sábado, 19 de outubro de 2013

Assuntozinhos oportunos (19 de outubro de 1974)


O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro vem de requisitar as gravações de todos os programas de rádio e televisão dos quais participaram candidatos a cargos eletivos fora dos horários gratuitos permitidos pela Justiça Eleitoral.

Segundo a informação, o TRE irá proceder o exame das fitas gravadas e poderá determinar a cassação dos registros de todos os candidatos que porventura tenham violado as instruções do Tribunal Superior, fazendo programas de interesse de suas candidaturas políticas.

A decisão origina-se de uma denúncia formulada pelo procurador regional eleitoral, Dr. Carlos Rollemberg, que, mesmo sem ter citado nomes dos possíveis infratores, solicita ao TRE uma fiscalização bastante rigorosa da lei.

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Já disse alguém que a televisão torna pessoas mal educadas.

O exemplo citado: quando uma pessoa visita outra e o aparelho de televisão está ligado, geralmente prende a atenção e desvia as vistas. Se é o dono da casa que se interessa pela tevê, este está demonstrando desinteresse pela visita e se é a visita que fixa os olhos no vídeo, naturalmente está ela desinteressando-se indiretamente pela pessoa que está visitando.

Entenderam?

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Falando em televisão, falemos também em rádio.

O sistema técnico da Rádio Dirceu, por ocasião da transmissão da sessão da Câmara Municipal na última quinta-feira (17/10/1974), esteve muito falho.

Ou esse serviço ou o circuíto interno dos microfones.

O microfone da tribuna, que deveria ser claro e bom tom, esteve com uma tonalidade aquém do normal desejado, parecendo “muito longe”.

Enquanto isso, microfones das mesas dos vereadores apresentavam-se muitos deles abertos, ocasionando uma salada de vozes, comprometendo a clareza da audiência para o público.

Se isso não bastara, alguns vereadores conversavam normalmente sobre assuntos vários, comprometendo a audiência normal da voz de quem ocupava a tribuna.

Como pretendia ouvir o desenrolar da sessão e isso não estava sendo muito possível, telefonei duas vezes para a edilidade e uma vez para a emissora, nenhuma providência técnica aparente tendo sido tomada.

Em virtude disso, o público ouviu coisas que não interessava na ocasião e ficou sabendo de sentimentos ocultos e de certa forma lamentáveis, do vereador Homero.

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Se a abertura e fechamento do microfone individual de cada vereador depender desse, este que tome as devidas cautelas, só o abrindo para falar como vereador em sessão e não como vereador assistente de reunião.

Se, em contrário, tais operações dependem de trabalho de terceira pessoa, essa terceira pessoa que fique atenta, para que a perfeição se consume.

É comum, também, estando um orador na tribuna, o ouvinte de casa tomar conhecimento de conversas de elementos da própria mesa, interferindo e prejudicando a audiência da locução de quem fala em caráter oficial.

Isso vem ocorrendo há tempo.

Não se poderá dar um jeitinho?

Extraído do Correio de Marília de 19 de outubro de 1974

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