quinta-feira, 5 de maio de 2016

O santo protetor dos ciclistas (05 de maio de 1983)

Tem ocasiões que eu chego até a pensar, que o Santo protetor dos ciclistas, nasceu em Marília, ou é de Marília ou até pode residir em nossa cidade.

Maninho, o que tem de bicicleta entre nós, que escapa diariamente, minuto a minuto, de morrer debaixo de caminhão, ônibus e automóvel, não está escrito em nenhuma lista telefônica!

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Pessoa de São Paulo, lá nascida e criada. Que dirige seu próprio automóvel na paulicéia, que viaja seguidamente para Santos, Campos do Jordão, Campinas e outros centros esteve dia destes em nossa cidade.

Ficou encucado com o trânsito em Marília. Disse-me não entender três pontos:

A cidade é bonita, agradável, de um povo culto, como provado está pelo número de suas Faculdades e Cursos Superiores.

A sinalização de trânsito é bem feita, bastante visível, facilmente orientadora, discriminando as proibições e permissões de tráfego, as mãos de direção e os locais de estacionamentos.

Ante isso, ele não entendeu, como é que os motoristas marilienses, a maioria deles, age erradamente, atrevidamente, impunemente.

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Quase “bateu” e igualmente quase foi “batido” por outros veículos, que trafegaram arbitrariamente e em condições contrárias ao bom senso, à razão e aos preceitos da Lei.

Seguia pela Avenida, pretendendo descer a Rua Paraná. Fez a competente sinalização, parando ante o sinal fechado. Um chevetinho veio quente, desrespeitou o sinal, cruzou-lhe a frente e virou para direita, causando-lhe enorme susto, pois ele já acelerava o carro para seguir, vez que o sinal se lhe abria.

Observou que carros estacionam no meio fio, sem ligar a seta e comprometendo quem vai atrás, que se vê forçado a dar pequena guinada para ultrapassagem, adentrando com isso o setor de tráfego de mão correta – como é o caso da Avenida, onde podem trafegar dois veículos na mesma mão.

Levou sustos com outros veículos, que, estacionados no meio fio, saem abruptamente para o leito da rua, sem ligar sétas, sem olha no retrovisor, para perceber que outros carros seguem no mesmo sentido. Com isto, forçam freadas bruscas, comprometendo quem vem atrás, que poderá bater no carro atrapalhado de surpresa pela irresponsabilidade daquele que saiu inesperadamente.

Acalmei-o, informando-lhes que eu me havia preocupado com comentários sobre o problema, inúmeras vezes, mas sem resultado, porque, conforme me havia habituado a dizer, eu jamais em minha vida vi um burro motorista, mas em Marília, todo dia vejo muito motorista burro.

É comezinho, o disposto no Código e o sentido na prática, que toda conversão (curva ou virada, para os burros e irresponsáveis), quando é feita para a esquerda, se faz aberta. Aqui é o contrário, com muitos motoristas, que convergem para a esquerda de modo fechado e que viram para a direita de maneira aberta, surpreendendo e colocando em polvorosa os motoristas conscientes.

Nada custa observar essas medidas. Nada custa ligar as setas de direção. Ajudam bastante. Orientam os motoristas que trafegam em sentido contrário; esclarecem os que seguem atrás do veículo dirigido por motorista que sinaliza: avisam e previnem os pedestres e até os irresponsáveis bicicleteiros.

Bicicleteiros e motoqueiros! Cruz, credo. Santa Maria (para a maioria deles)!

DNER fez pesquisa e constatou que Macapá, capital do Amapá, é o local onde se dirige com mais perigo e mais erradamente em todo o Brasil.

Vai ver que tem motorista de Marília dando bandas por lá!


Extraído do Correio de Marília de 05 de maio de 1983

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