terça-feira, 1 de outubro de 2013

Hoje, Dia do Viajante (01 de outubro de 1974)


Existe uma classe de trabalhadores representada por homens irrequietos e de elevado espírito comunicativo, dotada de uma sociabilidade impressionante, cujo poder de comunicação significa mesmo uma condição “sine qua non” para a excelente performance das próprias atividades.

Essa classe é a classe dos viajantes, os representantes comerciais.

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No passado eram chamados de “cometas”, topônimo lhe atribuído por avoengos, em virtude de terem data mais ou menos certa, para visitar as comunidades nascidas em pleno sertão.

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A história dos viajantes é rica em imagens multiformes, eivada mesmo de fatos verdadeiramente homéricos de um passado não muito distante.

Elas eram pessoas-comuns, nos antigos “pousos de tropeiros”, em picadões, em picadões abertos nas matas virgens, a peso de cascos de burros, em muitos casos, em plena floresta virgem.

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O progresso nacional muito deve aos caixeiros-viajantes. No passado, eram homens rudes, até certo ponto, pois tinham que enfrentar os perigos das selvas, para realizar seus trabalhos de interligação entre a Capital e as cidades surgintes, entre o interior e os portos de exportação, o que significa afirmar, enre os povoados nascentes entre as florestas seculares e a civilização das metrópoles.

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Simultaneamente, foram educadores, pois no aparecimento de cada novo produto da ciência ou da tecnologia, faziam-se de autênticos mestres, fazendo o pregão das novas mercadorias, dissecando seus benefícios e vantagens.

Também foram chamados de “jornal falado”, eis que procedendo dos grandes centros e adentrando os locais onde a civilização engatinhava, portavam para os centros perdidos no interior da Pátria, as notícias e informações dos fatos que se passavam nas Capitais.

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O representante comercial é um tipo extraordinário, que tem para toda e qualquer circunstância e eventualidade, uma piada a ser contada e um meio estratégico de saída de uma situação embaraçosa, com o fito exclusivo de não perder um cliente.

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Percorrendo, no início, terrenos a pé ou sobre lombos de burros, carregando pesadas malas com mostruários de mercadorias, foram os “cometas” responsáveis diretos pela propagação do próprio progresso nacional.

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É uma profissão espinhosa, embora aparentemente se apresente com um rótulo falso de “bom vivant”. Especialmente se considerarmos que na maioria dos casos, as firmas que os empregam exigem-lhes a desobrigação de uma cota mensal, que eles terão que cobrir durante o mês, mesmo que chovam canivetes ou que vertam lágrimas de sangue.

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Ao ensejo deste registro, aqui se consignam nossas congratulações e nossos respeitos a essa nobre classe dos viajantes comerciais, propagadores do progresso nacional e responsáveis pelo conhecimento e chegada da força manufatureira nacional, aos mais distantes rincões do Brasil.

Extraído do Correio de Marília de 01 de outubro de 1974

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