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Nossa grande companheira (31 de outubro de 1957)

Não há muito, fomos abordados por um estimado causídico da cidade, nosso particular amigo e assinante dêste órgão. O bacharel não escondera a sua admiração, pelo fato de que, só poucos dias antes viera a saber, que o autor destas linhas éra seu amigo comum. Mostrara-se surpreso, segundo nos asseverara, pelo fato de privar de nossa amizade, ser nosso leitor, algumas vezes abordar um assunto por nós escrito, ignorando-nos como o autor desta coluna. Por outro lado, jamais nos passou pela mente, que referências conosco, acerca de nossos escritos, fossem feitas por essa pessoa, nessas condições, isto é, ignorando-nos como “o pai da criança” no caso. Tecendo-nos elogios excessivos de bondade, nosso amigo dizia apreciar o que escrevemos, pela variedade das questões que abordamos e pela singeleza do vernáculo que utilizamos. E perguntava-nos se às vezes não nos sentíamos em dificuldades para encontrar ou desenvolver um assunto, destinado à êste espaço. Justificou a pergunta, alegando que êle p...

Um policial diligente (30 de outubro de 1957)

É de nosso feitio, abordar através desta despretensiosa coluna diária, os assuntos de maior interêsse momentâneo. Dedicamos um carinho ainda mais especial, aos fatos relacionados de uma ou outra forma, com as coisas e causas marilienses e de sua gente, enfim. Destacamos acontecimentos diretamente ou não, ligados com a própria vida de Marília e seu povo, como igualmente criticamos aquilo que se nos parece errado ou contraproducente. Quando censuramos, procuramos fazê-lo cingidos exclusivamente dentro do labor jornalístico, sem permitir que nessas críticas seja exteriorizado nenhum egocentrismo. Quando louvamos fatos ou atitudes de alguém, igualmente o fazemos dentro dêsse princípio e dessa função. É o caso de hoje. Não poderíamos nos furtar ao dever de ressaltar, a conduta de trabalhos de uma autoridade policial de nosso município, que, até aqui, apesar do pouco tempo que com os marilienses priva, foi capaz de dar mostras sobejas, de diligência, pulso firme, boas intenções e um espírito...

“Gatos” e “ratas” (29 de outubro de 1957)

Todo aquele que dirige ou milita num órgão de imprensa, está sujeito a passar, de vez em quando, suas dores de cabeça, em consequência de erros cometidos em seus trabalhos ou no periódico dirigido. Se “errar é humano”, conforme reza antigo brocardo, não poderiam os jornalistas, especialmente os interioranos, arcar com o crucifixamento pretendido por muitos, que, alheios aos trabalhos jornalísticos, exergam nos chamados “gatos” de imprensa, motivos de condenação, de “gozações” e até de escárnio, em determinadas ocasiões. Isto nos ocorreu agora, quando recebemos pelo correio, num envelope, ao lado de um bilhete anônimo, um recorte de um jornal interiorano, eivado de erros tipográficos, todos assinalados à carmin. O missivista, que por sinal deve ser leitor désta coluna, demonstrou suas intenções de que viessemos à público “descascar” o colega pela série de descuidos cometidos e rigorosamente selecionados e assinalados. Referiu-se às “ratas” do jornal. Entre “gatos” e “ratas” existe enorm...

A questão dos semáforos (26 de outubro de 1957)

Por diversas vezes nos ocupamos anteriormente, acerca da necessidade de ser Marília dotada com maior número de sinaleiros de trânsito, dêsses de tipo luminoso. As razões, amplamente delineadas, não podem ser refutadas, em virtude dos comprovados motivos de justeza que encerram. Quando parecia que nossas palavras tinham sido levadas pelo vento, eis que alguns vereadores principiaram agora a interessar-se melhor pela questão, alguns dêles depois de ter verificado e estudado o assunto em apreço. De fato, o movimento de trânsito de nossa cidade – motorizado e pedestre –, está, de há muito, a exigir êsse complemento auxiliar da fiscalização, não só para facilidade em si, dos próprios funcionários incumbidos do serviço referido, como para melhor garantia e salvaguarda das gentes e de bens materiais. Ao que nos consta, o assunto voltará a ser focalizado numa das próximas sessões do legislativo mariliense, como uma necessidade inadiável que é. É de esperar-se, por isso mesmo, a solução dêsse p...

O General e a greve (25 de outubro de 1957)

Sinceramente, causou-nos a mais profunda espécie, a atitude do vice-governador do Estado, general Porfírio da Paz. Não porque S. Excia. tivesse se solidarizado com o movimento paredista de grandes proporções, óra (des) ferido em São Paulo, mas sim pelos meios como o vice-governador aderiu ao acontecimento, chegando ao cúmulo de sair às ruas e comandar “piquetes” de grevistas. Estranhamos o agir do general Porfírio, como homem público, como político consumado e como oficial general de nosso Exercito. Por mais que tivéssemos tentado achar motivos par (a) justificar a atitude do vice-governador, não conseguimos fazê-lo. O gesto do general foi de uma infelicidade completa. Pactuou com um movimento que foi disvirtuado em suas finalidades primordiais, passando, de greve passiva à ondas de agitações, depredações e imposições condenáveis, inclusive com destruições de propriedades alheias. Colocou-se frontalmente contra o próprio Governador, uma vez que êste procura deter a onda de destruições...

Imprensa e policia (24 de outubro de 1957)

Dois poderes, duas autoridades, duas ações correlatas e uma só finalidade: o bem estar público. Imprensa e polícia têm muito em comum. A imprensa orienta, esclarece, divulga, previne, combate e critica, procurando mostrar o correto, perfeitamente diferenciado do errado. A polícia fiscaliza, proteje, dá segurança e combate o mal, trazendo a certeza do bem estar e da inviolabilidade dos direitos das gentes. A colaboração intrínseca dessas duas fôrças, só pode trazer à família brasileira, uma orientação segura e firme, o combate ao mal, a garantia da integridade individual e a preservação da moral e dos direitos contitucionais de todo o cidadão. Não será êrro o dizer-se que uma age, direta ou indiretamente, em função da outra, embora por caminhos diferentes e ações diversas. A conjugação dessas duas alavancas, apresentam uma fôrça que resulta no melhor beneficio público. A divergência dessas duas ações, ou a má orientação dos destinos de uma ou outra, reverte, diretamente, em detrimento d...

Luz para a Vila Fragata (23 de outubro de 1957)

Diversas pessoas nos procuraram, para que fôssemos intérpretes junto ao sr. Prefeito Municipal e também junto à Companhia Paulista de Força e Luz, no sentido de que sejam tomadas providências urgentes, para estender até à Vila Fragata, os benefícios da rede de energia elétrica. Realmente, trata-se de uma aspiração das mais justas, uma vez que a Vila referida é o bairro mais próximo ao centro, distando, da parte central da “urbe”, apenas 700 metros. Não é fácil de compreender, que, na atual éra da energia atômica em que vivemos, um bairro tão próximo ao centro da cidade, continue a reclamar êsse melhoramento, hoje em dia tido até como dos mais comezinhos. Contam-nos os interessados, de que os proprietários de casas e terrenos do mencionado bairro já depositaram na Prefeitura Municipal de Marília, a quantia aproximada de 60 mil cruzeiros, para que o poder executivo póssa fazer face às despesas da instalação dos postes respectivos. Ficamos até um tanto céticos quanto à essa informação, po...