quinta-feira, 12 de maio de 2016

Por ar ou por mar? (12 de maio de 1983)

Sempre assim.

A morola briga com a pedreira e quem paga o pato é o siri.

Os líbios arrumaram essa encrenca dos diabos, que todo mundo conhece, inclusive eles próprios. Os aviões da Alitalia pediram ao Governo brasileiro a bagatela de 150 mil dólares para transportar o armamento. Agora vai por mar mesmo. Fica um pouco mais em conta.

Não representa uma boa economia para a gente?

Bah.

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Sinceramente.

Sob alguns aspectos, parece que o movimento de alguns escalões da autoridade e da própria administração superior, não tem lá os resquícios de sinceridade que de inicio poderia parecer.

Com todo o patriotismo que a gente pode dispor, não dá para se acreditar que exista mais lealdade e interesse nacional, do que conveniências de alguns. Por mais que a gente bote fé no Presidente Figueiredo, humano e patriota como é, fica aí um leve desconfiar, que há interessados em sua continuidade, sem o patriotismo e a brasilidade incontestáveis do General João Baptista.

Sendo assim, há intentos outros. E não se podem jamais atribuir ao honrado Presidente – hoje mal assessorado no entender de milhares – que fica imune e naturalmente inocentado.

Tem gato na tuba. Não sai porque não quer. Nem assoprando.

Tem.

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Reforço este do pensamento acima:

Ministro Cesar Cals, das Minas e Energia. Parece ser o comandante em chefe do movimento pró-reeleição do General Figueiredo. Se fora o envolvimento de um crime e se tal se jurisprudenciasse via de dispositivos do Código Penal, o Ministro seria considerado como réu confesso.

Deixe-se isso prá lá.

Ministro Cesar Cals, ele próprio, sem ficar siquer vermelho, afirmou dia outro:

Está ele (o Ministro) estudando alternativas contábeis para a Petrobrás não dar prejuízo no primeiro trimestre do ano!

Juro que li algures declarações essa.

Desculpe, leitor, meu “pudor patriótico” – se é que se pode utilizar semelhante termo. Desculpe, rogo, pois pequei em cima da bucha, quando me inteirei desse propósito do Ministro: o de estudar “alternativas contábeis” para evitar que a Petrobrás dê prejuízo no primeiro trimestre!

O bisametro da informática foi proposital. Para ficar bem gravado, bem claro, sem quaisquer dúvidas.

Então pequei. Pequei em raciocínio sim.

Meu pecado (em pensamento):

- Num país que se diz sério como o nosso, a autoridade da administração central, admitindo e confessando manobras destinada a enganar a opinião pública, não seria sumamente digna de receber bilhete azul?

Tudo bem. “Vâmu qui vâmu”. Legal. “Tâmu qui tâmu”.

Enquanto vivermos essas duas tradições indestrutíveis:

1.      Faça o que eu mando, não faça o que eu faço.

2.      Sabe com quem está falando?


Extraído do Correio de Marília de 12 de maio de 1983

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