quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Amanhã, Finados (1 de novembro de 1973)



Amanhã será o Dia de Finados.

Data em que os homens dedicam-se ao culto dos mortos queridos.

Nos campos santos, encontram-se a saudade e o respeito.

Sepulturas lavam-se, com recentes e sentidas lágrimas.

Flores falam a língua da nostalgia. Parecem espelhar olhares ressequidos e cansados pela saudade.

O brilho da saudade dos que já não vêm, substitui-se pelas chamas bruxuleantes das velas, que aos poucos vão se consumindo.

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Doces e saudosas recordações, contrastam com o amor da ausência dos que nas campas repousas.

Há uma união de suspiros e preces. O silencio traduz a fala de sonhos desfeitos, relembrando ilusões anteriormente vividas.

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Os corações de pedra, aqueles que são céticos, os homens duros de consciência, não escapam à realidade dos fatos: curvam-se também, participam mesmo que assim não o desejem, da comunhão geral e comum. E cultuam, igualmente, a memória daqueles que partiram um dia.

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É a dor. Dor que se irradia. Que fala até mais alto do que o evangélico preceito: “Deixai que os mortos enterrem seus mortos”.

Ninguém está morto no Dia de Finados.

A saudade, a nostalgia e o respeito, fazem o milagre da ressuscitação. Fazem ressuscitar, em nossos interiores, a lembrança daqueles que partiram e que esperam por todos nós.

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É hora de pensar: o Juízo particular é quem decide sobre a sorte da própria alma na eternidade ou será destinada aos céus, ou ouvirá  a sentença terrível da morte eterna.

É o próprio Cristo, quem já falou dos pecados. Pecados que não serão perdoados, nem aqui e nem no outro mundo.

É o Finados, dia de meditação, exatamente naquilo que poucos meditam: na transitoriedade da vida.

Data de recordar a lembrança e as figuras dos que se foram.

Só assim se poderá, bem e melhor, pautar as próprias existências, num “curriculum” de ações mais caritativas, mais humanas, mais elevadas, e, o que é imprescindível, mais cristãs.

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O cheiro das velas, mistura-se com o odor imaculado dos ciprestes. As rosas sobre as campas, mostram-se tristes.

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Esperar o perdão, é apenas um momento.

Encontrar a gloria eterna é bem outra coisa.

A dor sofrida por pais, irmãos, parentes e amigos, não pode e não deve ser limitada à simples manifestações exteriores.

Oremos, pois.

Orando, poderemos transformar a dor e a saudade, naquilo que reclama e está a exigir a data do Finados: penitência e caridade.

Extraído do Correio de Marília de 1 de novembro de 1973

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