quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Fato para pensar (03 de outubro de 1974)


Determinado fazendeiro de nosso município palestrava ocasionalmente com o repórter, dia destes. Mariliense genuíno, dando-se ao trabalho de ler jornais diariamente, ouvir rádio e assistir televisão, provou, no decorrer da conversa, seu perfeito entrosamento com os fatos e enfoques da atualidade.

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Discorreu naturalmente sobre o futebol, lamentando aquela derrota do MAC frente a Ferroviária de Araraquara, pela contagem mínima. Se tal não fôra, o clube mariliense teria sagrado-se campeão absoluto do primeiro turno desse desinteressante campeonato “José Ermírio de Moraes”.

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No campo da política o fazendeiro mostrou-se algo apreensivo, por sentir no espírito público a probabilidade de um carreamento a maior de votos para o partido oposicionista. Alegou que muitos brasileiros assim iriam fazer como uma espécie de “protesto” inválido e inglório.

Classificou o referido “protesto” no mesmo nível desses propalados “protesto” da juventude – sem ninguém saber dizer o porque do mesmo protesto.

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Justificou, de maneira plausível, a defesa de seu ponto de vista.

Muita gente ignora que, apesar de tudo o que se fala em termos de depreciação, de antipatriotismo, de ogeriza e de represálias acêrca da situação nacional atual, destitui-se de lógica, de pedestal firme. Porque a verdade é que o Brasil, hoje em dia, representa um dos países do mundo onde está sendo mais fácil viver, apesar de todos os “senões” aparentes e desencantos.

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Tem razão o fazendeiro mariliense.

O Brasil representa hoje a 5ª. nação em área territorial e a 8ª. em população do mundo. Seu solo é riquíssimo e suas terras férteis. Abundantes são seus mananciais de água. Excelente é o seu clima e privilegiada é a sua situação topográfica, quase que totalmente isenta das consequências de fenômenos da própria natureza – sem vulcões, sem tremores de terra, etc.

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País verdadeiramente cosmopolita, onde muitos estrangeiros vivem com mais liberdade do que em suas próprias pátrias de origens.

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Verdade que somos um país inflacionário. Mas é justo que se analise que a inflação constitui um fenômeno internacional e que ganha corpo presentemente em nações várias, num ritmo mais acelerado do que entre nós.

Haja vista que os próprios Estados Unidos, país que sempre registrou o menor índice de inflação no mundo, abisma-se hoje face ao coeficiente elevatório do próprio custo de vida.

O fantasma da inflação domina a Itália, a França, o Japão e até a Rússia. Inclusive a Inglaterra, o país europeu que mais se caracterizou até aqui pelo seu conservadorismo indefectível e milenar.

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Se não bastara isso, quase nunca o brasileiro se detém em analisar o avanço da tecnologia nacional, o crescimento das áreas industriais, o progresso no campo da agricultura, o advento do Mobral, o rasgo de nosso solo, com o surgimento de modernas rodovias, o crescimento vertiginosos do parque industrial automobilistico e aeronáutico – além de dezenas de pontos outros, imponderáveis e vivos.

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Pensando nisso e alinhando esse pensamento ao ponto de vista inicial, manifestado pelo fazendeiro referido, a gente fica matutando:

É possível, sensatamente, votar-se nas próximas eleições, em elementos que são contrários a esse maravilhoso Governo da Revolução.


Extraído do Correio de Marília de 03 de outubro de 1974

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