrópica, seguidamente recebem dessas visitas coletivas, que, ao par do apôio material que as mesmas traduzem, representam indiscutível estimulo moral, levando alegria às criancinhas. Êsses orfanatos precisam mesmo contar com atitudes dêsse jaez, por parte dos marilienses. Aquêles pequeninos sêres, apesar do conforto, carinho e humano tratamento que recebem nessas casas filantrópicas, sentem melhor o calor da amizade do povo de Marília, por ocasião dessas visitas coletivas. Qualquer um de nós será bem capaz de interpretar o quanto significa para aqueles que embora vivendo com todo conforto e amizade de bons corações, desconhecem, por contingência involuntária, o calor do lar paterno. Não há muito, o verea...

Os generos e seus preços (26 de outubro de 1956)

Clama com razão a Imprensa de todos os pontos do país, acerca dos abusos que se praticam sôbre das utilidades de primeira necessidade. De fato, as coisas andam tão descontroladas a respeito, que o Brasil tornou-se um verdadeiro paraiso de gananciosos. Já não existem freios para colocar um dique no movimento altista que desgraçadamente, classifica nossa pátria em primeiro lugar entre as nações mais inflacionarias do mundo. Nem sempre, pode-se culpar o pequeno comerciante. Este já não dispõe de meios capazes de controlar as vendas, porque comprando pouco, e seguidamente, seguidamente tem que ir pagando mais caro e vendendo mais caro também. O mal precisa ser atacado pela raiz. O ponto vital origina-se quando os intermediários metem o dedo e quando os grandes atacadistas fecham negócios com partidas gigantescas, muitas vezes para armazenar, prendendo o produto e forçando automaticamente as altas dos preços, sob os olhos complacentes dos órgãos controladores de preços. De qualquer maneira,...

A Semana da Asa (25 de outubro de 1956)

Marília não esteve indiferente às comemorações da Semana da Asa, que se feriram em todo o Brasil. Terça-feira, às 16,45 horas, todos aviões marilienses, que se encontravam em condições de vôo, estiveram no ar no horário referido. Por outro lado, as escolas dos diversos cursos educacionais da cidade, prestaram também significativa homenagem ao pai da aviação. Solenidades especiais, palestras, alegorias, foram apresentadas a respeito, fazendo viva a lembrança e a saudade do povo brasileiro, ao acontecimento que tanto orgulho representa para nós. A respeito, recordamos que há uns 10 ou mais anos passados, assistimos ali no Cine São Luiz, um filme americano, sôbre a história da aviação. E saímos indignados com o desenrolar da película, apesar de tôda a nossa simpatia pelos norte-americanos. É que o enredo demonstrava a história da invenção do aparelho “mais pesado do que o ar”, suas experiências iniciais e as lutas de seus descobridores. A história esqueceu Santos Dumont; ou melhor, relego...