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Um papai noel diferente (19 de dezembro de 1974)

Isto aconteceu há muitos anos, num pequeno sítio, distante oito quilômetros da cidade de Cafelândia. Um menino, cursando já o terceiro ano primário de escola rural, conseguira aprender a lenda do Papai Noel, ficção que a maioria das crianças da lavoura, na época, ignoravam completamente. --:-- Órfão de mãe, o menino pobre viu sentir dentro de sí aquele desejo magnifico de amor, pretendendo ser o Papai Noel dos dois irmãos menores, que não tinham a mínima lembrança da própria mãe. E o menino chamou a irmã e o irmão menores do que e maiores do que os outros dois, pedindo o natural sigilo à estória de Papai Noel e à intenção de dar presentes aos dois pequeninos. Os outros dois, uma menina e um menino, acataram a ideia do irmão maior, o menino desta recordação. --:-- Da mesma maneira da fábula dos ratos, que pretendiam amarrar um sininho no pescoço do gato, o desânimo tomou conta dos três confabuladores, quando um deles lembrou que para comprar os presentes h...

Assuntos oportunos (18 de dezembro de 1974)

Várias Câmaras Municipais de diversas cidades da região da Alta Paulista já elegeram seus novos presidentes e os demais componentes da Mesa. No que tange a Marília parece reinar a mesma obscuridade e incerteza do episódio de protelação e infirmeza verificado quando da época da decisão do lançamento do nome que representaria a Arena, como candidato à deputação estadual, no pleito ferido em 15 de novembro último. --:-- Jurema – Juventude Renovadora Mariliense, deve dar uma de jacaré: fingir de dormindo, mas continuar acordada, acompanhando as marchas e contra-marchas da política interna. Com a adoção desse espírito observador irá acondicionando subsídios para destituir das atividades políticas nas próximas eleições os elementos improdutivos ou negativos. Ao mesmo tempo, deve ir realizando o trabalho de sapa, visando ao despertamento de interesses e burilamento de valores novos para a substituição dos maus políticos. Povo mariliense confia na Jurema, fazendo com iss...

Petróleo em Guarantã (17 de dezembro de 1974)

Oxalá se positive a notícia que já principiou a despertar atenções gerais. E que, inclusive, já deverá estar dando motivação para o ensaio de explorações veladas – como sempre. --:-- É esta a notícia: Há indícios da existência de petróleo no pequeno município de Guarantã, cidade vizinha de Cafelândia. A euforia dominou os guarantãenses e a equipe de técnicos da Petrobrás que ali se encontravam, realizando estudos e pesquisas do solo. --:-- Há algum tempo, turmas da Petrobrás estiveram analisando diversos locais do município. Como aconteceu, inclusive aqui em Marília, onde o terreno desde a Serra do Rio do Peixe, até o município de Echaporã. Quatro meses antes essas equipes passaram por Guarantã e ultimamente estavam trabalhando em Coxim, no Estado de Mato Grosso, retirando amostras do solo e recentemente, recebendo determinações de departamento especializado do Rio de Janeiro, voltaram a Guarantã, incentivando os trabalhos. --:-- Os técnicos q...

Café e cacau (14 de dezembro de 1974)

Divulgou ontem (13/12/1974) este jornal, em primeira página, consubstancioso material informativo, condensando assunto importante, diretamente ligado à cultura cafeeira da região de Marília. --:-- A referida matéria, de autoria de nosso companheiro Luiz Carlos Lopes, fundamentou-se em entrevista obtida junto ao Sr. Brasílio de Freitas Cayres, presidente da Cooperativa dos Cafeicultores de Marília. --:-- O citado artigo, em termos de informação, encaixa a existência de uma situação anomala, que traz, por outro lado, a perspectiva e a sombra de um autêntico caos econômico: a erradicação das lavouras de café. Na balança da exportação nacional, o café ainda continua a representar um peso-ouro, mesmo considerando-se que, nestas últimas décadas, tenha sentido, em maior volume, o confronto de uma concorrência que até então não fazia qualquer sombra e nem ocasionava qualquer intranquilidade ao nosso mercado exportador. --:-- A política economica a respeito parec...

Onde Marília vai, a VASP não vai (13 de dezembro de 1974)

No plano de expansão preconizado pelo Secretário dos Transportes, Engo. Paulo Salim Maluf, consta um programa de estabelecimento de uma série de ligações no interior, em têrmos de expansão da Rede de Integração Nacional. Nesse plano configura-se a afirmativa da ligação de Marília com São Paulo, através de aviões regulares de carreiras da VASP. O referido plano de expansão foi traçado pelo Governador Laudo Natel e vem sendo executado em virtude da compra de aviões “Bandeirante”, fabricado pela Embraer – Empresa Brasileira de Aeronáutica. --:-- Dentro do plano está prevista a ligação de centros interioranos, via VASP, desde que possuindo mais de 100 mil habitantes e distando mais de 300 quilômetros da Capital. Marília possui densidade demográfica superior ao mínimo previsto e exigido pelo aludido plano. Além do mais, pelo menos por via térrea, a distância que a separa de São Paulo é superior aos 300 quilômetros exigidos no próprio colimado governamental. --:-- ...

Horóscopos, profecias e previsões (12 de dezembro de 1974)

Pelo jeito, no Brasil, em termos de divulgação dos chamados horóscopos, ninguém deve faturar mais violentamente do que o ex-mariliense Omar Cardoso. Omar fatura horrores com seus horóscopos diários, que a maioria da imprensa, especialmente a interiorana, divulga diariamente. --:-- O horóscopo divulgado pelo “Correio” não é da autoria de Omar e sim de origem grega, editado pela “Datura Verlagsanstalt, Triesenberg” – mais que isso não vem ao caso. --:-- Nota-se que “ninguém acredita”, conforme se afirma, mas a maioria das gentes prende-se aos horóscopos que os jornais divulgam. Temos casos de reclamações de assinantes do jornal todas as ocasiões em que o horóscopo deixa de ser publicado por óbvia razão. --:-- O presente intróito serve de “couvert” para o seguinte relato verídico: Tinha eu pouco mais de 17 anos quando, abandonando a lavoura, mandei-me para a cidade, a-fim de tentar um preparatório para ingresso no curso propedêutico – especie de giná...

Não há razão para neurose (11 de dezembro de 1974)

Não há muito tempo, Flávio Cavalcanti, num dos programas de televisão que costumava apresentar, fez uma “cera” danada e criou um estado de suspense entre os telespectadores. No final, veio a “bomba”, que não ficou nada além em efeitos do que um simples e inofensivo traquezinho junino. Disse Flávio (cadê ele?), que um grupo de cientistas chegou à conclusão de que a doença do ano de 1980 será a neurose. Parece não ser necessário saber como um cientista para prever tudo o que está diante dos olhos de toda gente. O mundo está fracionado por homens e ideias, por uma juventude que protesta sem dialogar, os meios de comunicação massificando todo mundo, ausência de uma compreensão geral e desmedimento nos horizontes da ganância, o materialismo capeando toda gente, o lufa-lufa cotidiano e as correrias de todas as horas pelo ganha-pão diário, tudo isso virá mesmo a fazer das gentes, usinas geradoras de neurose. --:-- A conclusão dessa “bomba” do Flávio Cavalcanti é tão...