Postagens

Política e Politicalha (08 de maio de 1956)

Não somos entendidos no assunto. Confessamo-lo sem pêjo. No entanto, entendemos a política, como um plano de ação, organizado e desenvolvido por grupos de pessoas, dentro de uma doutrina pré-estabelecida, objetivando servir, de modo direto e democrático, à Pátria e à coletividade brasileira. Difamar, caluniar, entrar no terreno pessoal, com ataques individuais e esgaravatando feridas de adversários de ideologia partidária (tão comum no Brasil em épocas de eleições), para nós não é política. É sordidez, baixeza, incapacidade política. É politicalha. Já temos comentado isto em outras ocasiões. E continuamos acreditando que muitos políticos nacionais carecem entrar para uma escola da decência parlamentar, onde a ética seja matéria obrigatória. Um deputado estadual, nos dá agora desagradável exemplo dêsse estado de coisas. O sr. Gabriel Quadros, em violentos ataques ao Governador do Estado, seu próprio filho, diz em plenário cobras e lagartos daquêle que tem o seu sangue, numa demonstração...

As Tarifas Postais (05 de maio de 1956)

Não somos técnicos, para discutir o assunto; apenas, como parte integrante do próprio povo, e, como elementos de imprensa, nos assiste o direito de dar também a nossa opinião a respeito – aliás, das mais respeitáveis. A elevação das tarifas postais, em vigor desde o dia 1º do corrente, é um fato sem precedentes na própria história do país, tal o incrível “salto” do aumento. Embora tenha o Presidente Kubitschek, beneficiado uma grande classe de servidores públicos, com u’a majoração de vencimentos, com justiça mesmo, nada mais fez do que “despir um santo para vestir outro”. Sua excia., pelo que estamos percebendo, através da repercussão que vem acompanhando as consequências dessa pirotécnica elevação das tarifas postais e telegráficas, acaba de ganhar um voto de desconfiança de grande parte do povo brasileiro. Não estamos contra o aumento das tarifas postais telegráficas. Somos aversos, à proporção com que foi decretado. Mais de mil por cento de elevação, é alguma coisa digna de ser com...

O Cine São Luiz (04 de maio de 1956)

Terá lugar hoje, a inauguração do Cine São Luiz, ocasião em que os cinemeiros marilienses terão o ensejo de conhecer as novas instalações da aludida casa de diversões. Totalmente remodelado, elevada a altura do prédio, com tela panorâmica e poltronas estofadas, Marília terá agora, um cinema à altura de seu progresso. Estivemos ôntem apreciando os melhoramentos introduzidos naquela casa de espetáculos. Nos convencemos que de fato, o sr. Emilio Peduti, na palavra do sr. Ezequiel Bambini, cumpriu uma parte de sua promessa aos marilienses: remodelou o Cine São Luiz, deixando-o equiparado com os melhores cinemas do interior. A outra parte da promessa, é a reforma do Cine Marília, que, provavelmente, logo se dará. Mas, voltemos ao Cine São Luiz, que hoje será inaugurado em sua nova fase. À primeira vista, pareceu-nos que nada foi esquecido. A sala de espera que dá acesso aos balcões, foi ampliada, modificada. As instalações sanitárias melhoradas e também ampliadas. Um bebedouro foi introduzi...

Volta à Luta (03 de maio de 1956)

Depois de um periodozinho de férias, aqui estamos novamente, em contacto, com os leitores do “Correio”, de volta à nossa luta. E, como “escrever é uma cachaça”, confessamos que já sentíamos saudades dêste jornal, agora entrado no 29º ano de suas atividades em pról desta querida Marília. Aqui estamos novamente. Sem quaisquer pretensões, que não sejam os desejos ardentes de emprestar nossa modesta colaboração à Marília e seu povo, traduzindo em letras de forma, nossas idéias e pensamentos, divulgando aquilo que deve ser conhecido e criticando construtivamente. Estamos novamente principiando a “tomar pé” com as últimas ocorrências da cidade, de vez alguns dias distanciados de nossas lides, nos forçaram a ignorar alguns fatos de maior interêsse da “urb”, acontecidos nesses dias em que estivemos ausentes. Firmes estaremos, como sempre, em nossa mesa de trabalhos, local que há mais de 10 anos conhecemos. E iremos para a frente. Às vezes, recebemos aplausos, outras ocasiões sendo incompreendi...

O encontro Janio-Juscelino (11 de abril de 1956)

Sábado último, em Assis, por ocasião do encerramento do Congresso Rural levado a efeito naquela cidade da Sorocabana, deu-se o esperado encontro do Governador do Estado com o Presidente da República. Observadores políticos aguardavam com ansiedade e indisfarçável expectativa, o encontro dos dois Chefes de Estado, principalmente quando nos últimos tempos, a amizade política dos dois poderes andava lá algo estremecida. O aeroporto de Assis, superlotado por autoridades, polícias, curiosos, lavradores e representantes da imprensa, apresentava um aspecto incomum, desusado. Milhares e milhares de pessoas tinha acorrido àquela cidade, a fim de participar ou assistir ao conclave, que em verdade monopolizou as atenções de todo o Brasil. Com a pontualidade britânica, chegou o Governador a Assis, viajando em avião de carreira da VASP. O Presidente da República, viajando em avião especial da FAB, chegou com um considerável atraso. A expectativa era maior em torno do encontro Jânio-Juscelino, do qu...

Marília e os Flagelados (10 de abril de 1956)

O povo de Marília, mais uma vez, deu mostras sobejas de seu espírito de solidariedade humana, ao cerrar fileiras em torno das vitimas das catástrofes ocorridas com os desmoronamentos em Santos. Não foram poucas as famílias que ficaram no relento, não foram poucas as famílias que perderam entes queridos, nessa hecatombe. A despeito das providências das autoridades santistas, estaduais e mesmo federais, dos auxílios empreendidos pelo povo de vários quadrantes do Brasil e por diversas entidades assistenciais do Estado, o mariliense também ofereceu, com sua espontaneidade, o seu quinhão de auxilio. Numa demonstração cabal de solidariedade com os irmãos santistas, os srs. José Leite Carrijo Júnior e Francisco Dias, organizaram listas de subscrição pública. O total arrecadado, que soma a importância de Cr$ 62.941,50 (sessenta e dois mil, novecentos e quarenta e um cruzeiros e cinquenta centavos), já foi encaminhada à Comissão Especial em Santos, sob o nome do povo mariliense, acompanhada da ...

A Banda de “Seu” Galati (07 de abril de 1956)

É do homem o defeito. A maioria é do “lado da sombra”. Uma outra parte acompanha a maioria. Pouco agem independentemente e com razão, quando o senso se faz preciso. Não pretendemos advogar causas de ninguém, mas ficamos um tanto chocados com a “onda” feita por grande número de marilienses, contra a Banda do sr. Jorge Galati, a “furiosa”, como é conhecida. Apesar de ser chamada a “Banda do Galati”, é uma corporação municipal. No Dia do Município, a Comissão Especial dos Festejos de 4 de Abril trouxe a Marília, o que de mais completo se poderia esperar no gênero: a Sociedade Filarmônica “Pietro Mascagni”, de Jaboticabal, conhecida como a “Banda de Jaboticabal”, composta de 40 excelentes figuras e honrosamente vencedora da primeira colocação no concurso de bandas musicais, instituído pela Comissão dos Festejos do IV Centenário de São Paulo. A aludida corporação deu um brilho impar às solenidades do Dia de Marília. Correspondeu integralmente. Foi mesmo uma feliz idéia trazê-la para nossa c...