terça-feira, 13 de novembro de 2012

Influência dos mendigos (13 de novembro de 1973)



Entre nós, um fenômeno existe.

Ultimamente vem ganhando forma e características crônicas e condenáveis.

Que se traduz no perpetuamento de pedir, de rogar, de implorar, no aguardo de obséquios alheios.

Favores que jamais se converterão em realidade, mesmo porque inexistirá a razão fundamental de seus atendimentos.

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Nossa cidade, sempre foi um eterno paraíso de pedintes.

As coisas estão caminhando à tal têrmo e ponto, que Marilia penderá também, no terreno moral e político, para a condição de pedinte.

A cidade, de acordo com o que se percebe e a julgar pela situação e “modus operandi” da política local, somados à indiferença de muitos marilienses, com um salpico indisfarçável de desamor à terra, irá (mais uma vez), pedir, mendigar. Não nas ruas, não nos bancos, não nas repartições públicas, não nas portas de residências.

Terá de pedir, de chapéu na mão.

Pedir à políticos estranhos, profissionais, caçadores de votos, aventureiros enfim, que jamais conseguiram, puderam ou interesses provaram, de amor por Marília.

A influência dos pedintes, vai mostrar a submerção de Marília, na necessidade de pedir também.

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Tudo isto decorre, da falta da mais comezinha organização sócio-política da cidade, que exige, para a eleição de um lídimo deputado, a indicação de candidato único. Mais ainda, o cerco, prestigio e votação mariliense, em favor desse hipotético candidato único da cidade.

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Com as perspectivas palpáveis existentes e até agora imutadas, prevê-se a viabilidade de intenções, do lançamento, indicação e apôio, de mais de um nome.

Essa circunstância, adicionada ao desvio inevitável de votos marilienses para candidatos alienígenas, garante, por antecipação, o fracasso político mariliense, com a repetição de fatos pretéritos e a não eleição de seu legítimo candidato.

A influência dos pedintes, em terreno antagônico, virá, inevitavelmente, tornar Marília em pedinte também.

Com a desvantagem de que os mendigos e falsos mendigos, sempre conseguem alguma coisa e que Marília não irá conseguir.

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Não se faz sapatão com couro de pulga.

Também se não tapa o sol com peneira.

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Um candidato, para ser eleito deputado, deverá conseguir uma cotação de um mínimo de 25.000 votos.

Marília, dividindo seu coeficiente eleitoral, entre mais de um candidatos locais e distribuindo o restante de seus sufrágios aos candidatos de fora, como sempre fêz, não irá, por nada do céu e nem da terra, eleger seu representante.

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Desejo estar equivocado nesse modo de entender.

Mas se me não enganei no passado...

Oxalá esteja errado.

Oxalá.

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Sem um deputado, Marília não terá sua liderança política, seu advogado de defesa, na Assembléia Legislativa. Restará ao prefeito (atual e futuro), andar qual cigano, de chapéu na mão, pedindo como favores, o que direito devido é ao município.

E não sejamos ingênuos a tal ponto, de acreditar que Dabus, Agnaldo, Dualibi, Sólon, Pinheiro e outros, que daqui levam todos os pleitos preciosos e ricos votinhos, irão defender Marília.

Eles jamais fizeram isso.

Quando muito, nas vésperas eleitorais, movimentam-se, para engordar, usando o falso mandato de “trabalhadores por Marília”. Como até aqui tem acontecido. Como está presentemente acontecendo.

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Depois da fritura dos ovos, não irá sobrar nenhuma gordura. Existem exemplos concretos disso.

Os culpados, os que facilitarem desses fatos, não aparecerão, nem serão identificados.

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A guisa de consôlo, restarão duas desculpas, para justificar a condição de Marília-pedinte:

Primeiro: “ripar-se” o prefeito, que nada conseguirá por não possuir Marília seu legitimo representante.

Segundo: culpar o técnico Urubatão.

E estamos conversados!

Extraído do Correio de Marília de 13 de novembro de 1973

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