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Dia da Imprensa e o Jornalista (11 de setembro de 1973)

Sem pompas, sem destaque relevante, sem qualquer comemoração condiga entre nós, perdido na sequência comum de um fim da Semana da Pátria, transcorreu ontem, 10 de setembro (de 1973) , a passagem do Dia da Imprensa. --:-- No ido de 1808, no dia 10 de setembro, há 165 anos passados, circulava, pela primeira vez no país, um jornal brasileiro. Seu nome: “A Gazeta do Rio de Janeiro”. A data desse surgimento, passou a ser oficialmente – perpetuada como a era do nascimento da imprensa nacional, justificando-se o 10 de setembro como o Dia da Imprensa. --:-- Em junho daquele mesmo ano, havia circulado no Brasil, um outro jornal, “O Correio Braziliense”, editado por Hipólito José Costa. Esse, todavia, não se considerou jornal brasileiro, porque fôra impresso em Londres. --:-- Editar um jornal, pequeno ou grande, em cidade interiorana ou em Capital, representa um poço de sacrifícios e um idealismo dos mais altaneiros. --:-- O jornalista autêntico, nasci...

Pedintes que não são mendigos, mas que são marginais. E também perigosos (11 de setembro de 1973)

Nunca, na vida de Marília, a cidade e sua população, viveu momentos de tão intensa intranquilidade como agora. Não há o mínimo de exagero, na série de escritos que vimos publicando, com referência ao problema angustiante, que se agrava, parecendo propositadamente, dia a dia. A família mariliense vive um clima de verdadeira preocupação, tal o número de matilhas de pedintes que infestam suas ruas, dia e noite, na indesejável “profissão” do “me dá, me dá”. Não existe a humildade dos necessitados e dos miseráveis, no procedimento condenável desse ról de pedintes. Não são farrapos humanos, doentes ou fisicamente defeituosos. São homens fortes, mal encarados, atrevidos, prepotentes, exigentes e sobretudo “marrudos” e perigosos. Não pedem, exigem. Não imploram, ameaçam.          Nas ruas e nas residências Nas ruas, centrais ou não, nenhum mariliense tem sossego, ante o assedio permanente dessa casta, que comprovado está, é...

Pracinhas confraternizam-se (9 de setembro de 1973)

Como ocorre todos os anos, após o desfile do Dia da Pátria, os pracinhas que integram a Força Expedicionária Brasileira, estiveram reunidos num almoço de confraternização. O ágape teve lugar no Marília Palace Hotel, do qual participaram os ex-combatentes e seus familiares, num ambiente da mais franca camaradagem e o serviço excelente do ítalo-mariliense Remigio Gallo. Como convidados especiais dos pracinhas, participaram do almoço o Ten. Cel. Irahy Vieira Catalano, o Cap. José Helton Nogueira Diefenthaler, o Cap. Ernesto Ravanelli, Cônego Toffoli, o prof. Olimpio Cruz e outras pessoas. Sobre o Dia da Pátria e o motivo da reunião, fizeram uso da palavra na ocasião, o Dr. Flavio Villaça Guimarães, o prof. Olimpio Cruz, o Sr. Teófilo Acósta, a Sra. Marina Moretti Ferreira e nosso companheiro e também pracinha José Arnaldo. Extraído do Correio de Marília de 9 de setembro de 1973

A caturrice consciente (7 de setembro de 1973)

É um fator psicológico: Quem escreve para o público, deixa exteriorizar, mesmo sem o sentir e quiça involuntariamente, muito do próprio Ego. --:-- Como experimentado no oficio, rabiscando para jornais há mais de 30 anos, sem a comprovada mínima intenção de usufruir quaisquer vantagens pessoais, tendo sentido, percebido e assimilando isso. E tenho também, notado o mesmo, em pessoas outras. --:-- Quem redige para terceiros, imbuído de intenções claras, sinceras e sem intentos de dubialidade, acaba demonstrando certa dose de inquietação, mista de apego, por todas as boas causas. --:-- Como, nem todas as demais pessoas seguem o mesmo trilho e pensam da mesma maneira, forma-se a cifra adversa, de entenderes reversos. Felizmente, num regime democrático, isso é possível. Mais ainda, proporciona ensejos e faculta condições, da manifestação da dualidade ou multiplicidade de pontos de vista. Convergentes e divergentes. --:-- Uma coisa, certa é:...

Pedintes estão com tudo. Andam armados e ameaçam (6 de setembro de 1973)

Sempre soubemos e fomos capaz de discernir, em todos os escritos de jornal, os mendigos realmente necessitados e os que fazem do estender a mão à caridade pública uma profissão. E dissemos sempre, da impossibilidade do mariliense comum distinguir, dentro os pedintes, qual o falso do real mendigo. Jamais nos cansamos de repetir, que o óbulo dado, tanto poderia ser um legitimo auxilio, como um estimulo para a sequência da vagabundagem, dependendo da condição, de fato ou falsa, de quem o recebia. Nunca tripudiamos sôbre a desgraça ou a miséria alheia, mas vimos, como toda a população, de uns tempos para cá, abusos e mais abusos, com a cidade infestada de matilhas de pedintes, homens, mulheres e crianças, a maioria com aparências físicas contrastando com a necessidade do pedir. O que acima se asseverou, incerto está nas coleções do nosso jornal.          ABUSOS E ROUBOS Ultimamente, a cidade acabou transformando-se num autê...

Comércio Noturno (II) (5 de setembro de 1973)

Conta-nos a própria história, que o imenso rosário de invenções que conhecemos e desfrutamos, foi em grande parte, resultado da casualidade, do inesperado, ou mesmo do imprevisto. O inventor da locomotiva, por exemplo, cogitava e idealizava outro engenho e jamais pensava que estaria descobrindo uma máquina à vapor, que deslizaria sobre trilhos de aço e que tantos benefícios iria prestar à humanidade. --:-- Mas, a maioria das invenções que hoje são realidade, geraram-se de experiências, de testes, de pesquisas, de repetições e aperfeiçoamento de trabalho. O aperfeiçoamento, a adoção de uma medida ou providência, são quase sempre, frutos de uma experiência inicial. --:-- Quando um caráter experimental vem a provar que resultados positivos não deu, no mínimo serviu para descortinar outros horizontes, com um desvio obrigatório da rota inicialmente colimada. E com a certeza de que o fator experimentado não dando os resultados almejados, serviu para forçar a busca...

Comércio Noturno (I) (4 de setembro de 1973)

Filho de Imigrante europeu pobre, fui obrigado a aprender a trabalhar desde tenra infância. A inevitável circunstancia, da necessidade de subsistência, acabou, sem que eu percebesse, tornando-me um eclético em labor. Tanto isso é verdade, que acabei praticando e parcialmente dominando, mais de trinta atividades de trabalho! --:-- Garoto, trabalhei em farmácia, cujo estabelecimento abria suas portas por volta das seis da manhã e só encerrava suas atividades, geralmente depois das 10 da noite, quando ninguém mais havia para atender. Isso, de segunda a domingo, de primeiro de janeiro a 31 de dezembro, inclusive na sexta feira santa. --:-- Como aprendiz de alfaiate, trabalhava de cedo à noite, inclusive aos sábados e domingos. --:-- Numa venda de beira de estrada, na zona rural, passei alguns anos. No balcão, na lavoura, como peão boiadeiro, como açougueiro, etc. Tudo ao mesmo tempo. --:-- Posteriormente, já adulto, fui garção, quarteiro e portei...