terça-feira, 3 de maio de 2016

Manobras políticas (03 de maio de 1983)

Pelo que se sente, do lado de fóra, não é lá muito fácil entender essas manóbras políticas. Essas contra-marchas e demarques da política atual, imperante, habilmente manuseada por políticos exímios, treinados, traquejados, bem bagageados.

Político-arte é coisa de antanho, de raras lembranças, de efêmeras nostalgias.

Em Marília, distintos vereadores entrevistam-se com a imprensa e declaram em alto e bom-tom que não estão tratando de interesses próprios, quando estão.

Em Brasília, o PTB está noivando com o PDS e o casamento parece que vai sair mesmo.

Entretanto, em São Paulo, o mesmo PTB está exteriorizando intenções de amancebamento com o PMDB.

Síntese: os vereadores marilienses, mesmo negando-o, aumentaram seus próprios vencimentos; o PTB em São Paulo, amancebando-se ao PMDB, alia-se a Montoro e aprova a indicação de Mário Covas para a prefeitura do Ibirapuera; em Brasília, o PTB nem liga para o PMDB da paulicéia e alia-se com o PDS para formar no cordão situacionista, isto é, que irá tentar insensibilizar o General, para não aceitar Covas. Será isso?

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Taí uma associação grosseira, como a piada do nordestino que vinha com a família e com famílias outras, para São Paulo. O caminhão pau-de-arara viajava durante o dia e estacionava à beira da estrada ao anoitecer, para descanso e pernoite.

Era, como não poderia deixar de ser, aquela verdadeira promiscuidade entre homens, mulheres e crianças.

E vem a anedota: na escuridão, todo mundo amontoado e deitado em comum, uns dormindo, outros roncando, outros acordados, uma mulher fez determinada pergunta ao marido e, ante a resposta negativa deste, ela justificou “Então, tão”.

Nós, o zé povinho, eles, os políticos. O consolo é imitar a mulher do nordestino: “Então, tão”.

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Dúvida e desabafo tristonho do caboclo no armazém ou supermercado, ante a verdadeira orgia dos aumentos de preços, esse escárnio dos atravessadores, estocadores, aproveitadores e poderosos, ante a miséria e a fome dos assalariados de baixa renda:

- Eu num tenho tomóve, num bebo gazulina… qui é qui eu tenho qui vê cum tudo subindo di preço dessa manêra?...

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Essa turma dos sóbe-preços, “tá bonitinha” e “tá limpinha” para elevar as cotações de tudo, para aumentar a exploração de tudo.

Hoje em dia qualquer desculpa “péga”.

Já justificaram os abusos e desmandos, com o alinhamento dos planetas, com a maxidesvalorização do cruzeiro com a valorização do dolar, com os reajustes salariais, com os aumentos da gasolina, até com os bicudos mexicanos (ou americanos?).

Agora tem mais subsídios justificadores para a turma “meter a faca”; o alijamento do Corinthians da Taça de Ouro, a “zebra” do Grêmio perdendo da Ferroviária, etc. e tal.

Aproveita, turma!

E viva o Chico Barrigudo!


Extraído do Correio de Marília de 03 de maio de 1983

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