quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Amanhã, Dia do Papai (07 de agosto de 1976)


Sendo domingo o dia de amanhã e não circulando esta coluna, abordaremos no espaço de hoje a motivação do Dia do Papai.

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Fomos buscar aquilo que de mais sublime se nos pareceu para traduzir todo o anelo, todo o amor, toda a esperança de um pai por um filho.

Uma prece.

A “Prece de um soldado por seu filho”.

De autoria do grande cabo de guerra do Exército Norte-Americano, General Douglas Mac Arthur, que comandou as tropas aliadas nas batalhas da África e que teve participação na invasão da Europa, em princípios de 1944.

Esta, a “Prece de um soldado por seu filho”.

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“Faze, Senhor, de meu filho um homem tão forte, que saiba quanto é fraco; e bastante bravo, para se enfrentar a si mesmo, quando tiver medo; um homem altivo e inflexível quando for derrotado numa luta honesta; e humilde e manso quando for vitorioso.

“Faze, Senhor, de meu filho, um homem cujos desejos não tomem o lugar dos átos; um filho que Te conheça – e saiba conhecer-se a si mesmo, a pedra fundamental de toda a sabedoria humana.

“Conduze-o, rogo-te Senhor, não por caminhos fáceis e cômodos, mas sob a pressão e o incentivo das dificuldades e das lutas.

“Ensina-o, Senhor, a manter-se firme durante as tempestades, ensina-o a ter compaixão dos que falham.

“Faze-me de meu filho um homem de coração limpo e ideais elevados; um filho que queira dominar a si mesmo, antes de querer dominar os outros; que anteveja o futuro, porém sem jamais esquecer o passado.

“E depois que ele for o Senhor dê tudo isto, dá-lhe, fogo-Te, Senhor, bastante senso de humor, para que possa sempre ser sério, sem contudo encarar a sí mesmo com excesso de seriedade.

“Dá-lhe, Senhor, a humildade, a simplicidade da verdadeira grandeza, o espírito compreensivo da verdadeira sabedoria e a bondade da verdadeira força.

“Então, eu, seu pai, ousarei murmurar:

- Obrigado, Senhor, eu não vivi em vão!”

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Por outro lado, de autor desconhecido, transcrevemos a seguir um fragmento filosófico dos mais realísticos sobre “O que o filho pensa do pai”.

Eis esses fragmentos:

* AOS 7 ANOS: “Papai é um sábio. Papai sabe tudo”.

* AOS 14 ANOS: “Parece que papai se engana em certas coisas que diz”.

* AOS 20 ANOS: “Papai está um pouco atrazado em suas teorias, pois não são da nossa época”.

* AOS 25 ANOS: “O ‘velho’ não sabe de nada. Está caducando, decididamente”.

* AOS 35 ANOS: “Com minha experiência, meu pai nesta idade seria milionário”.

* AOS 45 ANOS: “Não sei se consulto o ‘velho’ neste assunto, pois talvez ele pudesse me auxiliar”.

* AOS 55 ANOS: “Que pena que o ‘velho’ tenha morrido. A verdade é que ele tinha umas idéias e clarifidências notáveis”.

* AOS 60 ANOS: “Pobre papai. Era um sábio e era tão bom. Como lastimo e me arrependo de tê-lo compreendido tão tarde”.

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Agora, na espontaneidade de um dos muitos conteúdos desta “Antena”, a transcrição do escrito “Filosofia de Roça”, aqui publicado em 16 de julho de 1969:

“Conheci um espanhol, imigrante e semi-analfabeto, que sempre qui-lo muito bem. Tive sobejas razões para isso: era meu pai.

Meu ‘velho’ era daquela gente que se pode chamar de ‘sem sorte’. Apesar de muito trabalhador e atirado para qualquer tipo de negócio ou trabalho, acabou morrendo pobre. Tentava tudo o que podia. Não media sacrificios e não tinha medo de nenhum trabalho.

“O homem tem obrigação de trabalhar, mesmo que não dependa do trabalho para viver” – era o que sempre afirmava. E me botou “no batente, já aos 7 anos de idade. Foi no ano de 1929. No mês de setembro, melhor recordando.

Vou comemorar em setembro uma boda qualquer. Quarenta anos de trabalho constante. E foi olhando na folhinha aqui da redação que me veio isso à lembrança.

“Trabalho não mata ninguém; se matasse, eu já estaria morto há muito tempo” – afirmava sempre o ‘velho’.

Na sua falta de cultura, tinha sempre uma grande sabedoria – fruto da experiência da própria vida. Tinha boas ‘tiradas’ e de vez em quando arrumava um sal de filosofia. Filosofia espontanea, natural, que ostentava certa lógica.

“Nunca tive fé em homem que usa costeleta fina e comprida” – asseverava. Naquele tempo, poucos usavam o referido apendice de barba.

“Para mim, homem que anda com gaiola de passarinho ou com galo de briga debaixo do braço, não tem valor algum” – dizia sempre.

“Não é todo preto que pode ocupar cargo, ter posição ou dinheiro”, dizia, em brincadeira, para um negrinho que criava como filho. E o Joaquim (era o nome do crioulo) acabou “aprontando”. Quando ninguém esperava, o pretinho “catou” todas mensalidades do leito que o ‘velho’ fornecia aos fregueses da cidade e “se mandou”.

“Caboclo que escolhe serviço é vagabundo; o homem do trabalho não enjeita atividade”, assevera. “Mulher deve ser como é; sem pinturas e sem enfeites para parecer bonita; antes de enganar os outros, ela engana a sí própria”.

Quando fracassava num empreendimento, tentava a justificativa: “Um dia tem que chover na minha horta; quem anda direito e não faz nada para prejudicar o próximo, tem que ter uma recompensa um dia qualquer”.

Tentava de tudo. Fôra comerciante, viajante, carpinteiro, fazendeiro, leiteiro, fabricante de cadeiras e meses, açougueiro, mascate, lojista, boiadeiro, hotaliceiro, lenhador, enfim, tudo o que lhe permitia fazer dentro de suas condições de operosidade e nenhuma intelectualidade.

Era uma venda na beira da estrada.

Numa tábua, eu, criança de grupo escolar, desenhei um boneco, “dando numa banana”. E escrevi um versinho sob o desenho. Era assim o verso.

“Amigo e companheiro / aqui mora o barateiro / que vende o ano inteiro / mas que só vende a dinheiro”.

Descuidei um pouco e o ‘velho’ apanhou o pincel e rabiscou por baixo do versinho:

“E quem não tiver dinheiro / leve a banana do companheiro”…

Extraído do Correio de Marília de 07 de agosto de 1976

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