terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Um ponto a ponderar (03 de dezembro de 1974)


Matéria vencida, essa dos resultados reais do pleito de 15 de novembro (de 1974), em que o MDB faturou alto em todo o país, garantindo a maioria oposicionista nos parlamentos estaduais e elegendo Orestes Quércia para o Senado da República pelo nosso Estado.

De cuca fresca, pode-se agora ponderar algo referente ao fracasso arenista nessas eleições.

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Quércia começou muito cedo sua campanha política e para o início da largada conseguiu dar um golpe do joão-sem-braço em mais de oitenta por cento da imprensa interiorana.

Nos vinte por cento inclue-se este jornal.

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Há mais de um ano, antes do pleito último, o complexo publicitário montado pelo “staff” de Quércia passou a utilizar graciosamente a maioria da imprensa do interior.

Da seguinte forma:

Enviando matéria aparentemente informativa, pondo em evidência a candidatura de Quércia, para todos os jornais da hinterlandia paulista.

Deu bons resultados, porque muitos jornais interioranos, com escassez de material noticioso, passou a dar guarida, publicando a propaganda gratuitamente.

Somos prova disso, dizendo do volume desse material recebido aqui, que outro destino não teve senão a cesta de papéis inúteis. Por outro lado, vale esta afirmativa, porque, através do sistema de permuta de jornais, recebemos hebdomadários de inúmeras cidades interioranas e vimos nesses jornais sempre estampada a mesma matéria que inutilizamos.

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Os leitores da imprensa interiorana passaram, assim, a habituar-se a ler o nome de Orestes Quércia e quando o “rush” publicitário foi desencadeado, o ex-prefeito de Campinas já havia se tornado um nome conhecido e de certa forma simpático.

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Enquanto isso, a Arena cochilava na cozinha da engrenagem política, convicta de que tudo ia correndo muito bem e que ninguém iria botar defeito no nome honrado do Professor Carvalho Pinto.

Os arenistas não atinaram que os têrmos “renovação” e “mudança” apresentavam eivas utópicas, pois as mesmas setas endereçadas contra Carvalho Pinto, poderiam servir igualmente para Franco Montoro e Ulisses Guimarães, políticos mais “antigos” em militação do que o próprio Carvalho Pinto.

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O esquema de propaganda de Quércia funcionou efetivamente.

Orestes foi a formiga diligente, enquanto Carvalho Pinto comparou-se à cigarra.

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O comando do diretório nacional da Arena, embora confiado a um homem competente como é Petrônio Portela, jamais poderia representar o cerne de um ipê. Todos sabem que Portela, figurando como estrela de primeira grandeza no céu do partido da situação, fôra um janguista de escól, que, ao lado de Miguel Arraes, de Pernambuco, se opôs de corpo e alma ao alijamento de Jango Goulart.

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Esses dois fatores, aliados ao valor do impressionismo comunicativo que a engrenagem publicitária do MDB engedrou e fez aplicar, conseguiu gerar no consenso popular, o mesmo que um sentimento uno, o mesmo que uma psicose, o chamado voto de protesto.

E o resultado ai está.

Agora não aparece o pai da criança, pelo lado arenista, mas a verdade ;e que o próprio partido foi o único culpado de perder o pleito de maneira tão fragorosa.

Senão foi isso, então é forçoso afirmar que houve grande erro ou omissão.

Extraído do Correio de Marília de 03 de dezembro de 1974

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