sábado, 10 de agosto de 2013

Imitações tolas (10 de agosto de 1976)


Não pensem que sou anti-americanista. Em contrário, gosto muito do povo norte-americano, embora reconheça nessa raça comerciantes exímios e capazes, gente que não dá ponto sem nó.

Mas isso é outro caso.

O norte-americano é um cara muito bacana.

Muito afeito ao trabalho e respeitador da lei.

Genericamente é, assim, embora se considere que toda a regra tem sua exceção.

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Convivi com cidadãos norte-americanos, por relativo tempo, embora esse convívio fosse esporádico.

Refiro-me à última Grande Guerra, da qual o Brasil participou através da gloriosa Força Expedicionária Brasileira, a FEB.

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Comecei a contactar com soldados norte-americanos antes do embarque da FEB para a Europa. Através de cursos militares, ministrados por oficiais brasileiros e norte-americanos.

Depois, no navio que conduziu o primeiro escalão da FEB à Itália, sensibilizei-me mais pelos “yankies”, ao mais de perto conviver com os mesmos.

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Na Itália, antes da entrada em combate, frequentei cursos e também ministrei cursos. Isso me colocou sempre em contacto com os norte-americanos.

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Quando da participação inicial das tropas brasileiras em operações de combate, nossos pracinhas substituiram soldados norte-americanos. As trocas de posições processaram-se de modo a fixar ainda mais as relações de amizade e de respeito mútuo.

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Anos mais tarde estive nos Estados Unidos. Aí, então, o convívio foi direto com aquele povo. Mais expressivo ainda, porque no Estado norte-americano que me fiz presente o número de estrangeiros e especialmente de brasileiros é deveras ínfimo.

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Tudo isso vem a respeito do péssimo costume que temos nós, brasileiros, em copiar e imitar o que fazem os norte-americanos.

Mesmo coisas banais fazemos sempre como o macaco: imitamos.

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Refiro-me aos tipos de camisas e blusas comumente usadas entre nós, com disticos, palavras, frases ou alusões norte-americanos.

Inclusive com divisas e galões de Forças Armadas dos Estados Unidos.

Entendo isso como errado.

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Se o caso fosse inverso, isto é, se ao invés dos brasileiros usarem tais alusões e enfeite, fossem os norte-americanos, que lá na sua terra, usassem motivações brasileiras, o caso seria o mesmo.

Em outras palavras:

Nessa hipótese, se eu, por exemplo, fosse radicado nos Estados Unidos e visse os norte-americanos usando camisas e blusas com motivações brasileiras, talvez pudesse pensar algo diferente, mas o certo é que pensaria, no duro, que os americanos não passavam de tolos.


Extraído do Correio de Marília de 10 de agosto de 1976

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