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Liberdade para Prestes (30 de novembro de 1957)

Sem atinar verdadeiramente com os motivos, porém acreditando em boas intenções, aquí estamos para atender uma solicitação que nos foi formulada, escrevendo algumas linhas acerca da propalada luta óra em vigência, objetivando a liberdade do Sr. Luiz Carlos Prestes. Em primeiro lugar, consideramos o lider comunista como um mau brasileiro (embora nada tenhamos contra ele e nos sintamos no dever de respeitar seus pontos de vista doutrinários). Consideramo-lo mau brasileiro e não podemos perdoá-lo, por mais humanos que sejamos, uma vez que ainda está viva em nossa lembrança a sua afirmativa de que lutaria o meso contra a Pátria, caso o Brasil viesse a guerrear contra a Rússia! Existe mandato de prisão preventiva contra o mesmo e no entanto, gente de responsabilidade, que se fantasia de defensora do povo, pactua com o ato, desprestigiando a própria Justiça e tentando a liberdade do citado cidadão. Propugnar pela liberdade de Carlos Prestes, é um direito que assiste a qualquer um, gesto merec...

Liberdade e violência (28 de novembro de 1957)

Não faz muito tempo, um famoso jornalista francês que visitou nosso país, teve a oportunidade de manifestar-se verdadeiramente abismado com a destemoridade da imprensa brasileira. “A imprensa do Brasil é a mais destemida e violenta do mundo” – declarou o citado profissional de imprensa, por sinal um nome de capacidade e projeção internacional. Para nós, habituados já ao atual “modus vivendu” da imprensa nacional, a afirmativa em apreço deu-nos um pouco que pensar. Isto, porque, em nosso modo de ver as coisas, analisando os fatos sob o prisma de imparcialidade, neutralidade e independencia – bandeira norteadora da boa imprensa nacional – habituamo-nos a encarar a decorrência natural da vida de nossa imprensa, como perfeitamente normal e idêntica à de todo o mundo. Pelas declarações do diretor do “Paris Match”, no entanto, pudemos perceber que nem toda a imprensa nacional é aquilo que se póde e deve considerar como “boa imprensa”. Ainda ontem (27/11/1957) , um amigo nos exibia duas revis...

Título Eleitoral (26 de novembro de 1957)

No próximo dia 31 de dezembro (de 1957) (e) xpirará o prazo de validade dos títulos de eleitor, presentemente chamados “antigos”. Depois dessa data, nenhum brasileiro maior de 18 anos estará em condições de requerer a expedição de qualquer documento ou exercer atividade dependente de apresentação de papéis necessários e oficiais, sem a posse do novo título eleitoral. Por todos os meios possíveis, as autoridades eleitorais estão de há muito divulgando essa necessidade. Conforme escrevemos há alguns dias passados, parece-nos que o interêsse (e obrigação) geral está se apresentando um tanto “fria”, ou, mais precisamente, não correspondendo aos prognósticos inicialmente elaborados. Conforme dissemos, é bastante estranhável a atitude de grande parte dos nacionais, em não se interessar de pronto pela solvição dêsse compromisso de brasilidade. A obtenção de carteiras profissionais, a inscrição em concursos para cargos públicos, etc., etc., será inviável e impraticável para qualquer cidadão em...

Ruas, passeios e buracos (23 de novembro de 1957)

Sem nenhum negar, o atual Prefeito Municipal é um administrador de grandes realizações. A construção do Paço Municipal, por si só, recomenda seu govêrno, como um administrador dinâmico e bastante trabalhador. O prolongamento da rede de água e esgoto, a extensão da rede de iluminação, o aumento do calçamento da cidade e os planos de asfaltamento, são, sem sombra de dúvida, elogiáveis atividades do sr. Argolo Ferrão. Sucede, conforme dissemos em outras ocasiões, que os problemas municipais são complexos variados e diversos. Ao par das grandes realizações, mistér é que se olhe também para pequenas questões, aparentemente fúteis. Os buracos de determinadas ruas, o desnível do calçamento em inúmeros pontos da cidade e os buracos dos passeios públicos, são também assuntos que devem merecer atenções da administração municipal. Muitas reclamações nos chegam ao conhecimento, acerca de buracos nas ruas da cidade. Ponderamos aos reclamantes, que problemas de maior monta estão ocupando as atenções...

Voto de analfabetos (22 de novembro de 1957)

Continua em discussão o problema atualmente em foco na Câmara Alta, acerca da instituição do direito de votos para os analfabetos. As opiniões são diversas. Ainda não se conseguiu apurar u’a maioria esmagadora pró ou contra a questão. Os pareceres daquêles que têm sôbre os ombros a missão de solucionar tão grave questão, divergem entre si, mas nenhuma parte conseguiu, de modo positivo e cabal, subjugar a parte contrária. Entendemos, nós, que a instituição do direito de voto aos analfabetos representa uma verdadeira imprudência política. Reconhecemos nos brasileiros em geral, iguais direitos, menos êste. É verdade que estamos num regime democrático e que numa democracia não há lugar para distinção de preferências políticas, não se justificando o afastamento dessa órbita dos que não sabem ler e escrever. Mas também é verdade que o colegiado eleitoral brasileiro ainda está bastante “verde”, crú mesmo. Se estamos nessas condições, ao entendermos êsses direitos aos analfabetos, estaríamos, ...

Porteiras da paulista (21 de novembro de 1957)

Voltou-se a agitar a questão da necessidade de encontrar-se uma solução cabal e correspondente, para o problema verdadeiramente calamitoso que representa para Marília as “célebres” porteiras da Cia. Paulista. Há longos anos êste jornal vem focalizando (o) fato, tendo provocado, inclusive, entendimento de autoridades municipais e associações de classe com os altos dirigentes da grande empresa ferroviária. O problema, no entanto, permaneceu insolúvel. Recordamo-nos que no passado, sugerimos entendimentos diretor do sr. Prefeito Municipal (ainda antes do atual período de redemocratização nacional) com a direção da Paulista. Tais entendimentos foram levados a cabo, mas as providências até hoje não surgiram. O dr. Jaime Cintra, já recebeu por diversas vezes emissários da cidade, que expuseram pormenorizadamente ao ilustre diretor da Paulista, os problemas e a necessidade de sua solução. S. S. não ignora, portanto, a urgência do fato, e, apesar das boas intenções anteriormente demonstradas ...

Mercado Municipal (20 de novembro de 1957)

Há muito tivemos a preocupação de escrever alguma coisa acerca da necessidade de remodelação total do atual Mercado Municipal de Marília. Ainda no govêrno do sr. Adorcino de Oliveira Lírio, martelamos o assunto por diversas vezes. Mais tarde, com a posse do sr. Argolo Ferrão, voltamos ao assunto, que fô (r) a anteriormente focalizado, quer na administração do sr. Neves Camargo e Adhemar de Toledo. Agora, na última sessão da edilidade mariliense, o vereador dr. Fernando Mauro voltou a agitar a questão, dizendo em plenário da carência de Marília em face (da situa) ção total do atual Mercado. Tem razão o edil pedecista, como também nós há muito tempo. O prédio do obsoleto Mercado Municipal, de há muito deixou de acompanhar o progresso e as necessidades marilienses. Tornou-se pequeno, acanhado, insuficiente para atender as suas reais finalidades. Até as condições da moderna higiene não encontram cabal acomodação dentro dêsse próprio, uma vez que a sua construção passou a figurar no ról das...