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O Brasil, a Bolivia e o Petróleo (31 de julho de 1956)

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O assunto – petroleo – até arrepia, quando se tem que escrever a respeito. Principalmente quando tudo o que se diz acerca do mesmo lembra logo o comunismo e suas campanhas. Acontece que não somos comunistas, derrotistas ou anti-patriotas. E também, a rigor, somos “meios” leigos na matéria. Entendemos a questão da exploração do petróleo, como necessidade nacional, como uma riqueza tão poderosa como o café, o cacau ou a borracha – um índice verdadeiro de independência econômica da nação. Por isso, achamos que a exploração da maneira como é apregoada à larga, óra iniciada pela Petrobrás, está já com uma centena de anos de atrazo. Mesmo assim, não concordamos com a obrigatoriedade de proprietários de veículos serem compulsados a adquirir ações da empresa. É um ponto de vista nosso. O assunto primordial desta nossa crônica de hoje, sobre o petróleo, “são outros quinhentos cruzeiros”. O Sr. Hernan Silles Zuazo (foto) , Presidente da República da Bolívia, declarou à imprensa brasileira, quand...

O Curso Ginasial Noturno (28 de julho de 1956)

O povo mariliense, através das providências de suas autoridades e das lutas de seus vereadores, conseguiu tornar realidade um velho sonho, uma antiga e justa aspiração de sua mocidade estudantil: a criação e instalação de um curso ginasial noturno e gratuito, de carater oficial. Não há necessidade de relatarmos aqui, com minúcias, as oportunidades que tal curso oferecerá aos estudantes pobres, principalmente àquêles que trabalham durante o dia e pretendem estudar à noite. Maximé considerando-se as elevadas taxas educacionais dos dias de hoje. Há no entanto, uma ressalva a fazer-se ao povo mariliense, em especial a sua mocidade estudantil: É que, segundo estamos informados, está se apresentando aquém das expectativas, o interêsse que a criação de tal curso deveria despertar. Parece mesmo que o número dos pretensiosos a desfrutar dêsse privilégio, será diminuto e poderá inclusive, acarretar o não funcionamento do aludido curso noturno, se o coeficiente de matrículas não atingir o limite ...

Um problema grave (27 de julho de 1956)

Já tivemos o ensejo de dizer, através desta mesma coluna, que entendemos, com razão, que o meretrício é um mal necessário. E que em especial, nada temos contra as infelizes mulheres que mercantilizam o amor fazendo intercâmbio do próprio corpo. Continuamos ainda com o nosso ponto de vista (que não é segredo para ninguem), de que em Marília, o problema, colocado no pé em que se encontra, está a exigir atenções urgentes das autoridades constituidas. É mesmo inadmissível, que se verifique a imiscuidade tão flagrante como está acontecendo em nossa cidade, entre famílias e meretrizes, às vezes em casas intercaladas numa mesma via pública. A zona do pecado, felizmente é delimitada; infelizmente tais limites não são observados. Existem ruas em nossa urbe, onde os forasteiros que procuram o “bas fond” não sabem onde entrar e chegam a bater em casas de família! Publicamos, ha dias, neste jornal, um abaixo assinado, contendo cerca de cem assinaturas, em que pessoas residentes nas imediações da c...

A Cooperativa Banco de Marília (26 de julho de 1956)

Faz muitos anos. Um grupo de pessoas, oriundas de outras paragens, mas que sentiram, logo que aqui aportaram, um amor verdadeiro por estas plagas, entendeu de criar em nossa cidade, um banco cooperativo. Da idéia à realização, pouco tempo decorreu, porque êsses homens puseram mãos à obra sem medir sacrifícios. Sem considerar as dificuldades naturais que se deparam às grandes iniciativas. E surgiu, então, a Cooperativa Banco de Marília Ltda. A princípio, embora contasse com o apôio de muita gente, gente que conhecia sobejamente a capacidade de trabalhos e de intenções daqueles timoneiros, não deixou a organização de atravessar suas séries de dificuldades. Um estabelecimento, especialmente de crédito, assegura suas bases de solidês, não só no capital integralizado, mas, em particular, na capacidade e na integridade moral e de trabalhos de seus responsáveis e dirigentes. O início, como todos os começos de grandes realizações, foi cheio de percalços, de incontáveis dificuldades. No fin...

Reflorestar é u’a necessidade (25 de julho de 1956)

O problema do reflorestamento é mais necessário e urgente do que à primeira vista possa parecer. A rigor, é mesmo uma necessidade das mais patrióticas. O Brasil, embora com uma vastidão de terras “por descobrir”, considerando-se a sua pouca idade em face dos demais países do globo, apresenta-se, nesse particular, como uma verdadeira lástima. De acôrdo com as estatísticas, cerca de 80% do combustível destinado às indústrias, meios de transportes e atividades domésticas, é representado pela lenha e carvão de lenha. Ainda conforme os mesmos dados oficiais, 500 mil hectares de matas são derrubados anualmente no país. Afóra isso, as chamadas “zonas novas” alimentam também o consumo de madeira para as moradias, etc.. No ritmo que caminhamos, nesse particular, não mui distante, o país se transformará num deserto de florestas, mesmo apesar das enormes áreas do “Brasil desconhecido”. Tem razão o vereador J. Coriolano de Carvalho, quando manifesta publicamente a sua preocupação a respeito do pro...

A nova “miss” Universo (24 de julho de 1956)

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A srta. Carol Morris (foto) , representante do Estado de Iowa, U. S. A., acaba de ser coroada “miss” Universo de 1956, no concurso de beleza recentemente realizado em Long Beach, na Califórnia. As finalidades do concurso referido, não vamos comentar, porque não as vemos e nem tampouco as entendemos. Nesse particular, só conseguimos observar o espírito de propaganda comercial, feito com bastante vontade e com muito dinheiro. Vamos apenas, hoje, tecer umas consideraçõeszinhas acerca de nossa representante, a gauchinha Maria José Cardoso, que partiu para a terra de Tio Sam vislumbrando um horizonte verde de esperança e regressará agora imersa num mar de desilusões. É que muitos brasileiros, andam por aí a clamar de injusta a decisão do juri, alegando parcialidade do julgamento, “marmelada”, etc. e tal. Pode ser que hajam se verificado tais expedientes; mas acontece, que mesmo que isso tenha sucedido, não temos a respeito, o mesmo modo de pensar que há um ano passado externamos acerca de E...

É inacreditável (21 de julho de 1956)

No Brasil aconteceram coisas extraordinárias, como nos Estados Unidos. Só que de maneira diversa. O norte-americano é prodigioso em criar situações curiosas, emoldurar fatos umas vezes ridículos, outras ocasiões cômicos e trágicos. Regra geral, prendem-se à pessoas, refletem-se um espírito onde aquilo que se póde chamar “esportividade” supera o fator conhecido como individualismo. Já com o nacional, fatos desse jaez, curiosos, exóticos, são conhecidos à miude, como verdadeiras aberrações, onde presponta um espírito de oportunismo, egoísmo, menosprezo ao próximo, num áto indistinguível de “salve-se quem puder” ou de “puchar a sardinha para o seu lado”. Não queremos dizer que todos os brasileiros sejam assim. É que, de modo geral, assim se apresenta a “radioscopia” do espírito da maioria de nossos patrícios. Todos clamam da vida, jamais vimos muita gente satisfeita com seu próprio ‘modus vivendi’. O pobre, mais conformado, vai vivendo aos “trancos e barrancos”. O da classe média, sempre ...